O Milionário Mundo da Pobreza

Gabriel BinderPrezado Vice-Presidente (ex… e sempre)

Estou, ainda, Gerente Regional da Superintendência RJ Oeste, da Caixa, e tivemos poucas oportunidades de conversarmos, no período de sua gestão como Vice-Presidente.

Por vezes, acompanho seu blog “Cidadania & Cultura” que sempre apresenta diversos temas, observados por diferentes lentes, significando a oportunidade de cada leitor poder fazer uma grande reflexão sobre tudo aquilo que é divulgado pela mídia de massa e as outras possíveis formas de leitura do mesmo fato. Parabéns!!!

Bem, ocorre que concluí mais um curso (Lato Sensu) na PUC-Rio de Gestão Governamental e Avaliação de Políticas Sociais e, neste contexto, estou desenvolvendo meu trabalho final, cujo tema escolhido e aprovado pela coordenação do curso é “O Milionário Mundo da Pobreza”. [Faça downloadGabriel_Binder_Monografia O Milionário Mundo da Pobreza_2013.]

A escolha teve por base a leitura de diversos estudos que demonstram a existência de um significativo submundo num espaço físico ocupado por pobres e miseráveis e que, à luz de uma boa parcela da sociedade, faz parte apenas de algo meio abstrato, cuja realidade é por vezes totalmente ignorada e, ao mesmo tempo, representa sob a lógica do capital uma potencial fonte de riqueza aos obstinados pelo do lucro financeiro, quaisquer que sejam os seus meios.

Há, portanto, uma grande dicotomia predominante nessas várias comunidades carentes, onde o paradoxo convive de forma pacífica e quase harmônica. De um lado, o retrato dos indicadores sociais que ratificam a baixa qualidade de vida do local. No outro extremo, uma contabilidade, pouco divulgada, que retrata a riqueza que dali se extrai e, dessa forma, retroalimenta um sistema perverso de exploração.

A favela da Rocinha possibilita ser um interessante exemplo a ser analisado. Situada na Zona Sul do Rio de Janeiro, sob o aspecto quantitativo, tem uma população superior a de 90% dos municípios brasileiros e estimativas indicam a existência de pelo menos 25 mil domicílios, dos quais 33% são alugados.

Chama a atenção também que os principais proprietários desses imóveis não pertencem à comunidade e residem em bairros nobres da zona sul do Rio.  Interessante perceber que, mesmo sem abordar as questões relacionadas às políticas públicas, os proprietários dos imóveis alugados são incapazes de promover quaisquer melhorias nos seus prórprios imóveis.

E por aí vai…

Caso o Amigo tenha alguma contribuição, indicação, crítica que possa ajudar-me no desenvolvimento deste trabalho, com toda certeza, será muito gratificante para mim.

Agradeço a atenção e receba meu abraço!

Gabriel Binder

Respondi-lhe:

Prezado Gabriel,

li e gostei muito de sua monografia sobre importante tema: O Milionário Mundo da Pobreza. A leitura ajudou-me a refletir sobre o tema que estou escrevendo na segunda parte do meu memorial: Finanças dos Trabalhadores. Só que meu foco está no mercado de trabalho formal, ou melhor, na Educação Financeira dos inclusos que já desfrutam da Cidadania Financeira.

Gostaria de pedir sua autorização para eu divulgar sua Monografia no meu blog. Ele está com quase 2,1 milhões de visitas acumuladas e recebeu, nas férias, uma média de 2,5 mil / dia. Ontem, recebeu 3,3 mil. Pela abrangência geográfica dos acessos que recebe, é bom para divulgar seu trabalho.

Aliás, grato por suas citações de posts meus.

Quanto a meus comentários críticos, farei apenas três:

1. p. 22: tenho sérias dúvidas sobre a adequação das metodologias de cálculo do PIB da economia subterrânea: 17%?! Quando trabalhei no IBGE, especialistas de lá estimavam em no máximo 4% (se não me engano) das atividades não eram captadas no PIB.

2. p. 32: citação — discordo do discurso fatalista, típico do marxismo vulgar, de que “não tem jeito, fora a revolução”. Talvez a idade esteja me levando a maior moderação. Conquistas da cidadania, i.é, de direitos civis, políticos e sociais, são realizadas com lutas seculares, sucessivas e progressivas. Acho que, neste Século XXI, vivemos uma era para conquistar direitos econômicos, entre os quais o acesso à cidadania financeira e o direito à propriedade da moradia pelos descendentes dos escravos brasileiros.

3. p. 40: outra citação de postura política que acho equivocada é a de Souza (2007) — o marxista acaba sendo neoliberal contra o Estado enquanto promotor da justiça social! Apesar de todas as dificuldades elencadas por você, dos avanços e retrocessos, não entender o progresso social promovido pelas políticas públicas promovidas por um Governo Social-Desenvolvimentista sob hegemonia do Partido dos Trabalhadores significa não entender a história brasileira contemporânea.

A vida real é difícil e os problemas sociais não se resolvem em um (ou alguns) mandato(s). Acho que a economia brasileira vive uma fase de transição até os investimentos de longo prazo (infraestrutura, logística, energia elétrica e pré-sal) maturarem na próxima década. Até lá, haverá moderação no crescimento da renda, inclusive para manter a inflação e o nível do emprego sob controle. Depois, com Fundo de Riqueza Soberano para gastos sociais em Educação e Saúde, Pesquisa e Tecnologia, o país dará salto de qualidade na vida de seu povo. Quero crer…

Aguardo sua autorização.

Parabéns!

Abraço,

Fernando

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