Aula sobre Precificação no Mercado de Crédito

Aula 6 Precificação no Mercado de Crédito 2014

Resumo:

O modelo bancário de precificação acumula os itens de receita e de despesa apurados para o produto ou a carteira de financiamento, deduzindo a diferença entre ambos: o spread líquido.Seu objetivo é “decompor” o valor de cada item de receita e de despesa aferido para o produto financeiro objeto da análise, demonstrando o resultado em taxa efetiva anual. A avaliação de risco tem peso fundamental, pois, como os bancos se alavancam com recursos de terceiros que não podem ser perdidos, “os justos pagam pelos pecadores”. Em outras palavras, os adimplentes pagam juros a mais pela perda causada pelos inadimplentes. É espécie de “aval solidário” sem que os clientes tenham consciência desse ônus devido a comportamentos de terceiros. O risco de variação dos juros sobre o descasamento de prazos e indexadores entre ativos e passivos também é repassado na precificação como risco de perda.

Texto para DiscussãoFERNANDO COSTA Capítulo do Livro Agenda Desenvolvimentista – Financiamento Interno em Longo Prazo set2013

6 thoughts on “Aula sobre Precificação no Mercado de Crédito

  1. Prof.

    Estou estagiando em um grande Banco, na area de precificação de crédito. Nossa grande discussão está na validade de modelos estruturais (Merton, Black,) versus formas reduzidas como processos de Poisson e Cox, e modelos com dependência, cópulas, etc.
    Você poderia dar sua opinião sobre essas formas de precificação?

    • Prezado Wilton,
      infelizmente, ignoro, pois esse tema refere-se mais à Administração Financeira, que eu nunca cursei.
      Sempre estudei mais Macroeconomia Monetária e Financeira e pouco Microeconomia Bancária. Eu não aprecio “gestão de gente”…
      att.

  2. Prezado Fernando,

    Resolvi dedicar esta manhã a comentários em seu blog. Excelente blog.

    Precificação. Em princípio, precisamos entender a dinâmica patrimonial de um banco. Entender o fato de que os três grandes grupos patrimoniais de uma instituição financeira “variam”, e o fazem em resposta a fatores não necessariamente associados entre si. Portanto, o segredo parece residir numa estrutura de capital estável, o que não significa dizer “estática”.
    Em linhas gerais, a ideia subjacente é a de que o ativo e o passivo exigível flutuem coordenadamente, de modo que alavancagem e solvência se mantenham nos limites estatutários traçados pelo ente regulador ou, sendo o banco especialmente avesso ao risco, em algum lugar ditado por um intralimite fixado pelo administrador bancário. A fim de que isso ocorra, o nível de retorno bruto do ativo, do total do ativo, não apenas de sua porção “financeira”, deve ser, no mínimo, equivalente ao custo representado pelo passivo exigível, por todo o passivo exigível, não apenas por sua porção, digamos assim, diretamente associada ao esforço de captação. O problema, portanto, é saber, de um lado, o que determina o nível de retorno bruto e, do outro, o custo de captação.
    Se definirmos o passivo exigível como a base da captação, e ele o é, haja vista que obrigações representam a dilação dos pagamentos ou saídas de caixa, podemos entender a razão entre a despesa total de um banco e o seu passivo exigível como o custo em que ele, banco, incorre por unidade de moeda captada. E não se trata de razão entre limões e abacates, haja vista que a despesa, toda e qualquer despesa, não representa, necessariamente, saída de caixa ou pagamento. A contrapartida da despesa, quando não há pagamento contemporâneo à sua geração, é a eclosão de uma obrigação de pagar, exatamente, no passivo exigível.
    Assim sendo, há um custo total ou geral de captação, e esse custo é ditado pela razão que acabamos de comentar. Esse custo pode ser decomposto em seus elementos constitutivos, um deles sendo, precisamente, os instrumentos de crédito ou os ativos financeiros emitidos pelo banco.
    Por sua vez, o retorno bruto deve ter, como base de cálculo, o total do ativo ou das aplicações do banco em bens e direitos realizáveis, ainda que esses bens e direitos, por vezes, sejam estranhos à intermediação financeira ou contribuam, apenas indiretamente, para a oferta de crédito e a geração de receitas de intermediação. Há a carteira de crédito, assim como há a carteira de ativos do banco. Do ponto de vista do investidor de risco, da rentabilidade patrimonial líquida, da macroeconomia ou da microeconomia, o que importa é conjunto da obra, pois é esse conjunto que revela acertos e desacertos na condução das finanças bancárias. Naturalmente, é possível, aqui também, decompor o ativo por seus elementos integrantes, sopensando-lhes a contribuição para o desempenho bancário. A ordem dos fatores, contudo, não altera o produto final, tampouco elide a condição de que os bancos devem aplicar recursos eficientemente.
    O total da receita, em relação ao total do ativo, define o retorno bruto do ativo, das aplicações do banco. Nesse contexto, ativos pouco rentáveis, imobilização excessiva, liquidez exagerada ou créditos de liquidação duvidosa em demasia penalizam o resultado geral da instituição, ainda que o banco oferte grande volume de crédito e pratique, entre receitas e despesas de intermediação financeira, spread de elevada amplitude.
    Quando o custo de captação e o retorno do ativo, conforme aqui definidos, são equivalentes entre si, o banco lucra, e sua lucratividade equivale ao retorno do ativo ou, o que vem a ser a mesma coisa, ao custo de captação. Portanto, lucratividade elevada nada tem a ver com spread de demasiada amplitude. Lucros podem ser realizados, inclusive elevados, ainda que a amplitude do spread seja nula. Para tanto, basta que o custo seja elevado, o que exige retorno bruto elevado e, nesse rastro, gera rentabilidade líquida igualmente elevada. O segredo disso? A estrutura de capital. A equação patrimonial. A alavancagem.
    Esse é o segredo do crédito barato, a custo módico. Elevadíssimos graus de alavancagem, associados a spreads de pequena amplitude, asseguram a acomodação da totalidade dos custos bancários, inclusive os de carregamento de ativos relativamente ociosos, como os imobilizados, e, ao final das contas, permitem a geração de resultados (lucro líquido) que ainda implicam satisfazer o custo de oportunidade do investidor de risco.

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