Breve História da Humanidade

Yongle-Emperor1

Ainda que esteja diminuindo minha memória literal (capacidade de recordar nomes e datas), o cérebro na minha faixa etária possui a memória de essência, isto é, a capacidade de compreender e recordar os grandes temas subjacentes, enquadrando-os dentro de um panorama geral. As células do cérebro não desaparecem em grande número no processo normal de envelhecimento. O que precisamos fazer é exercitá-lo sempre. Por exemplo, analisando e memorizando datas-chaves da breve história da humanidade.

A data da indicação de Júlio César como ditador perpétuo (44 a.C.) encerrou os 500 anos de existência da República Romana, que precedeu o Império, demarcando a transição da República para o Império Romano, o primeiro Ocidental. Em 395 d.C., o império foi dividido pela última vez. O Império Romano do Ocidente acabou em 476, quando Rômulo Augusto foi forçado a se render ao chefe militar germânico Odoacro. O Império Romano do Oriente, conhecido como Império Bizantino, chegou ao fim em 1453, cerca de 1000 anos depois,  com a invasão da cidade de Constantinopla pelos turcos otomanos.

Enquanto isso, na China, o forte sentimento popular hostil ao governo estrangeiro levou a rebeliões camponesas que terminaram por repelir os mongóis de volta às estepes e a instituir a Dinastia Ming em 1368. Durante o governo mongol, a população havia sido reduzida em 40%, para um total estimado em 60 milhões de pessoas. Dois séculos depois, a população dobrara de tamanho, resultando em maior urbanização e divisão do trabalho.

A China do início da Dinastia Ming não se isolou. O comércio exterior e outros contatos com o mundo externo cresceram bastante. Mercadores chineses exploraram todo o Oceano Índico e atingiram a África Oriental com as viagens de Zheng He. Muito antes de Vasco da Gama dobrar o Cabo da Boa Esperança…

O Imperador Yongle foi o terceiro imperador da Dinastia Ming da China, reinando entre 1402 e 1424. Seu nome significa “felicidade perpétua”. Ele é até hoje largamente reconhecido como o maior imperador da Dinastia Ming, e um dos mais bem quistos imperadores da história chinesa. Ele mudou a capital de Nanquim para Pequim (ou Beijing), onde construiu a Cidade Proibida e foi completada a monumental Enciclopédia Yongle.

Ele também comissionou as viagens exploratórias de Zheng He. Durante todo o seu reinado, a expansão chinesa baseou-se em:

  1. exploração marítima,
  2. negociação com portos em toda a Ásia, e
  3. manipulação de regentes locais para governantes favoráveis aos interesses comerciais chineses.

Depois, a China fechou-se e extinguiu sua Marinha. A autossuficiência, a xenofobia e a introspecção intelectual, característica do neo-confucionismo, pensamento dominante, retrocede a Civilização Oriental e permite os 500 anos de predominância da Civilização Ocidental, desde a conquista das Américas, próximo de 1500 (1492). Será que, depois desse “breve intervalo histórico” (cerca de 1/2 milênio), a China está agora retomando seu posto de potência hegemônica?

As reformas implementadas por Deng Xiaoping entre 1979 e 1989, adotando o Socialismo de Mercado com investimento direto estrangeiro e transferência de tecnologia, levaram ao ressurgimento da antiga potência econômica. As aspirações dessas reformas não se colocavam mais em termos da visão utópica da revolução contínua de Mao Tse-Tung, mas por seu objetivo de construir uma sociedade “harmoniosa moderadamente próspera” – expressão com conotações confucionistas. Houve um renascimento do estudo de Confúcio nas escolas chinesas e uma celebração de seu legado. Requisitaram Confúcio como uma fonte de poder brando chinês no palco mundial. Essa reabilitação do antigo filósofo moral não se deu mais com autossuficiência, xenofobia e introspecção intelectual, mas muito antes pelo contrário: com abertura externa a la Imperador Yongle e seu Almirante Zheng He!

Após uma Era de Trevas (cerca de um milênio), conhecido no Ocidente pelo feudalismo e o obscurantismo da Igreja inquisitorial, houve o Renascimento e, depois, no século XVIII, o Iluminismo na Europa. O Renascentismo identifica o período da História da Europa, aproximadamente, entre fins do século XIV e meados do século XVI, marcado por transformações na sociedade, economia, política, religião e cultura, com efeitos nas Artes, na Filosofia e nas Ciências, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando a ruptura com as estruturas religiosas e feudais medievais.

A Guerra Civil Inglesa, primeiro episódio da Revolução Inglesa, se deu entre os partidários do Monarquia Absolutista da Inglaterra e o Parlamento, liderado por Oliver Cromwell. Iniciada em 1642, acaba com a condenação à morte de Carlos I em 1649. A Revolução Gloriosa (1688-89), no longo processo de transferência dos poderes da Coroa Britânica para o Parlamento do Reino Unido, implicou na aprovação pelo Parlamento da Bill of Rights (Declaração de Direitos), tornando impossível o retorno de um católico à Monarquia inglesa e encerrando com as tentativas de reinstalação do Absolutismo Monárquico nas ilhas britânicas, ao circunscrever os poderes do rei. O rei reina, mas não governa, quem governa é o Primeiro-Ministro, através do Parlamento.

As origens do Iluminismo estão no início do século XVIII, conhecido como “Século das Luzes”. O término do período coincide com o início das Guerras Napoleônicas (1804-1815). A Revolução Inglesa, no século XVII tardio, permitiu maior grau de liberdade aos colonos britânicos na América do Norte. A Guerra da Independência (1775–1783) foi o resultado da Declaração de Independência de uma nova nação soberana, os Estados Unidos da América, em 4 de Julho de 1776. Os pensamentos iluministas a influenciaram. O envolvimento francês foi decisivo, contudo, o custo foi alto em termos financeiros, arruinando a economia francesa e dando origem à enorme dívida. A vitória dessa aliança influencia a Revolução Francesa (1789), seis anos depois, e as subsequentes Independências nacionais.

Porém, ser cidadão brasileiro representou conquistar direitos civis, como ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante à lei, com um século de atraso, apenas com a extinção da escravidão e a proclamação da República, em 1888-89, em relação às conquistas inglesas, norte-americanas e francesas no  Século XVII-XVIII. Somente um século depois, com a Constituinte de 1988, após longas ditaduras (1930-1945 e 1964-1984), verdadeiramente, conquistamos direitos políticos: eleger o destino da sociedade, votar, ser votado, associar-se em sindicatos e partidos. Na transição do Século XX para o XXI, começamos a conquistar direitos sociais à educação, à saúde, à aposentadoria, à segurança pública. No Século XXI, nosso grande desafio está sendo conquistar direitos econômicos: ao trabalho, ao salário justo, a uma renda mínima, acesso aos bancos, isto é, a crédito e produtos financeiros.

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