Imperialismo

Caricatura da divisão imperialista da China

Niall Ferguson (Civilização: Ocidente X Oriente; 2012: 176) afirma que, “desde o século XIX a meados do século XX, o Ocidente dominou o restante do mundo. Essa foi a era não só dos impérios como do imperialismo, uma teoria de expansão ultramarina que justificou a dominação formal e informal dos povos não ocidentais [e Ocidentais do Sul], apresentando razões altruístas e egoístas”.

Império significava:

  1. “espaço habitável” para o excesso populacional;
  2. mercados de exportação garantidos, que uma potência rival não podia restringir com taxas alfandegárias;
  3. retornos mais altos sobre o investimento do que os que estavam disponíveis em casa.

O império também podia ter uma função política, transformando os conflitos sociais da era industrial em um espírito belicoso de orgulho patriótico, ou gerando compensações para acalmar os ânimos de grupos de interesse poderosos.

Mas também significou a disseminação da Civilização, um termo usado cada vez com mais frequência para descrever todo o sistema de instituições marcadamente ocidentais apresentados nos capítulos anteriores do livro de Ferguson:

  1. a economia de mercado;
  2. a Revolução Científica;
  3. a ligação entre propriedade privada e governo representativo.

Também significou a disseminação do cristianismo, pois, no processo de construção do império, os missionários foram quase tão importantes quanto os mercadores e os militares, como mostrou Ferguson no sexto capítulo de seu livro.

De todos os impérios ocidentais, o maior foi, de longe, o britânico. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, o Império Britânico cobria cerca de ¼ da superfície da Terra e abarcava praticamente a mesma proporção da população mundial. Também exercia um controle sem igual sobre as rotas marítimas do mundo e sobre a rede internacional de telégrafos.

Mas os britânicos estavam longe de ser a única potência imperialista. Apesar do custo apavorante da Revolução e das Guerras Napoleônicas em termos de vidas humanas, os franceses retomaram a expansão imperial apenas 15 anos depois de terem sido derrotados em Waterloo. O Império Francês cobria pouco menos de 9% da superfície mundial.

Os belgas, os alemães e os italianos também adquiriram colônias ultramarinas, ao passo que os portugueses e os espanhóis retiveram grande parte de seus impérios anteriores. Enquanto isso, avançando por terra, e não por mar, os russos expandiram seu império sobre o Cáucaso, a Sibéria e a Ásia Central.

Os austríacos também anexaram novos territórios. Depois de terem sido expulsos da Alemanha pela Prússia, em 1866, os Habsburgo se voltaram para o sul, em direção aos Balcãs.

Até mesmo ex-colônias se tornaram colonizadoras, como os Estados Unidos, que conquistaram Porto Rico e as Filipinas, além do Havaí e de uma porção de ilhas menores no Pacífico.

Em 1913, os Impérios Ocidentais dominavam o mundo. Onze metrópoles, abrangendo apenas 10% da superfície da Terra, governavam mais da metade do planeta. Estima-se que 57% da população mundial vivia nesses impérios, o que correspondia a quase quatro quintos da produção econômica global.

Mesmo naquela época, sua conduta foi alvo de críticas ferrenhas. De fato, a palavra “Imperialismo” é um termo pejorativo que se popularizou entre nacionalistas, liberais e socialistas. Choveram críticas ridicularizando a afirmação de que os impérios estavam exportando civilização.

Essa visão crítica da Era dos Impérios que continua sendo compartilhada ainda hoje por muitas pessoas. Além do mais, é uma verdade aceita praticamente em todas as escoas e faculdades do mundo ocidental que o imperialismo é a raiz de quase todos os problemas atuais dos conflitos no Oriente Médio à pobreza da África subsaariana – um álibi conveniente para muitos ditadores.

Mas, segundo Ferguson (2012: 179), “está se tornando cada vez mais difícil culpar o colonialismo do passado pelo drama contemporâneo do “bilhão inferior” [sic] – as pessoas que vivem nos países mais pobres do mundo. Houve, e continua havendo, grandes obstáculos ambientais e geográficos ao desenvolvimento econômico da África. Seus governantes mais recentes, com raras exceções, não tiveram melhor desempenho que os colonizadores antes ou depois da independência; na verdade, a maioria se saiu até pior”.

Hoje em dia, uma missão civilizatória ocidental distinta – a missão das agências humanitárias governamentais e não governamentais – alcançou muito menos do que se poderia esperar, apesar da transferência de grandes somas na forma de assistência. A África continua sendo o continente mais pobre, dependente da caridade dos ocidentais ou da extração de matérias-primas.

Os obstáculos ao crescimento continuam sendo imensos, em particular os governos assombrosos que vitimam tantos Estados africanos. O advento da China como um importante investidor na África está fazendo pouco para solucionar esse problema. Os chineses estão trocando investimentos em infraestrutura por acesso à riqueza mineral africana, sem se importar se estão fazendo negócio com ditadores militares, cleptocratas corruptos ou autocratas senis – ou com todos os três…

Logo, conclui Ferguson (2012: 180), “quando as agências governamentais e não governamentais oferecem à implementação de melhorias nos governos africanos, elas se encontram solapadas por um Império Chinês emergente”. É risível o eurocentrismo de Ferguson, sugerindo nas entrelinhas que o controle norte-americano e/ou europeu sobre os Estados africanos seria altruista

Colonialismo X Imperialismo

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