Fator “uau”: Oportunidades Após Explosão da Bolha Imobiliária nos EUA

Imóvel de luxo em NY

Deu no New York Times (apud FSP, 22/03/14): “Caminhando até as janelas que oferecem vista para o Central Park, no coração de Manhattan, Gary Barnett abre os braços para abarcar a vista do apartamento no 87º andar de um arranha-céu.

Percebendo o suspiro do visitante, ele abre um sorriso. “É isso que queremos: ouvir esse uau‘.”

O fator “uau” é parte do apartamento de 570 m² que ocupa todo um piso do One57. Equipado com uma suíte master com banheira de mármore italiano, está à venda por US$ 67 milhões (R$ 160 milhões).

Ou, para expressar de outra maneira, quase US$ 120 mil (R$ 282 mil) por metro quadrado. Por Metro Quadrado!!!

Caro demais? Alguns andares abaixo há um parecido “por apenas US$ 55 milhões“, diz Barnett.

Em termos relativos, o preço do apartamento é praticamente uma pechincha.

Apesar de os preços estarem chegando à estratosfera, Manhattan continua relativamente barata se comparada a outras metrópoles cosmopolitas do planeta.

No ano passado, um apartamento na Tour Odéon, em Mônaco, foi vendido por US$ 97 mil/m². Um comprador pagou pouco menos, US$ 95 mil/m², por um apartamento no Opus Hong Kong.

E, no oeste de Londres, o preço médio dos 86 apartamentos do One Hyde Park está acima dos US$ 105 mil/m², segundo a consultoria imobiliária britânica Knight Frank.

No One57, William Ackman, o rei dos fundos de hedge, é parte de um grupo de investidores que está pagando mais de US$ 90 milhões (US$ 73 mil/m²) pelo duplex de 1.240 m² no 75º e 76º andares do edifício, conhecido como “jardim de inverno”.

No lado leste de Midtown, na Park Avenue 432, uma torre tem preços da ordem de US$ 75 mil/m².

Essa nova safra de edifícios de altíssimo luxo em Nova York — tão altos que tiveram de ser aprovados pela Administração Federal da Aviação — atraiu financistas de Wall Street, executivos de grandes companhias e investidores estrangeiros.

Analistas estimam que a porcentagem de compradores estrangeiros para os imóveis de Manhattan tenha saltado para de 30% a 40% do valor total das vendas, o dobro da média de longo prazo.

Em um novo projeto como o One57, os estrangeiros costumam responder por metade das compras.

Compradores da China adquiriram 15% das unidades do edifício; uma companhia chinesa comprou quatro apartamentos.

Manhattan sempre atraiu bom número de viajantes internacionais que não se incomodam em pagar até US$ 10 milhões por um apartamento no Upper East Side. Mas agora houve uma explosão de preços para os apartamentos de mais alto luxo.

Um dos motivos para isso é simplesmente a oferta escassa para os ricos e famosos. Não existe muito espaço livre em Manhattan que sirva para essa espécie de projeto, cujo planejamento e construção pode facilmente requerer mais de uma década.

Com a crise na Europa e a inquietação política mais intensa em diversos pontos do planeta, bilionários estrangeiros e americanos estão buscando lugares mais seguros para seus ativos. Nova York, dizem os analistas, parece uma aposta bem segura.

“Estamos construindo o equivalente a cofres bancários de depósito no céu, nos quais os compradores podem deixar seus bens mais valiosos sem que seja necessário visitar constantemente o lugar”, disse Jonathan Miller, da Miller Samuel, consultoria de avaliação de imóveis.

“Não estamos dando conta”, diz Elizabeth Sample, consultora imobiliária sênior e corretora associada da Sotheby’s International Realty. “Estamos trabalhando com dez compradores estrangeiros diferentes no momento.”

Segundo ela, é “um influxo de gente de Londres”, acompanhados por “compradores do Brasil e Israel”. “Os chineses estão de volta, bem como os japoneses”, diz. Também há muitos “príncipes e reis” do Oriente Médio, além dos russos.

Os internacionais do mundo moderno, dizem os analistas, estão em busca de um lugar seguro onde estacionar ativos. Querem um investimento com pouca chance de perder valor com o tempo, e que possa até se valorizar.

No Park Avenue 432, um comprador incógnito pagou US$ 95 milhões por um apartamento de 750 m².

Ao preço de mais de US$ 127 mil/m², o apartamento não inclui uma unidade grande de armazenagem no subsolo (o que custaria mais US$ 190 mil) ou uma das adegas de 11 m² disponíveis para os compradores por US$ 320 mil a unidade.

Projetado por Rafael Viñoly, o 432 Park será o mais alto edifício residencial do hemisfério ocidental, quando completado, se erguendo a quase 420 metros por sobre Manhattan. As vendas começaram este ano e 50% das unidades já foram vendidas.

Um terço dos compradores é de estrangeiros, primordialmente do Reino Unido, América do Sul, China, Oriente Médio e Rússia.

Enquanto isso, para “os pobres mortais”, a crise imobiliária que se abateu sobre os EUA no final da década passada criou um novo negócio: a construção de casas novas para vender, e não para alugar.

Construir casas especialmente para alugar passou a fazer sentido porque, embora o valor de casas novas já esteja num patamar que permite aos empreendedores produzi-las, o número de compradores encolheu.

Segundo as estatísticas, a porcentagem do novo negócio ainda é relativamente pequena: foram 6,2% das residências construídas em 2012. É, no entanto, um recorde.

E já atrai grandes empresas do setor, como a US Invest, que tem opções em cerca de 1.000 localidades.

Colony Capital, um hedge fund da Califórnia, também está construindo para alugar. O negócio permite cobrar aluguéis mais altos. Isso porque, para os inquilinos, casas novas são vantajosas pela manutenção barata e a não necessidade de reformas.

Na região da cidade de Atlanta, por exemplo, casas novas com cinco quartos e três banheiros, que antes da crise custavam cerca de US$ 200 mil (R$ 430 mil), agora são oferecidas por US$ 1.300 mensais de aluguel (ou cerca de R$ 3.000).

Smartphones e agendas on-line podem colocar um escritório moderno no ciberespaço, mas o oposto acontece no setor de moda em Nova York. Nos últimos anos, muitas das principais empresas expandiram ou reconfiguraram seus escritórios para ampliar showrooms físicos.

Em alguns casos, as empresas tiveram de se mudar para evitar a escalada dos aluguéis comerciais em bairros tradicionais do setor, como o Garment District e o SoHo.

A PVH, por exemplo, conglomerado mundial que administra marcas como Tommy Hilfiger, Calvin Klein e Izod, renovou seu contrato de locação para do 10º ao 15º andar de um edifício e alugou também o nono andar, com 2.500 m², diz Matthew Astrachan, vice-presidente da imobiliária Jones Lang LaSalle, que intermediou o contrato –o maior do setor da moda no ano passado. O valor chega a US$ 550 (R$ 1.300)/m².

Seguindo a tendência de das startups, empresas de moda como a Valentino estão colocando seu pessoal em espaços menores para fomentar a colaboração, dizem os corretores. Uma sala antes individual de 9 m² agora abriga cinco funcionários.

Nos últimos anos, o estilista italiano Valentino reformou a sede de suas operações americanas, em um edifício de 27 andares, transformando escritórios em showrooms com piso de madeira escura e iluminação por spots.

Os funcionários, por sua vez, se empilham em um labirinto de salinhas estreitas nos fundos do andar.

O funcionário típico de uma companhia de moda hoje requer 20% menos espaço do que há cinco anos, de acordo com Daniel Horowitz, corretor que tem a Valentino como cliente.

E os jovens estão acostumados com os espaços compartilhados tornados populares pelo Starbucks e outros lugares, diz o corretor Jeffrey Peck, parceiro de Horowitz.

A moda respondeu por 6% dos contratos de imóveis comerciais em Nova York no ano passado, com base na área locada, de acordo com a Jones Lang LaSalle. O setor de advocacia ficou com 10%.

Mas as locações para moda cresceram 1,7% em relação à média, enquanto as de advocacia caíram 3,5%.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s