Sociedade Norte-americana: Urbano-Industrial e Financeira

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No fim do século XIX, os Estados Unidos, antes um celeiro da Europa, via exportação de algodão, tabaco, arroz, trigo, milho, etc., superaria a Grã-Bretanha no que diz respeito à produção industrial. Continuava a ser um grande produtor e exportador agropecuário, mas já era também a primeira potência industrial. Nas primeiras décadas do século XX, também superaria os britânicos como exportador de bens industriais. A Inglaterra deixou de ser a fábrica do mundo.

A maior inovação tecnológica na segunda metade do século XIX foi a ferrovia. Não apenas por seus encadeamentos para frente e para trás, mas também por ser geradora de atividades econômicas derivadas e catalizadora da ocupação do território. A expansão ferroviária viabilizou a criação de um imenso mercado interno. Propiciou o surgimento de grandes corporações produtivas, culminando a produção em massa, isto é, com grande economia de escala.

Capital e trabalho migravam do campo para a cidade e de uma região para outra. Em 1860, cerca de 80% da população vivia em áreas rurais, e uns 50% viviam estritamente em fazendas. Em 1920, no entanto, a população urbana já superava a rural. Para comparação, essa predominância urbana, no Brasil, só foi constatada meio século depois pelo Censo Demográfico de 1970. E na China, noventa anos após o ocorrido nos Estados Unidos!

Além do deslocamento espacial, houve mudança no tamanho e na forma de organização dos negócios. As ferrovias propiciavam a criação de um amplo mercado nacional, atendido por grandes corporações que enviavam seus catálogos para o Oeste por meio das linhas férreas e dos correios e despachavam suas mercadorias adquiridas pelos moradores das novas fronteiras via reembolso postal. Levavam para o Oeste gente e produtos, traziam para o Leste carne e alimentos agrícolas.

Em 1860, a maioria das manufaturas, assim como as fazendas e granjas, estava concentrada em pequenas unidades individuais ou familiares, voltadas para o mercado local. Em 1900, 2/3 da produção manufatureira já estavam concentrados em corporações.

Já na virada do século, as corporações não financeiras obtinham cerca de metade de seu capital para investimento ou capital de giro por intermédio de bancos e da Bolsa de Valores. A integração e, logo, a subordinação do capital industrial ao capital financeiro avançou nos Estados Unidos em ritmo mais rápido do que na Europa.

A Era das Fusões pode ser considerada uma terceira Revolução Burguesa nos Estados Unidos. Entre 1897 e 1905, mais de 5.300 firmas industriais foram consolidadas em 318 corporações do tipo da Standard Oil ou da U.S. Steel.

A engenharia strictu sensu viria a tornar-se a engenharia social, pois as linhas de montagem seriam dirigidas por engenheiros, ou seja, os “homens-taylor”. O “sonho americano” mudava da loja, oficina e family farm da velha classe média para a ascensão social da nova classe média que trabalhava nas corporações, depois de treinamento profissional em Ensino Técnico ou Ensino Superior. A sociedade norte-americana passava para uma estratificação baseada na estrutura ocupacional de Blue-collar a Whitecollar, além da clivagem entre os proprietários e os não-proprietários. O “sonho do bom negócio próprio” era substituído pelo “sonho do bom emprego”.

Várias profissões técnicas são “universitarizadas”. As escolas profissionais dentro das Universidades ocupam gradualmente o espaço das escolas independentes. No início do século XX, a preparação de advogados, dentistas, farmacêuticos e veterinários era feita, largamente, em escolas autônomas, que muitas vezes nem sequer exigiam um diploma superior de formação geral tipo college. Na década de 1930, apenas 19% desses profissionais eram formados nesse tipo de escola independente.

Também se amplia o papel do setor público na produção e no consumo de engenheiros. Compreendiam 30% dos estudantes universitários. Eram as escolas públicas que formavam a maior parte (60%) dos engenheiros do país. Do lado do mercado de trabalho, o setor público também era importante, contratando quase ¼ deles.

O casamento entre ciência e indústria, celebrado pela Segunda Revolução Industrial, reorganiza as hierarquias no mundo da manufatura. Produz o enorme peso da eletricidade e da química na economia capitalista. Implica em mudanças múltiplas: o que fazer, como fazer, o que consumir, como usar, como manter ou reparar. Faz surgir novos materiais, desvalorizando ou revalorizando jazidas, terrenos e/ou regiões.

O uso residencial de energia elétrica propicia, futuramente, a proliferação de novas mercadorias sob forma de eletrodomésticos. Soma ao consumo de automóveis. As produções dessas novas mercadorias empregavam trabalhadores mais educados. Os white-collar redesenham as ocupações ordinárias em empresas de todos os setores logo no início do século XX.

A transformação na organização empresarial com redes de filiais e empresas multidivisionais gerou demanda por pessoal de escritório, vendas, gerência, contabilidade, e assim por diante. Difundiam-se cada vez mais as ferramentas mecânicas como máquinas de escrever e calcular para esse pessoal operar. O custo de comunicações também caiu com redes cada vez mais eficientes de telégrafo e telefone. Enfim, o modo de trabalhar e o tipo de trabalhador mudaram com as mudanças no capitalismo norte-americano.

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