História da Humanidade

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Parece ser impossível contar a História da Humanidade em poucas palavras. A desumanidade aparenta ter sido dominante ao longo dos tempos idos. Na ausência de humanidade, predominam a atrocidade, a crueldade, o
ato bárbaro e desumano, enfim, a selvageria. Homem primata, capitalismo selvagem…

A humanidade se refere ao conjunto de características específicas à natureza humana, isto é, ao conjunto dos seres humanos no que estes compartilham sentimentos de bondade e benevolência em relação aos semelhantes, ou de compaixão e piedade em relação aos desfavorecidos. Em outras palavras, é a qualidade de quem realiza plenamente o melhor da natureza humana.

À esquerda, busca-se valorizar o que há de comum (e positivo) entre os seres humanos, o que os conformam em uma irmandade ou comunidade fraterna. À direita, busca-se destacar o que há de diferente (e negativo) entre os seres humanos. Defende o individualismo competitivo contra a cooperação solidária. O egocentrismo contra o altruísmo. Desacredita deste amor desinteressado ao próximo, da filantropia, da abnegação. Desconfia da tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro.

Esse altruísmo, não obstante sua atuação espontânea, deve ser aprimorado pela educação, evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo. Não fosse esse longo esforço, ao longo da Civilização Humana, não teríamos ainda nenhuma capacidade de defesa civil contra as forças cegas da Natureza (acidentes naturais), poucos de nós teriam nascido, e a maioria seria composta de escravos!

Escravidão é a prática social, existente desde a Antiguidade, em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro, designado por escravo, por meio da força. O dono ou comerciante pode comprar, vender, dar ou trocar por uma dívida, sem que o escravo, tratado como mercadoria, possa exercer qualquer objeção pessoal ou legal, ou seja, sem deter nenhum direito. Esta é a “palavrinha-chave” da liberdade: a conquista de Direitos Universais do Homem.

Até então, nenhum acontecimento histórico marcante tinha buscado a superação do regime de escravidão. A data da indicação de Júlio César como ditador perpétuo (44 a.C.) encerrou os 500 anos de existência da República Romana, que precedeu o Império, demarcando a transição da República para o Império Romano, o primeiro Ocidental. Em 395 d.C., o império foi dividido pela última vez. O Império Romano do Ocidente acabou em 476, quando se rendeu ao chefe militar germânico. O Império Romano do Oriente, conhecido como Império Bizantino, chegou ao fim em 1453, cerca de 1000 anos depois, com a invasão da cidade de Constantinopla pelos turcos otomanos.

A autossuficiência, a xenofobia e a introspecção intelectual, característica do neo-confucionismo, pensamento dominante na China, levam ao retrocesso da Civilização Oriental, após sua predominância cultural de 1000 anos. Com sua regressão histórica, permite os 500 anos de predominância da Civilização Ocidental, desde a conquista das Américas, em ano próximo de 1500 (1492).

A servidão feudal foi espécie de escravidão mais branda, pois, ainda que os servos não fossem vendidos, eles e seus descendentes estavam obrigados por toda a vida a entregarem produtos e prestarem serviços a seus senhores. Após essa Era de Trevas (cerca de um milênio), caracterizada no Ocidente pelo feudalismo e o obscurantismo da Igreja inquisitorial, houve o Renascimento aproximadamente, entre fins do século XIV e meados do século XVI, e, depois, no século XVIII, o Iluminismo na Europa.

Foram eras de conflitos armados na Europa. Na Era das Dinastias (1400-1559), as “casas” reais, ou coalizões estendidas baseadas em parentesco, competiram pelo controle de territórios na Europa. A Era das Religiões (1559-1648) foi uma série de guerras internacionais e civis em que coalizões religiosas e dinásticas rivais, aliadas a governantes, lutaram pelo controle de cidades e Estados. Negociações para a pacificação eram tratadas como heresia e traição.

A Era da Soberania (1648-1789) viu a consolidação gradual dos Estados soberanos, ainda ligados a dinastias e religiões, mas dependentes de seus territórios e impérios comerciais. Houve declínio numérico das guerras, inclusive civis, pela diminuição do número de unidades políticas capazes de lutar entre si. Pararam de competir no jogo de poder geopolítico e redirecionaram suas energias para as conquistas do comércio. Esse período relativamente menos violento foi parte da Revolução Humanitária ligada à Era da Razão, ao Iluminismo e ao nascimento do Liberalismo clássico. O abrandamento do fervor religioso permitiu aos líderes firmar tratados políticos em vez de lutar até o último homem.

Na Era do Nacionalismo (1789-1917), Estados-nações competiam pela predominância. Anseios nacionalistas desencadearam Guerras de Independência na Europa e também inspiraram as Guerras de Unificação Nacional. Os povos da Ásia e da África, devido ao racismo eurocêntrico, não eram considerados dignos de auto-expressão nacional. Os Estados-nações europeus acabaram os colonizando. A I Guerra Mundial é a culminância desses anseios nacionalistas.

O mundo entrou na Era da Ideologia (1917-1989), desde o ano que os Estados Unidos entraram na I Guerra Mundial (e a redefiniram como uma luta da democracia contra a autocracia) e a Revolução Russa criou o primeiro Estado autodenominado comunista. A democracia e o comunismo lutaram contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial e um contra o outro durante a Guerra Fria.

Forças político-ideológicas – o humanismo esclarecido, o conservadorismo, o fundamentalismo religioso, o nacionalismo, e as ideologias utópicas – continuam se digladiando. O abolicionismo, movimento político que visou a abolição da escravatura e do tráfico de escravos, que antes existia abertamente, teve suas origens durante o Iluminismo no século XVIII e ainda é uma das formas mais representativas de ativismo político, desde o século XIX até à atualidade. O último país a abolir a escravidão foi a Mauritânia em 1981. Porém, práticas desumanas análogas à escravidão, vinculado ao pagamento de dívidas, casamento de crianças, tráfico de pessoas para prostituição e trabalho forçado, etc., continuam em muitos países, inclusive no Brasil.

Jean-Léon_Gérôme_Escravidão Branca Jean-Léon_Gérôme_Tráfico de Escravas

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