Avaliação do Curso Economia no Cinema pelos Alunos do Primeiro Semestre de 2014

charge DidáticaCompletada uma nova experiência didática com o curso Economia no Cinema 2014, solicitei aos meus alunos, como tópico final dentro do trabalho escrito de avaliação, comentários a respeito. Selecionei abaixo uma pequena amostra desses comentários. Eles me estimulam a pensar em dar continuidade à minha carreira de professor. Consultei-os, oralmente, se eles teriam interesse em um Curso sobre África e Oriente Médio através do Cinema, cujo desafio intelectual de organizá-lo seria para mim muito estimulante. Terei de ler, estudar e aprender para ensinar. Assim como aprendi mais sobre a História da Humanidade com esse curso, quero especular, culturalmente, sobre o Futuro da Humanidade. Para isso, imagino que conhecer a África, a Economa do Petróleo e o Islamismo é importante. A resposta foi positiva!

LUCAS: “Por melhores e mais didáticos que sejam os professores e a bibliografia da matéria, a transmissão dos saber fica limitada quando não são usados todos os instrumentos possíveis de difusão de conhecimento. Esta limitação aumenta na medida em que o público-alvo do ensino utiliza cada vez mais um número diversificado de mídias em seu cotidiano afim de assimilar novas informações.

Os filmes e documentários podem cumprir, de forma muito satisfatória, esta enorme lacuna que existe entre o modo tradicional de transmissão de conhecimento – a saber, a leitura e a oralidade – e as novas formas de difusão do saber, que se utilizam das imagens e de filmes para cumprir o seu papel, aumentando a potencialidade da assimilação por parte dos alunos e o poder de se fazer entender por parte dos professores.

A utilização de obras cinematográficas não deveria ser um meio utilizado somente por este curso, ou de forma eventual pelas outras disciplinas, mas sim ser uma dentre diversas opções que poderiam ser utilizadas pelos docentes na hora de lecionar. Outras formas poderiam ser usadas, como debates eleitorais televisionados, notícias de telejornais, análise de comentários de redes sociais, blogs, propagandas eleitorais, etc. Todavia, a iniciativa que esta disciplina e o professor tomaram já é um grande avanço sobre o monopólio do “falar-ler-escrever” que impera sobre o curso de Economia”.

CLEBER: “Acredito que a maior contribuição do curso para economistas é a consciência de que as conjunturas são muitas vezes afetadas por condicionantes estruturais exógenos a qualquer modelo, o que nos obriga a pensar além de categorias de análise econômica e a nos aproximar das outras Ciências Humanas e do exame do processo histórico, o que a linguagem do cinema nos ajuda a fazer de forma mais completa e realista.

Destaco principalmente a ampliação da abordagem histórica para além da nossa tradicional perspectiva ocidental, quando reiteradas vezes foi enfatizado o papel hegemônico do Oriente na geopolítica ao longo da História conhecida e que, somente agora com a reemergência da Ásia no cenário global – ainda que dentro de um modo de produção que nasceu no seio do mundo ocidental –, passa a ser cogitado como um rumo provável para o futuro.

Avalio o curso como muito proveitoso no sentido de ampliar a visão do economista e remetê-lo ao status de Ciência Social do seu campo de investigação, pelo reconhecimento de que seu objeto de estudo é indissociável das particularidades do processo histórico e das idiossincrasias inerentes a cada abordagem que ele pode assumir.

Como sugestão, indico o filme “O Último Jantar” (The Last Supper, 1995), que aborda o posicionamento entre “direita” e “esquerda” ou “conservador” e “progressista” como extremos de um espectro político com definições nem sempre claras. Apesar de ser um aspecto importante para o economista e bastante presente no meio universitário, muitas vezes os indivíduos são levados a uma irrefletida polarização de opinião.”

Obs. (FNC):

Diálogo final de “O Último Jantar” (1995), filme a respeito de extremismos políticos-culturais e a necessidade de tolerância mútua entre todos os polos ideológicos:

  • “Você exterminaria quem você acha que exterminará outras pessoas?”
  • “O que eu faria é falar com este homem. Tentaria, da melhor maneira possível, mostrar-lhe que está equivocado. Desafiaria suas ideias ao trocar pensamentos. Provocaria uma mudança através de um debate inteligente.”

MAYARA: “Minha avaliação, de modo geral, é bastante positiva. Primeiro, porque tanto o tema histórico-econômico quanto o cinema em si mesmo, ambos me atraem muito. Segundo, porque a proposta do curso é diferente, de um modo inteligente, que acaba conquistando a atenção do aluno por diversas maneiras diferentes do método convencional de exposição do professor aos alunos. Terceiro, porque admirei as escolhas apresentadas pelo professor, que seguiram uma linha de raciocínio lógica, demonstrando clássicos do cinema junto a documentários interessantíssimos!

Apesar de o professor já estar falando em aposentadoria, creio que adicionaria muito ao IE-UNICAMP o oferecimento de mais disciplinas com o perfil do curso Economia no Cinema. Está mais do que claro que o método tradicionalmente utilizado pode ser incrementado com a adição de filmes e mais debates durante as exposições. Vale ressaltar um ponto bastante fraco no Instituto de Economia, em minha opinião, é o fato de que existem pouco espaços para debate durante as exposições, que acabam se constituindo em monólogos monótonos dos professores da casa. (…)

Enfim, gostaria de ter tido a possibilidade de cursar outras matérias que me proporcionassem pensar, analisar e debater como ocorreu com o curso Economia no Cinema. Obrigada, professor Fernando!”

JOÃO PAULO: “A ideia de cursar a matéria Economia no Cinema surgiu, primeiramente, pelo interesse que tenho pelo cinema. Confesso que pensei que seria um curso mais simples, com discussões menos abrangentes, focando apenas em uma discussão crítica sobre cada filme. No entanto, eu me surpreendi com a maneira que a matéria foi ministrada, focando exatamente na construção de uma noção geral da História da Humanidade através de filmes e debates. Por mais que o Instituto de Economia da UNICAMP tenha varias matérias de história e política, meus conhecimentos sobre o tema da maioria dos filmes e documentários era bem reduzido.

Vou alterar a sequência proposta para esta avaliação, avaliando o curso agora na primeira parte, e depois vou dedicar o resto do meu trabalho para falar sobre os temas que mais chamaram minha atenção durante o curso e que com toda a certeza fizeram eu mudar meu jeito de pensar o mundo. Eu sempre achei impossível assistir um filme e conseguir interpretá-lo sozinho de forma completa. Geralmente, após assistir um filme, não discutimos e nem vamos atrás de textos que os expliquem ou que os completem. Durante o semestre tivemos a oportunidade de abordar cada questão com calma e da forma mais completa possível.

Por se tratar de uma matéria eletiva, a grande maioria dos alunos decide cursar a matéria por interesse, o que torna a aula muito mais divertida, no sentido de todos estarem interessados, o que enriquece muito os debates. Durante todo o curso de graduação, nunca temos classes em que muitos alunos se interessam e acompanham a matéria, e o resultado é sempre o mesmo, uma aula na qual apenas o professor discursa. Quando ouvimos apenas uma voz, não conseguimos nos aprofundar no tema, não conseguimos ver outros pontos de vista.

Concordo que o professor tem um conhecimento geral e especifico muito maior que quase todos os alunos, mas sempre acreditei que ele não consegue deixar todo seu conhecimento em sala, não por falta de vontade, mas sim por falta de provocação. Quando os alunos perguntam e colocam sua opinião, o professor é provocado. Durante o curso de Economia no Cinema, achei que o professor foi provocado diversas vezes e por isso foi o que mais falou em sala, mas sempre sem intimidar a participação de todos os alunos.

Em relação a estrutura do curso, o que achei mais interessante foi a quantidade de material disponível sobre cada assunto. O blog é uma ótima ideia para guiar uma matéria, além de colocar os alunos em contato com outros temas cada vez que o acessava. Sei que deve partir do aluno a busca por materiais para estudar qualquer tema, mas matérias eletivas são cursadas geralmente no fim do curso e nessa fase a maioria dos alunos já trabalha, o que limita a disponibilidade de tempo. Então quando existe um direcionamento e um filtro (blog) a tarefa fica muito mais viável e gostosa de ser realizada.”

LUCAS LOURENÇO: “Quando me inscrevi na disciplina Economia no Cinema não tinha a real noção de como tal disciplina poderia expandir minha forma de pensar e ver o mundo em que vivo. De fato, esta foi a maior surpresa do curso. De uma forma criativa e inovadora, fomos levados a questionar e buscar explicações para as configurações da sociedade humana, nos mais diversos planos de pensamento econômico, político e social.

A proposta do curso é pensar a Economia de maneira interdisciplinar, possibilitando a expansão da linha de raciocínio, bem como a capacidade de argumentação dentro dos mais variados temas. Isso fica claro na apresentação inicial feita sobre uma explicação sobre as posições políticas, pautadas em uma interpretação comportamental (biológica e psicológica) dos seres humanos, segundo a qual os que tem um instinto de competição (e reprodução) exacerbado tendem ser “caçadores e/ou predadores”, posicionando-se ideologicamente à direita; e os “pastores e camponeses”, que se comportam mais de acordo com seu instinto de proteção (e sobrevivência), possuem um viés esquerdista. (…)

Acredito que tenha ficado explícito o quanto considerei proveitosa a participação nesse curso. Como já dito, o método de ensino é inovador ao adotar a exposição temática através de filmes, seguidos de discussões e exposições sobre temas relevantes a partir de leitura direcionada [posts-resenhas]. Tudo isso me deu uma nova consciência sobre como ver economia, outros argumentos para futuras conversas e discussões. Dessa forma, minha única sugestão é o oferecimento dessa disciplina nos próximos anos para que novos alunos tenham acesso ao mundo como agora eu tenho”.

NASTASSJA: “O curso de Economia no Cinema proporcionou um método de ensino inovador, em que se aprende de um modo divertido. É bom estar no último ano do curso de graduação e poder viver uma experiência diferente das aulas clássicas em que o professor expõe a matéria na lousa. Este método é mais agregador pelo fato da exposição visual da matéria proporcionar um jeito alternativo de compreendê-la.

As contribuições do professor também foram bastante benéficas pelo fato de acrescentar um viés cultural à matéria. Os filmes e os documentários agregaram muito, pois apresentaram muito bem os argumentos de Jared Diamond (“Armas, Germes e Aço”) e Niall Ferguson (“Civilização: Ocidente X Oriente”). Espero que o curso continue a ser ministrado e com certeza recomendo-o aos meus colegas”.

aula modernaLeia mais:

Economia no Cinema: Experiência com Interdisciplinaridade

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/06/05/era-uma-vez-o-mundo/

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