História da Alemanha

Danse_macabre_by_Michael_Wolgemut

Entre 800 e 70 a.C., as tribos germânicas no norte migraram para território celta, avançando até os rios Oder e Reno e para o que é hoje a Alemanha meridional. Por volta de 58 a.C., os romanos, por meio de uma sucessão de campanhas militares, tornaram o Reno a fronteira nordeste do Império Romano, o que levou à romanização da margem esquerda do rio e a incorporação das sociedades celtas centro-europeias ao Império. A Germânia até o Reno e o Danúbio permaneceram fora do Império Romano.

A partir de 90 d.C., os romanos construíram o Limes, uma linha defensiva de 550 quilômetros do Reno até o Danúbio, planejada para conter as incursões germânicas na fronteira, bem como uma série de fortificações. Em cerca de 260, os germanos finalmente romperam o Limes e a fronteira do Danúbio.

No século IV, o avanço dos hunos Europa adentro deu início a um período chamado de Grandes Migrações, que mudou completamente o mapa do continente europeu. Ao unificar os francos e conquistar a Gália, o rei merovíngio Clóvis tornou-se o fundador do Reino Franco. Em 496, os francos derrotaram os alamanos, aceitaram a fé católica e passaram a ser apoiados pela Igreja. As províncias romanas ao norte dos Alpes já eram cristãs desde o século IV, e centros cristãos foram mantidos mesmo após a queda do Império Romano do Ocidente.

De 772 a 814, o Rei Carlos Magno estendeu o Império Carolíngio até a Itália setentrional e os territórios de todos os povos germânicos, inclusive os saxões e os bávaros. Em 800, a sua autoridade na Europa Ocidental foi confirmada com a sua sagração como imperador, em Roma, estabelecendo-se, assim, o que viria a chamar-se Sacro Império Romano-Germânico. O reino franco foi dividido em condados e suas fronteiras eram protegidas por marcas.

No início do século XVI, era crescente o descontentamento na Alemanha com os abusos na Igreja Católica e havia um desejo de reforma. A Reforma Religiosa (ou Protestante) começou em 1517, quando Martinho Lutero pregou as suas “95 Teses” no portão da igreja do castelo em Wittenberg.

Em 1521, Martinho Lutero foi declarado fora-da-lei pela Dieta de Worms. Mas a Reforma propagou-se rapidamente, com o incentivo das guerras do Imperador Carlos V contra a França e os turcos. Escondido no Castelo de Wartburg, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, lançando as bases da moderna língua alemã.

Em 1524, estalou a Guerra dos Camponeses contra os príncipes e senhores governantes, segundo a pregação de certos sacerdotes reformistas. Mas as revoltas, apoiadas por nobres com experiência militar foram reprimidas pelos príncipes territoriais.

A Contrarreforma teve início em 1545 na Alemanha. O impulso principal foi dado pelos Jesuítas, ordem fundada pelo espanhol Ignácio de Loyola. O centro e o nordeste da Alemanha tornaram-se protestantes, enquanto que o oeste e o sul permaneceram predominantemente católicos.

O período de 1618 a 1648 foi marcado na Alemanha pela Guerra dos Trinta Anos. As causas foram:

  1. os confrontos entre católicos e protestantes,
  2. os esforços dos diversos Estados dentro do Império no sentido de concentrar poder e
  3. a tentativa, da parte do Imperador, de concretizar uma união política e religiosa.

A partir de 1640, Brandemburgo-Prússia começara a destacar-se, sob o governo do Grande Eleitor, Frederico Guilherme. A Paz de Vestfália fortaleceu ainda mais a Prússia. Um sistema absolutista de governo foi adotado.

Entrementes, Luís XIV de França conquistara partes da Alsácia e Lorena (1678-1681), e invadira e devastara o Palatinado (1688-1697). Em 1683, os otomanos sofreram uma derrota fora dos muros de Viena, nas mãos de tropas polonesas. A cidade era defendida por forças alemãs e austríacas sob comando de Carlos IV, duque de Lorena. A Hungria foi reconquistada e receberia, mais tarde, colonos alemães. A Áustria, governada pelos Habsburgos, tornou-se uma grande potência.

No período de 1713 a 1740, o Rei Frederico Guilherme I, também conhecido como o “Soldado Rei”, estabeleceu um Estado altamente centralizado na Prússia.

A partir de 1763, tanto a Prússia quanto a Áustria adotaram “o despotismo esclarecido”: a economia desenvolveu-se, providenciaram-se reformas legais, inclusive a abolição da tortura e a melhoria do status dos judeus, teve início a emancipação dos servos e promoveu-se a educação.

No período 1772-1795, a Prússia participou da partilha da Polônia, ocupando territórios a oeste da Grande Polônia, o que começou uma resistência polonesa de séculos contra a presença alemã.

A Revolução Francesa provocou uma nova guerra entre a França e vários países a leste, inclusive a Prússia e a Áustria. Em seguida à Paz de Basileia com a Prússia, em 1795, a França recebeu a margem esquerda do Reno.

Em 1800, a Alemanha era um império decrépito, formado por centenas de insignificantes principados, cidades livres e estado eclesiástico e aristocráticos. Napoleão I da França recomeçou a guerra com o Sacro Império. Em 1803, ele aboliu quase todos os territórios eclesiásticos, estados pequenos e cidades livres imperiais. Estabeleceram-se novos estados de tamanho médio no sudoeste da Alemanha, configurando uma significativa transformação de sua geografia política. A Prússia ganhou, por sua vez, território no noroeste.

O Sacro Império Romano-Germânico foi dissolvido formalmente em 6 de agosto de 1806, com a renúncia do último Sacro Imperador. A Confederação do Reno foi criada, sob a proteção de Napoleão. No período de 1808 a 1812, a Prússia foi reconstruída e uma série de reformas regulou a administração municipal, a liberação dos camponeses e a emancipação dos judeus. A reforma do exército foi empreendida por generais prussianos.

Em 1813, tiveram início as guerras de liberação, em seguida à destruição do exército napoleônico na Rússia (1812). Após a Batalha das Nações em Leipzig, rompeu-se o controle francês sobre a Alemanha. A Confederação do Reno foi dissolvida. Em 1815, Napoleão foi definitivamente derrotado em Waterloo por forças do Reino Unido, auxiliadas pelo exército prussiano.

As reformas na Prússia, projetadas para fortalecer o Estado para poder libertar as províncias sob ocupação francesas, resultaram na formação de uma nova Alemanha em 1871. O liberalismo progressista das primeiras décadas do século XIX foi gradualmente transformado em um nacionalismo autoritário.

Uma noção um tanto vaga de uma identidade nacional alemã tinha sido articulada pela primeira vez no século XVIII. Ela se baseava nas peculiaridades culturais e linguísticas do mundo de língua alemã. Era abstrata, humanista, cosmopolita, filosoficamente refinada e apolítica. O intenso ódio aos franceses, causado pelas guerras revolucionárias e napoleônicas, ao lado do comportamento inaceitável das tropas de ocupação francesas, azedou esse nacionalismo incipiente. O cosmopolitismo se transformou em um sentimento arrogante de superioridade cultural. O apolitismo se tornou uma obsessão reacionária com um passado alemão visto pelo “mito fundador”. O refinamento foi destilado em uma obscuridade impenetrável, porém contaminante na elite.

Após a queda de Napoleão, os monarcas e estadistas europeus reuniram-se no Congresso de Viena, em 1814, com vistas a reorganizar a Europa, sob a liderança do príncipe austríaco Metternich. Dentre os princípios políticos pactuados, impuseram-se a restauração, a legitimidade e a solidariedade dos governantes em prol da repressão a ideias revolucionárias e nacionalistas. No território do antigo Sacro Império Romano, formou-se a Liga Alemã, uma união fraca de 39 estados (35 príncipes reinantes e 4 cidades livres), sob a liderança da Áustria.

O crescente descontentamento com a ordem política e social imposta pelo Congresso de Viena levou à eclosão, em 1848, da Revolução de Março nos estados alemães que, em 1834, tinham estabelecido uma união aduaneira entre a Prússia, com a exclusão da Áustria. Em maio, foi criada a Assembleia Nacional Alemã – ou Parlamento de Frankfurt –, com o objetivo de preparar uma constituição nacional alemã.

A união aduaneira criou um mercado que logo iria desafiar a supremacia britânica. O capital se deslocou para o norte enquanto a Áustria declinava.

Tudo o que faltava era alguma forma de unificação para que a Alemanha fosse a nação mais poderosa do continente. Mas que forma iria tomar essa unificação? Seria era uma Grande Alemanha que incluiria a Áustria ou uma Pequena Alemanha sob o domínio prussiano?

As questões-chave eram:

  1. Quem era alemão?
  2. Onde estava a Alemanha?

De início, concordou-se que os alemães eram pessoas que falavam alemão e a Alemanha estava “onde quer que o alemão fosse falado”.

  • E os suíços falantes de alemão?
  • E os alsacianos que falavam alemão mas tinham a cidadania francesa?
  • E os milhares de prussianos que falavam polonês?
  • E os tchecos nas províncias austríacas da Boêmia e da Morávia?
  • Os judeus deveriam ser tratados como cidadãos iguais ou o povo alemão precisaria ser protegido contra “esses estrangeiros ameaçadores”?

Os delegados do parlamento prussiano não chegaram a um consenso…

A Revolução de 1848 terminou por fracassar: o Rei Frederico Guilherme IV da Prússia recusou a coroa imperial, o Parlamento de Frankfurt foi dissolvido, os príncipes reinantes reprimiram os levantes pela força e a Liga Alemã foi restabelecida em 1850.

Em 1862, o Príncipe Bismarck foi indicado como primeiro-ministro da Prússia — apesar da objeção dos liberais e dos socialistas, que o consideravam um reacionário. As políticas domésticas de Bismarck, na qualidade de Chanceler da Alemanha, caracterizaram-se por sua luta contra os supostos inimigos do estado protestante da Prússia. A outra suposta ameaça era a ascensão do Partido dos Trabalhadores Socialistas – mais tarde, Partido Socialdemocrata da Alemanha –, cujo propósito declarado era estabelecer uma nova ordem socialista através da transformação das estruturas políticas e sociais existentes. A partir de 1878, Bismarck procurou reprimir o movimento socialdemocrata, proibindo sua organização, assembleias e a maioria de seus periódicos. Por outro lado, ao instituir um Sistema de Previdência Social, esperava ele ganhar o apoio das classes trabalhadoras do Império.

A controvérsia entre a França e a Prússia acerca da sucessão do trono espanhol por um candidato alemão provocou a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Em seguida à declaração de guerra francesa, tropas prussianas e sul-alemãs invadiram a França em 1870. O exército francês terminou por capitular. O Imperador Napoleão III foi feito prisioneiro e o Segundo Império francês desmoronou. Após a rendição de Paris, foi celebrada a Paz de Frankfurt: a França obrigava-se a ceder à Alemanha a Alsácia e a parte germanófona da Lorena, que eram territórios ricos em ferro e carvão, pagar indenizações. Ela teve seu contingente de soldados limitado a cem mil soldados, além de não poder manter fortificações em um raio de 100 km com a fronteira Alemã. As concessões territoriais feriram o orgulho nacional francês, profundamente, e formariam um obstáculo à concórdia franco-alemã. Além disso, o Kaiser Guilherme I da Prússia foi coroado no Palácio de Versalhes, outra humilhação simbólica para a França.

A prioridade de Bismarck era proteger o poder alemão em expansão, por meio de um sistema de alianças, e procurar conter crises internacionais até que a Alemanha estivesse preparada para provocá-las. Nesse sentido, era de particular importância conter e isolar a França, pois Bismarck temia que esta formasse uma aliança com a Rússia e se vingasse de sua perda da Alsácia e da Lorena.

Birmarck custou a acatar as aspirações do Imperador Guilherme I no sentido de tornar a Alemanha uma potência mundial através da aquisição de colônias alemãs. Birmarck desejava de todas as maneiras evitar tensões com as potências europeias que ameaçassem a segurança da Alemanha. Mas quando, entre 1880 e 1885, o quadro internacional se mostrou auspicioso, Birmarck acedeu, estabelecendo-se então algumas colônias ultramarinas alemãs: na África (Togo, Camarões, Sudoeste Africano Alemão e África Oriental Alemã) e na Oceania (Nova Guiné Alemã, o Arquipélago de Bismarck e as Ilhas Marshall).

O Kaiser Guilherme I morreu em 1888, sucedendo-o seu filho, Frederico III, o qual reinou por apenas 99 dias, até a sua morte. Subiu ao trono, então, o jovem e ambicioso Guilherme II, filho de Frederico. Bismarck renunciou em 1890, devido a divergências políticas e pessoais com o novo Kaiser, que desejava ser “o seu próprio chanceler”. A Era Guilhermina vai até a I Guerra Mundial (1890-1914).

Com uma lista tão abrangente de adversários – socialdemocratas, católicos, franceses, poloneses, alsacianos, dinamarqueses e, sempre que era politicamente conveniente, judeus –, uma maioria de cidadãos era considerada estrangeira, ao passo que somente conservadores protestantes eram julgados verdadeiros alemães. O sistema começou a se desintegrar quando poderosas forças liberais e democráticas enfrentaram um conservadorismo obstinadamente resistente à mudança, apoiado pelo populismo antissemita racista.

No entanto, quando a I Grande Guerra Mundial começou, em 1914, essas tensões sociais e políticas foram temporariamente superadas em uma extraordinária exibição de unidade nacional. Mas, à medida que a guerra foi se arrastando, a nação se desintegrou.

A política de poder imperialista e a defesa determinada dos interesses nacionais terminaram por levar à eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, tendo como causa imediata o assassinato do herdeiro do trono austríaco, Francisco Fernando, e sua mulher, em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, nas mãos de um nacionalista sérvio.

Outras causas para a guerra, indicadas por historiadores, são:

  1. as políticas opostas levadas a cabo pelas potências europeias,
  2. a corrida armamentista,
  3. a rivalidade germano-britânica,
  4. as dificuldades do Estado multinacional austro-húngaro,
  5. a política russa para os Bálcãs, e
  6. as apressadas mobilizações e ultimatos baseados na premissa de que o conflito seria de curta duração.

A Alemanha lutou ao lado da Áustria-Hungria e do Império Otomano contra Rússia, França, Reino Unido, Itália e vários outros Estados menores. Houve combates também no Oriente Próximo e nas colônias alemãs.

Nos termos do Tratado de Versalhes, assinado em 28 de junho de 1919, a Alemanha deveria ceder a Alsácia-Lorena e outras regiões. A Polônia foi restaurada e, após plebiscitos e levantes independentistas, foram-lhe entregues Posen, a Prússia Ocidental e a Alta Silésia. Todas as colônias seriam entregues aos Aliados. As margens direita e esquerda do Reno seriam permanentemente desmilitarizadas. O Sarre, centro industrial importante, seria governado pela Liga das Nações por 15 anos, seus campos de carvão administrados pela França.

Para assegurar o cumprimento do Tratado, tropas aliadas ocupariam a margem esquerda (alemã) do Reno por um período entre 5 e 15 anos. O exército alemão ficaria limitado a 100 mil oficiais e soldados; o estado-maior seria dissolvido; grandes quantidades de material bélico seriam entregues e a fabricação de munições, rigidamente controlada. A Marinha sofreria redução semelhante; ficava proibida a utilização de aeronaves militares. A Alemanha e seus aliados deveriam aceitar a exclusiva responsabilidade pela guerra e pagar compensações financeiras pelas perdas e danos sofridas pelos Aliados.

Os humilhantes termos da paz provocaram indignação entre os alemães e enfraqueceram drasticamente o novo regime democrático. Em 11 de agosto de 1919, entrou em vigor a Constituição de Weimar, sendo Friedrich Ebert o primeiro Presidente da República.

Os dois maiores inimigos do novo regime democrático eram o Partido Comunista Alemão (KPD) e o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP – nazista), que se utilizariam das liberdades democráticas para lutar contra a República de Weimar. Nos primeiros meses de 1920, fracassou uma tentativa de golpe de Estado feita pelo extrema-direita em Berlim. Greves e rebeliões em outras cidades foram violentamente reprimidas.

Quando a Alemanha deixou de pagar a indenização de guerra, janeiro de 1923, tropas francesas e belgas ocuparam o distrito do Ruhr, altamente industrializado. A resistência passiva subsequente foi bem-sucedida mas levou à hiperinflaçãoos que perderam as suas fortunas tornar-se-iam inimigos da República de Weimar e eleitores da direita antidemocrática.

Na noite de 8 de novembro de 1923, seiscentos integrantes armados das SA cercaram uma cervejaria em Munique, onde os dirigentes do estado da Baviera e os comandantes locais do exército alemão se encontravam para uma reunião pública. As tropas de assalto eram chefiadas por Adolf Hitler.

Nascido em 1889, na Áustria, ex-voluntário no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial, na época membro do NSDAP, Hitler era até então desconhecido. Procurou forçar os presentes a se juntarem a ele em uma marcha contra Berlim para tomar o poder – o chamado Putsch da Cervejaria. Foi posteriormente preso e condenado a cinco anos de detenção, mas terminou por ser solto com apenas um ano de prisão, no fim de 1924. As eleições nacionais de 1924 foram ganhas pela direita com um Marechal-de-Campo monarquista sendo eleito Presidente.

O crash de Wall Street, em 1929, e a consequente Grande Depressão foram sentidos na Alemanha, cuja economia ficou muito abalada. No início de 1932, o desemprego no país já atingia mais de seis milhões de pessoas. Ocorreu também uma crise política, devido à incapacidade de os partidos políticos da base governista, representados no Reichstag, constituírem uma maioria para aprovar um pacote de medidas de austeridade contra a vontade de uma maioria de parlamentares sociais-democratas, comunistas e do NSDAP nazista.

O NSDAP nazista saiu vitorioso nas eleições de julho de 1932, com 38% dos votos, recebendo o apoio da pequena burguesia, da juventude desempregada e da população rural, o que lhe deu a maior bancada no Reichstag. O KPD comunista, por sua vez, passou a ser o terceiro maior partido no Parlamento, com 15%. Em 30 de janeiro de 1933, pressionado pelo ex-Chanceler Franz von Papen e outros conservadores, o Presidente Hindenburg nomeou Hitler para o cargo de chanceler.

A resistência à ameaça nazista foi enfraquecida pela incapacidade das forças democráticas de resolver suas acentuadas diferenças com o objetivo de chegar a um denominador comum exequível diante de um perigo maior, bem como pela insensatez dos conservadores que imaginavam que poderiam usar Hitler para servir aos seus próprios propósitos. Assim que foi designado chanceler, Hitler rapidamente instituiu uma ditadura de partido único, e os seus adversários foram intimidados e obrigados a se submeter.

O chanceler Adolf Hitler acusou os comunistas pelo incêndio criminoso do prédio do Reichstag, ocorrido na noite de 27 de fevereiro de 1933, e logrou convencer o Presidente Hindenburg a assinar o “decreto do incêndio do Reichstag”, que suspendia importantes direitos políticos e humanos e permaneceu em vigor até 1945. Foram detidos e enviados para campos de concentração 11 mil comunistas e socialistas, que ficaram à disposição da nova polícia secreta, a Gestapo.

Os nazistas forneceram uma resposta radical e horrenda para a eterna pergunta: “quem é alemão?”. Os velhos inimigos de Bismarck – os socialdemocratas, os cristãos politizados, os liberais com tendências esquerdistas – foram enviados para o exílio ou aprisionados em campos de concentração. A elite polonesa foi sistematicamente assassinada. Com base no mito da “raça pura”, a sociedade alemã foi purgada de todos os elementos considerados perigosos e debilitantes, como os deficientes físicos e mentais, os criminosos habituais, os homossexuais, os ciganos e os judeus. Eles eram segregados, esterilizados ou assassinados.

Os criminosos de guerra deixaram um mundo em ruínas, com dezenas de milhões de mortos, entre eles, seis milhões de judeus. Em 1945, a Alemanha era uma pilha de escombros com uma população faminta, dividida em quatro zonas de ocupação. Em consequência das imposições da Guerra Fria, o país restou dividido em um estado democrático e capitalista no ocidente e uma economia estalinista planejada no oriente.

Esta ficou praticamente falida na década de 1980. Abandonada pela liderança soviética, o regime burocrático estalinista desmoronou e, em consequência da primeira eleição livre depois de 57 anos, o país optou por se unir à República Federal. No dia 3 de outubro de 1990, a Alemanha foi novamente reunida, mas os efeitos psicológicos de quase sessenta anos de ditadura, vigilância, censura e repressão permanecem. Os contribuintes da Alemanha Ocidental encaram os orientais como párias, grosseiros e mal-agradecidos. Os orientais, por sua vez, se ressentem dessa arrogância e sentem que são colonizados por um grupo egoísta de materialistas gananciosos. O processo de unificação ainda permanece longe de estar completo.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Alemanha e (clique no lado direito da capa):

KolonialbesitzDeutsches_Reich2

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