Retórica das Contrainformações

O poder das palavras

Quando se faz um rol das demandas de todos os movimentos sociais, verifica-se a extensão das demandas sociais sem a análise da viabilidade política e econômica do atendimento.

Esse é um problema da Economia Normativa: prega “o que deveria ser” sem um diagnóstico preciso de Economia Positiva (“o que é”).

Funciona como um “teste de mentiras“: qualquer candidato que prometer atender toda essa pauta estará mentindo!

Observe o risco político ao “bater à esquerda” no governo sem medir a consequência de que a oposição “bate à direita” fortemente.

O resultado prático dessa receita — “bater a clara do ovo bastante para o bolo crescer” — é estimular os eleitores a buscar alternância de Poder, o que no caso brasileiro significa a direita retomá-lo, ou seja, retrocesso político, social e econômico!

Essa polarização tipo “cabo-de-guerra”, sintomaticamente, colocando em pauta inclusive todas “as reformas de base” de 1/2 século atrás, antes do golpe de 1964, não levará a outro golpe militar, mas, em regime democrático, a outro governo conservador.

Nesta conjuntura pré-eleitoral, a retórica das contrainformações recorre a:

MicrofoneApelo ao medo: recorrer a sentimentos ou preconceitos instalados na psicologia dos eleitores-cidadãos sem razões nem provas objetivas.

Argumento de autoridade: citar personalidades importantes para sustentar uma ideia, um argumento ou uma linha de conduta, e negligenciar outras opiniões sensatas de pessoas próximas e/ou comuns.

Testemunho da experiência vivenciada: mencionar casos particulares (fora de contexto) em vez de situações gerais para sustentar uma opção política.

Efeito acumulativo: persuadir os leitores para adotarem uma ideia insinuando que um movimento de massas irresistível e implacável está já comprometido no seu apoio, embora isso seja sem comprovação ou falso.

Revisionismo: falsificar a história, reapresentando-a de forma parcial, para criar uma ilusão de coerência.

Pôr palavras na boca de alguém: apresentar uma ação imperativa, para que seja adotada por um movimento social, sem a estudar profundamente.

Acusação: acusar a ingenuidade de quem está adotando a mesma opinião que indivíduos reprováveis, predispondo o leitor ou o ouvinte a mudar a opinião, mesmo que ela seja sensata.

Uso de generalidade: abusar de expressão virtuosa, tal como “justiça social”, permite escapar do espírito crítico do leitor, pois, por associação, os programas propagandeados serão percebidos como desejáveis e virtuosos acriticamente.

Imprecisão intencional: referir a fatos, deformando-os, ou citar estatísticas sem indicar as fontes ou todos os dados com a intenção é dar ao discurso um conteúdo de aparência científica, mas sem permitir ao leitor analisar a sua validade ou a sua aplicabilidade.

Transferência: projetar qualidades positivas (ou negativas) de uma pessoa, um grupo, uma organização, etc., como argumento sobre algo que lhe propõe fazer (“missões”) mediante cargas emotivas.

Simplificação exagerada: usar generalidades simples para contextualizar problemas sociais, políticos e econômicos complexos.

Mimetismo: empregar o nível de linguagem, as maneiras e a aparência de uma pessoa comum, imaginando que, pelo mecanismo psicológico de projeção, o leitor (ou o auditório) encontra-se mais inclinado a aceitar as ideias que se apresentam deste modo popular, já que quem as apresenta parece-lhe semelhante.

Estereotipagem ou etiquetagem: utilizar os preconceitos e os estereótipos do auditório para conseguir a adesão a algo, por exemplo, o uso de qualificativos como “petralha” ou “tucanalha”.

Bode expiatório: demonizar um indivíduo ou um grupo de indivíduos, por exemplo, “banqueiros”, “rentistas”, “capital financeiro”, acusado de ser responsável por um problema real ou suposto, evitando falar das causas sistêmicas impessoais e aprofundar a análise do problema.

Uso de chavões: deixar uma lembrança em todos os espíritos, de forma positiva ou de forma irônica, usando slogans curtos, fáceis de memorizar, ou metáforas simplistas, tipo “xingamentos de torcida”.

Eufemismo ou deslize semântico: substituir uma expressão direta por outra indireta, retirando-lhe todo o conteúdo emocional, e esvaziando-a do seu sentido original, p.ex.: “interrupção voluntária da gravidez” em vez de “aborto induzido”, “solução habitacional” em vez de “construção de moradias”, “liberalismo” em vez de “capitalismo” (é conhecido no Brasil como “jargão tucanês”).

Adulação: usar qualificativos agradáveis referindo-se ao leitor (ou ao ouvinte) com a intenção de convencê-lo, tipo “já que você é muito inteligente, certamente, deve estar de acordo com o que eu lhe digo”!

Leia maisRetórica da Intransigência

Fonte: a partir de Wikipedia

retórica entre a razão e a emoção

4 thoughts on “Retórica das Contrainformações

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s