Sorte do Acaso

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“A vida não é justa”, reclamam muitas pessoas – apesar de que, normalmente, só quando a injustiça é desvantajosa para elas.

Uma olhada breve sobre a vida passada e o mundo presente, rapidamente, revela grandes disparidades em todos os tipos de “bens”: saúde, riqueza, poder, status, etc.

E há, na realidade, muitos casos em que indivíduos podem reclamar legitimamente de injustiça.

Mas há, segundo Andrew Pessin, em Filosofia em 60 segundos, menos injustiça no geral do que você poderia pensar.

Porque muitas disparidades podem ser traçadas até uma mais fundamental que é a disparidade do nascimento:

  • algumas pessoas nascem com maior inteligência do que outras;
  • algumas nascem mais saudáveis;
  • algumas nascem em países desenvolvidos,
  • algumas nascem em famílias financeiramente estáveis,
  • algumas nascem em comunidades prósperas,
  • ao passo que outras, não.

Você, por exemplo, nasceu inteligente, bonito e em família com dinheiro, e eu só consigo tomar banho duas vezes por mês, com meus cinco irmãos, quando há dinheiro para pagar a conta de água. Que injusto!

É mesmo?

Imagine que você está em uma situação desesperada:

  • onze pessoas em um bote salva-vidas que só suporta dez;
  • um de vocês deve ser sacrificado para que o resto possa sobreviver;
  • todo mundo quer sobreviver;
  • todo mundo merece sobreviver.

Escolha de Sofia: como você escolheria, da maneira mais justa possível, a pessoa a ser “sacrificada?

  • se a questão não é de mérito, provavelmente você montaria algum tipo de loteria aleatória.
  • por exemplo, escolhendo quem tirar o graveto menor.
  • se o seu for o menor, seria realmente terrível, um desastre pessoal e uma catástrofe irremediável, mas não seria injusto, porque algo aleatório, por definição, não pode ser injusto.

O aleatório não tem inclinação nem preconceito: todo mundo possui uma oportunidade igual ou encara uma ameaça igual diante de um genuíno processo aleatório.

A aleatória loteria do nascimento, que gera tanta disparidade, realmente pode ser terrível, um desastre, uma catástrofe pessoal.

Para fazer que o mundo seja melhor, temos muitas razões para lutar contra isso e tentar corrigi-lo.

Mas não, necessariamente, porque seja injusto!

Outro mundo é possível?

São de esquerda as pessoas que defendem a eliminação das desigualdades sociais a posteriori.

A direita insiste na convicção de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, não são elimináveis a priori.

De que desigualdades essas ideologias estão falando?

A igualdade de oportunidades, isto é, ninguém deveria ser discriminado por nascença?

A igualdade de resultados, ou seja, a sociedade deveria adotar políticas públicas para compensar a desigualdade esperada, devido às distintas capacidades individuais, desde a nascença?

O problema está no ponto-de-partida ou na linha-de-chegada?

Ou em “ambos os dois” (sic)?

Em linguagem de chulo, “o buraco é mais embaixo”!

1 thought on “Sorte do Acaso

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