Ideias Inatas: O Que A Experiência Não Pode Ensinar

tirinhas nietzsche

De acordo com Andrew Pessin, em Filosofia em 60 Segundos, muito do que aprendemos sobre o mundo se dá por meio da experiência sensorial.

Isso pode tentá-lo a pensar que no nascimento nossa mente está como uma lousa em branco: vazia de conteúdo, esperando para ser preenchida pelas experiências.

Mas enquanto nosso corpo está realmente nu ao nascermos, nossa mente não está: chegamos a este mundo com um saudável estoque de ideias inatas.

A prova é o fato de que quando adultos somos possuídos por ideias de que a experiência sensorial em si simplesmente não poderia nos fornecer.

conceitos morais, por exemplo, como “certo” e “errado”.

Como mostra Pessin, nossos sentidos não estão simplesmente equipados para detectar esse tipo de coisa: nossos olhos só veem luz e cor, não “certo” e “errado”.

conceitos matemáticos. Não estamos falando dos avançados; até mesmo os acessíveis, como os números, devem ser inatos.

Isto porque, apesar de podermos ver três laranjas ou três árvores, nunca literalmente vemos o número três propriamente dito.

Na verdade, como Pessin nota, os números parecem ser conceitos em nossa mente que aplicamos ao que vemos, não conceitos que tiramos do que vemos.

Da mesma maneira, temos o conceito de “ego”, de nós mesmos, mas nossos sentidos não conseguem nos mostrar nada assim.

Certamente não percebemos isso com nossos olhos, ouvidos ou nariz.

No melhor dos casos, “refletimos” e “olhamos para dentro” a fim de descobri-lo.

Mas mesmo essa reflexão não resolve: todos nós estamos conscientes, na verdade, de um fluxo de pensamentos, percepções, memórias em incessante transformação, e por aí vai.

Nunca estamos conscientes da pessoa ou do ego que tem estes pensamentos e percepções; ou seja, quem na verdade está refletindo sobre eles.

E, finalmente, há a ideia de Deus.

Você pode não acreditar na existência de Deus, mas ainda possui o conceito, quer dizer, o conceito de um ser infinito.

Mas o conceito de infinidade, certamente, não vem da experiência sensorial, porque tudo que experimentamos é finito.

A experiência, então, pode nos dar muitas coisas.

Mas não nos dá o que já temos dentro de nós – incluindo o infinito.

Platão, na área de Epistemologia, isto é, da reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo, formulou uma Teoria do Conhecimento com base na abordagem do racionalismo.

Segundo ele, “o verdadeiro conhecimento é alcançado pela razão em vez dos sentidos”.

Sabemos da veracidade de afirmações matemáticas, ainda que não exista visível em nenhum lugar no mundo natural.

Apesar disso, conseguimos apreender os conceitos em nossas mentes, usando a razão.

Platão especulou, então, se tais formas perfeitas poderiam existir em algum lugar.

O raciocínio levou-o a uma única conclusão: deve haver um mundo de ideias, ou formas, totalmente separado do mundo material.

Lá, a ideia de formas ideais ou perfeitas existiria.

Os sentidos humanos não conseguem perceber tal lugar; ele só nos é perceptível pela razão.

Platão foi mais além ao afirmar que:

  1. o reino de ideias é, de fato, “a realidade”, e
  2. o mundo que nos cerca é moldado por essa outra realidade.

Deu origem ao idealismo na Filosofia Ocidental.

Leia maishttps://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/10/28/pensamento-platonico/

Origem_do_conhecimento

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