Dicas do Trio Música-Literatura-Filme

Prezados seguidores,

acho fantástico estarmos vivendo a revolução tecnológica que permite acesso farto e barato aos três maiores prazeres individuais, que “salvam a vida”, além de carpem-die. Lembremos que “amor salva o dia, música salva a vida”!

O problema deixa de ser dificuldade de acesso e passa a ser o de conseguir dicas ou informações para desfrutar da riqueza cultural disponível. Por exemplo, achei no Spotify a fantástica cantora de músicas iidiche (língua germânica das comunidades judaicas da Europa central e oriental, baseada no alto-alemão do século XIV, com acréscimo de elementos hebraicos e eslavos; ídiche, judeo-alemão) — Chava Alberstein –, que canta na abertura do filme Free Zone (veja acima). Outra pérola que descobri é o grupo The Tiger Lillies que canta Circus Songs (leia ficha abaixo). Uma novidade, que vem da Bielorrússia, é Серебряная Свадьба. O mundo cultural é diverso!

Músicas no Spotify (US$ 6), filmes / documentários / séries de TV no Netflix (R$ 16,90) e livros e-pub (“de grátis”! Veja em Favoritos na aba acima).

Minha sugestão é trocar sua assinatura de jornal impresso (R$ 89,90), cujos colunistas antipetistas só “enchem-o-saco”, por digital (R$ 29,90) e utilizar essa economia de R$ 60 para pagar esses serviços de streaming (~R$ 30).

Consultoria de economista, novamente, “de grátis” 🙂 :

Ingresso em Cinema, p.ex., Patio Higienopolis – São Paulo

Inteira
2ª e 3ª: R$ 21,00 (matinê) – R$ 23,00 (noite)
4ª: R$ 20,00 o dia todo
5ª: R$ 23,00 (matinê) – R$ 26,00 (noite)
6ª,Sab.,Dom. e Feriados: R$ 23,00 (matinê) – R$ 26,00 (noite)

Cinemark 3D
2ª e 3ª: R$ 29,00 o dia todo
4ª: R$ 29,00 o dia todo
5ª: R$ 31,00 o dia todo
6ª,Sab.,Dom. e Feriados: R$ 31,00 o dia todo

Suponhamos que você vá com sua “cara-metade” uma vez por semana no fim-de-semana: 52 X R$ 26 X 2 = R$ 1.352 X 2 = R$ 2.704

O JK Iguatemi oferece a serviço de manobrista. PREÇO: Até uma hora: R$18,00. Horas adicionais: R$ 10,00 cada.52 X R$ 28 = R$ 1.456

Soma R$ 4.160, isto dispensando o valet (e cortando outros gastos extras), mas substituindo-o por estacionamento simples ou outro meio de transporte (taxi).

Preço de uma TV no Walmart: Smart TV LED 3D Samsung UN46FH6203GXZD 46″ Full HD HDMI Função Futebol

De: R$ 2.299,00 Por R$ 1.998,00 10 x de R$ 199,80 sem juros

Para assistir Netflix, ler ebooks e ouvir Spotify, quando e onde quiser, iPad mini com tela de retina wi-fi com 16 GB, pois acessará tudo via “nuvem” e/ou streaming: R$ 1.350

Vale investir também em um Apple TV: R$ 399

O AirPlay reproduz remotamente o que estiver no seu dispositivo (iPhone ou iPad mini) com iOS na sua TV HD e caixas de som, via Apple TV. Também espelha exatamente o que estiver na tela do seu dispositivo móvel na tela da TV. O AirPlay e a Apple TV reproduzem tudo na sua TV. Conecte o seu dispositivo e a Apple TV na mesma rede Wi-Fi para que o ícone do AirPlay apareça automaticamente. Depois é só dar um toque no AirPlay em um determinado app, como no Spotify ou qualquer outro app compatível com AirPlay, para que tudo seja reproduzido na sua TV HD, via Apple TV. Um jeito simples e prático de reproduzir o que você quiser na maior tela e no melhor sistema de som da casa com cinco canais do Home Theater. No Apple TV você capta diretamente o Netflix.

Assinatura Net Virtua 30 Mbps no Combo: R$ 89,90 X 12 = R$ 1.080

Custo de um filme no Netflix por dia: R$ 0,56.

Acesso de diversidade de filmes / documentários / séries de TV no Netflix: incomparável.

Além da fartura do Netflix e ebooks, estou que “nem criança em loja de brinquedos” no Spotify.

Por exemplo, montei facilmente três playlists de músicas de gêneros que aprecio, mas incluindo alguns ótimos artistas que eu não conhecia e o Spotify sugere. Essa radio streaming tem excelentes playlists prontas em todos os gêneros musicais.

Se quiserem escutar minhas playlists no Spotify coloquem em “buscar / pesquisar” as seguintes palavras chaves (em negrito):

cabaret: um cabaré é um local destinado a shows com mulheres. Pode ser também uma boate ou uma casa noturna com apresentações sensuais de go-go-girls. Eram estabelecimentos muito populares na França da Belle Époque, quando se constituíam na forma preferida de entretenimento das camadas sociais mais abastadas, com diversos tipos de apresentações artísticas, inclusive a ópera. Entre outros artistas (click no link) destaco The Tiger Lillies:

  • The Tiger Lillies são uma extraordinária banda de três pessoas com um grande culto de seus fãs em Londres. Eles são liderados pelo cantor Martyn Jacques que foi treinado como um cantor de ópera, com uma voz estilo castrati de beleza comovente. Vive sozinho encima de uma boate de strip-tease no Soho há sete anos. Acompanhado pelo baterista Adrian Enorme, cuja aparência foi descrito por David Byrne como o James Joyce da bateria, e o contrabaixista Adrian Stout, Jacques toca acordeão e canta selvagens e apaixonadas canções sobre prostitutas, viciados em drogas e perdedores. Sua voz se eleva e rosna como fosse um homem possuído.

    Ken Campbell descreveu-o como “o criminoso castrati“, e com o seu estilo de vestir tal como Charles Dickens, longo pigtail e chapéu-coco, suas letras corrosivas e sua voz surpreendente, o tempo todo cantando com os olhos fechados, ele faz uma impressão indelével na memória de quem o assistiu. Jacques canta sobre a vida no subterrâneo [bas-fond] da Grã-Bretanha contemporânea com a voz de um anjo.

    A música é uma mistura surpreendente de ópera, música cigana e margem esquerda de Paris, mas o que realmente diferencia esta banda de qualquer outra é a carga emocional e paixão crua da entrega. Porque eles são impossíveis de classificar, a banda ainda não tinha um grande sucesso comercial, apesar de ter sido destacada por David Byrne, com performances no South Bank, bem como festivais e turnês estrangeiras. Mas esse ostracismo não irá durar por muito tempo como sua reputação se espalhando muito rapidamente na cultura de arte.

    The Dresden Dolls

  • The Tiger Lillies
  • Marlene Dietrich
  • Vermillion Lies
  • Liza Minnelli
  • Evelyn Evelyn
  • Серебряная Свадьба
  • Ute Lemper

in-dub-itável: que não pode ser objeto de dúvida; certo, incontestável, indiscutível, ou seja, o melhor do dub! O dub é caracterizado por ser uma versão de músicas existentes, tipicamente enfatizada pelas batidas da bateria e as linhas arrojadas de baixo. As trilhas instrumentais são saturadas de efeitos processados (delay e reverb) aplicados a pedaços da letra e em algumas peças da percussão, enquanto os outros instrumentos passeiam entrando e saindo da mixagem, e algumas vezes do tempo da música. Uma outra característica do dub é o baixo encorpado com tons bem graves. A música incorpora, além de efeitos processados, outros ruídos como cantar de pássaros, trovões e relâmpagos, fluxo de água, e algumas inserções de vocais externos; pode ser mixada ao vivo por DJs, aumentando o grau de detalhes sonoros. Entre outros:

áfrica: raizes da música: A África é um continente com vários tipos de diversidade étnica, cultural e linguística. Uma descrição da música africana é quantidade de variedade de expressões.Existem semelhanças regionais entre grupos desiguais, assim como as tendências que são constantes ao longo do tempo do continente africano. A música da África é tão ampla e variada como as muitas regiões da África. A música do Norte de África e partes da região do Saara, têm uma ligação à música européia e oriental mais que da metade da África sub-saariana que de certa forma deu inicio influenciando e sendo influenciada por variados estilos musicas tais como samba, blues, jazz, reggae e rap inspirados nas tradições africanas dos escravos transferidos a diferentes pontos do mundo em relações comerciais, com retorno de escravos livres e comerciantes.

Amauri Stamboroski Jr. e Henrique Porto (G1) escreveram o seguinte post que orienta a seleção:

“Boa parte da música popular do ocidente tem alguma forma de influência direta ou indireta da África. O violento tráfico de escravos para as Américas levou também ritmos tradicionais que deram vida a estilos variados, do blues ao samba, passando pelo jazz, salsa, rumba e dezenas de outros gêneros.

Apesar disso, poucas pessoas fora do continente africano sabem o que é um likembé, uma morna ou um highlife. O G1 listou 15 álbuns para conhecer a música africana. Do mais tradicional ao mais moderno, a lista é um passeio por gêneros como o afrobeat e o kuduro, e destaca nomes importantes para a música do continente, como Fela Kuti, Ali Farka Touré e Miriam Makeba.

A lista foi elaborada a partir do livro “The Rough Guide to World Music – Africa”, um dos melhores volumes sobre música africana disponíveis. Com o espaço limitado para falar da música de um continente com 1 bilhão de habitantes e 54 países, artistas e gêneros importantes ficaram de fora – da Orchestra Baobab à Angelique Kudjo, do raï ao soukous.

Confira abaixo a lista completa

Miriam Makeba -

Miriam Makeba – “Pata pata”

Apelidada de Mama África, a cantora sul-africana Zenzile Miriam Makeba tornou mundialmente conhecida a música do país depois do hit “Pata pata” — também registrada por Daúde e Carlinhos Brown em 1997.

Gravada originalmente em 1956, a música só estourou mesmo em 1967, quando uma compilação homônima foi lançada. O álbum tem um pouco de todos os estilos que consagrariam a cantora como uma das mais importantes do continente. Há faixas em inglês (como a balada “What is love” e “West wind”, que remete ao estilo de Nina Simone), em português (“Adeus, Maria Fulô”, parceria de Sivuca e Humberto Teixeira) e nos idiomas locais (caso de “Jol’inkomo” e da própria “Pata pata”).

Assim como Fela Kuti, Makeba foi uma intensa ativista política, o que lhe custou um exílio de 30 anos. A cantora era dada como atração certa na abertura da Copa do Mundo da África do Sul, mas faleceu em novembro de 2008, aos 76 anos.


Mulatu Astatke -

Mulatu Astatke – “Mulatu of Ethiopia”

Primeiro africano a se formar na Berklee College of Music, em Boston — de onde saíram vários jazzistas americanos —, o etíope Mulatu Astatke é o artífice por trás do que se convencionou chamar de Ethio Jazz, uma mistura da música tradicional etíope com o jazz americano.

Esta combinação resultou no álbum “Mulatu of Ethiopia”, de 1972, o primeiro que trouxe as melodias hipnóticas que caracterizam sua obra, mais distantes da pegada caribenha de suas primeiras gravações em território norte-americano.

Apesar de sua música ser eminentemente instrumental, com suas (poucas) canções espalhadas ao longo dos (poucos) álbuns, e consequentemente menos acessível ao grande público, Mulatu teve sua obra redescoberta em 2005, quando quatro de suas músicas foram incluídas na trilha do filme “Flores partidas” (“Broken flowers”), de Jim Jarmusch.


Manu Dibango -

Manu Dibango – “Soul makossa”

O cosmopolita saxofonista Manu Dibango é considerado o “embaixador musical de Camarões”. O músico já morou na França, Bélgica, Congo e Costa do Marfim, mas nunca abandonou suas raízes camaronesas, e ainda é amado no seu país natal.

Misturando o funk norte-americano com a makossa, ritmo pop camaronês, Dibango ajudou a criar a disco music moderna com sua faixa “Soul makossa”, de 1972. A batida hipnótica chamou a atenção do DJ David Mancuso, e a música virou um dos maiores hits do Loft, casa noturna responsável pela explosão disco em Nova York.

Durante as décadas seguintes, Dibango passou a ter um papel ainda mais importante na world music, tocando com MCs britânicos, grupos cubanos e bandas de salsa. Sua “Soul makossa” também seguiu sendo redescoberta de tempos em tempos, sampleada por Michael Jackson (em “Wanna be startin’ something”) e mais recentemente por Rihanna em “Don’t stop the music”.


The Masters Musicians of Jajouka -

The Master Musicians of Jajouka – “The pipes of Pan at Joujouka”

Tocando apenas flautas e percussão, esse grupo de músicos faz parte de uma tradição centenária de música de transe sufi (vertente mística do islamismo). Escondidos na vila de Jajouka (ou Joujouka) em uma região montanhosa do norte do Marrocos, os músicos passam a arte de pai para filho.

O mundo ocidental começou a conhecer a tradição a partir dos relatos de escritores beats que visitaram a região nos anos 50, como William Burroughs e Brion Gynsin. Em 1968 Brian Jones, dos Rolling Stones, gravou pela primeira vez o grupo, mas o disco só foi lançado em 1971, após a sua morte.

O grupo se dividiu em dois após a morte do líder Hadj Abdessalem Attar. A versão liderada por Bachir Attar, filho de Hadj, ganhou as bênçãos do mundo pop e já gravou com artistas como o papa do free jazz Ornette Coleman, o guitarrista do Sonic Youth Lee Ranaldo e também com os Rolling Stones, na faixa “Continental drift” de 1989.


Vários artistas - 'The Rough Guide to highlife'

Vários artistas – “The Rough Guide to highlife”

Nascido após a Segunda Guerra de uma mistura de música caribenha, swing e ritmos locais de Gana como o osibisaba, o highlife é um dos gêneros mais representativos da música da África ocidental.

Inicialmente tocado por big bands parecidas com os grupos de jazz norte-americanos, o highlife incorporou as guitarras elétricas nos anos 60, em um estilo clean e facilmente identificável, sempre acompanhado da percussão dançante. Mais tarde, nos anos 90, o gênero se fundiu com hip-hop e ragga, criando o “hiplife”.

A coletânea da série “Rough Guides” traz os artistas mais representativos das primeiras fases do estilo, com a orquestra de E.T. Mensah representando as “bandas dançantes” de highlife e grupos como Nana Ampadu & the African Brothers apresentando a fase posterior, dedicada às guitarras.


Fela Kuti - 'Roforofo fight'

Fela Kuti – “Roforofo fight”

Multi-instrumentista, produtor, arranjador e ativista político, o nigeriano Fela Anikulapo Ransome Kuti foi o pioneiro do Afrobeat, estilo que funde jazz, funk e psicodelia aos tradicionais cânticos africanos. Entre incursões pela Europa, África e América, lançou quase 70 álbuns em 30 anos de carreira.

Um dos destaques de sua discografia é “Roforofo fight “, de 1972, que traz a essência do Afrobeat em quatro longuíssimas faixas — uma característica de sua obra. Percussão, metais e riffs de guitarras repetidos à exaustão fazem contraponto ao chamado “call-and-response” (“chamada e resposta”), entre voz principal e coro.

Sua conturbada vida pessoal lista algumas curiosidades: casou-se com 27 mulheres em uma mesma cerimônia; foi candidato à presidência da Nigéria; e foi preso ao desafiar o regime político corrupto do país. Fela Kuti morreu em 3 de agosto de 1997, aos 59 anos, em consequência de complicações decorrentes da aids.


Vários artistas - 'The indestructible beat of Soweto'

Vários artistas – “The indestructible beat of Soweto”

Esta compilação de 12 faixas gravadas na primeira metade da década de 80 ganhou notoriedade por vários motivos: serviu de inspiração para “Graceland”, e Paul Simon; introduziu artistas dos guetos de Johanesburgo e Durban, como Mahlathini e Moses Mchunu, ao mainstream da música internacional; e apresentou ao mundo o gênero africano mbaqanga — um estilo popular, baseado em guitarrras ritmadas e sinuosas linhas de baixo.

O grupo vocal Ladysmith Black Mambazo, que mistura um pouco da tradição gospel americana à essência do canto original africano, também foi revelado graças à canção “Nansi imali”, incluída na coletânea — o conjunto acabou sendo convidado por Simon para participar de “Graceland” posteriormente.

“The indestructible beat of Soweto” fez tanto sucesso que chegou a ser reeditado várias vezes. Também deu origem a volumes posteriores, numa série batizada “The indestructible beat”, lançado pelo selo Earthworks.


Drummers of Burundi - 'Drummers of Burundi'

Drummers of Burundi – “Drummers of Burundi”

O pequeno país de Burundi, encravado entre a República Democrática do Congo e a Tanzânia, mantém um dos mais tradicionais grupos percussivos do mundo.

Tradicionalmente ligados à realeza local, os Drummers of Burundi (nome que o grupo ganhou quando saiu em turnê pela Europa nos anos 80) pertencem a uma casta de músicos que se apresentam apenas em ocasiões especiais.

Os espetáculos incluem apenas dança e percussão, onde os músicos se reúnem em um semicírculo tocando seus tambores feitos de troncos de árvores e se revezando para tocar um tambor maior, no centro do palco.

As apresentações são tão intensas que nunca ultrapassam 40 minutos de duração, e já levaram o grupo ao redor do planeta. Eles serviram de inspiração para a criação do festival WOMAD, um dos principais eventos de world music, e já gravaram com artistas como Echo & The Bunnymen e Joni Mitchell.


Paul Simon - 'Graceland'

Paul Simon – “Graceland”

Paul Simon é um artista norte-americano, mas não há como ignorar a belíssima reverência à música africana feita pelo cantor neste disco de 1986. O repertório conta com 11 canções, todas gravadas em parceria com músicos da África da Sul, Senegal, Nigéria, Malawi e Zimbabwe.

O que talvez seja o seu trabalho mais eclético — incluindo aí os anos ao lado de Art Garfunkel, com o qual formou a dupla folk Simon & Garfunkel nos anos 60 — é também considerado um dos pilares do que foi convencionado chamar de “world music”. Vendeu 14 milhões de cópias e ganhou o Grammy de Álbum do Ano de 1986, entre outros prêmios.

O maior êxito de “Graceland” é o equilíbrio entre a sonoridade pop e os elementos musicais africanos, como vocais à capella, percussão e bases de acordeon, afora participações especiais de Miriam Makeba (em “Under african skies”) e Ladysmith Black Mambazo (em “Diamonds on the soles of her shoes”), entre outros artistas africanos.

O próprio Simon diria mais tarde que considera a faixa-título a melhor música que já compôs.


Ali Farka Touré - 'The source'

Ali Farka Touré – “The source”

Com sua voz anasalada e seu estilo único na guitarra, o músico malinês é considerado o “John Lee Hooker africano”. Touré trouxe o blues de volta às raízes africanas, fundindo o estilo com músicas típicas do caldeirão de ritmos que é o Mali – entre a África equatorial, o Saara e o Atlântico.

Touré se tornou um dos músicos africanos mais conhecidos em todo o mundo, e colaborou com artistas ocidentais como Ry Cooder e os Chieftains.

“The source”, gravado com participações do guitarrista norte-americano Taj Mahal em 1993, é um bom início para a música de Touré. Blues mais formais, como em “Mahini me”, se misturam com faixas mais próximas da de estilos árabes, como “Goye kur”, criando um novo mapa para a música de origem africana.


Cesária Évora -

Cesária Évora – “Sodade – Les plus belles mornas de Cesária”

A cantora de 68 anos já cantava a melancolia dos amores desfeitos e o isolamento do arquipélago de Cabo Verde, onde nasceu, antes mesmo de completar 20 anos. Não à toa transformou-se na rainha da morna, o equivalente africano ao blues norte-americano ou ao fado português.

Como o próprio título sugere, a “diva dos pés descalços” — maneira como sobe ao palco, em solidariedade aos sem-teto e às mulheres e crianças pobres de seu país — reúne nesta coletânea lançada em 1995 algumas de suas mais belas mornas, com destaque para a faixa-título, “Destino negro” e “Separação”. Ao ouvi-lo, Caetano Veloso declarou Cesaria uma das cantoras mais influentes do mundo.

A relação com o Brasil, aliás, é bastante estreita: já gravou com o próprio Caetano, com Marisa Monte e Gal Costa. Além disso, já se apresentou no país por diversas vezes. Na primeira, em 1994, realizou um sonho: conheceu pessoalmente a veterana cantora carioca Ângela Maria, de quem é fã desde a adolescência.

Aos 68 anos, e mesmo depois de um AVC (acidente vascular cerebral) ocorrido durante turnê pela Austrália, em 2008, prossegue como uma das vozes mais representativas do continente africano.


Konono No 1 - 'Congotronics'

Konono Nº 1 – “Congotronics”

Liderado pelo octagenário Mawangu Mingiedi, o coletivo de Kinshasa comanda festas na periferia da capital da República Democrática do Congo ao som de seus likembés (espécie de pianos de dedo, parentes da kalimba) amplificados artesanalmente.

Nascido próximo da fronteira com Angola em uma vila do grupo étnico bazombo, Mingiedi adaptou a música tradicional com a qual cresceu para o som do grupo.

Além de tocarem com artistas como Björk e Herbie Hancock, eles influenciam a música local, e já se tornaram sinônimos de banda de festa. “As pessoas falam, ‘fulano vai casar, a gente tem que contratar um konono’. Por isso somos o Konono Nº 1, somos os primieros”, explica Mingiedi em uma reportagem da revista “The Wire” em abril deste ano.


Tinariwen - 'Aman iman'

Tinariwen – “Aman iman”

Misturando rock ocidental com ritmos tradicionais da região do deserto do Saara, os tuaregues do Tinariwen (“Desertos”, em Tamashek) usam a música como arma de resistência. O Tinariwen é uma criação de Ibrahim Ag Alhabib, músico nômade que viveu na região saariana de diferentes países do norte africano e que montou a banda para tocar em casamentos e festejos no início dos anos 80.

Influenciado por artistas como Jimi Hendrix e Santana, Alhabib foi um dos inventores do som moderno dos tuaregues, conhecido localmente como “guitar”. Ele também é um rebelde a favor da causa tuaregue, povo nômade do sahel (área entre as florestas equatoriais e o deserto do Saara) oprimido por diferentes ditaduras da região – membros do grupo já lutaram contra governos da Líbia, Mali e Algéria nos anos 80 e 90.

Celebrado por artistas como Thom Yorke (Radiohead) e Bono (U2), o grupo ultrapassou a fama no circuito da world music com o disco “Aman iman” (“Água é vida”), de 2007, com suas guitarras roqueiras – às vezes cheias de efeitos, como em “Assouf” – e vozes únicas, entre o lamento e a celebração.


Amadou e Mariam - 'Welcome to Mali'

Amadou & Mariam – “Welcome to Mali”

Naturais de Mali, Amadou Bagayoko e Mariam Doumbia formam uma dupla de músicos cegos. Ela canta. Ele toca guitarra. Ficaram conhecidos por misturar uma incrível quantidade de estilos, que vão desde o blues típico de seu país até ritmos cubanos, egípcios e indianos. A partir dos anos 80, tornaram-se um dos projetos musicais mais influentes, originais e criativos da África Ocidental.

O álbum “Welcome to Mali” foi considerado um dos grandes lançamentos do ano de 2008. Produzido por Damon Albarn (Blur, Gorillaz), o disco traz 15 músicas que flutuam entre o pop contemporâneo e as raízes da música africana. Traz canções folk, mas sem dispensar elementos eletrônicos em parte do repertório. Foi considerado o disco do ano de 2008 pelo site “Metacritic”, que reúne resenhas e críticas especializadas em música, literatura, cinema, TV, games e artes.

Este ano, participaram do show de abertura da Copa do Mundo da África e lançaram a autobiografia “Away from the light of day”, publicada na Inglaterra pela Editora Route.


Vários artistas - 'Akwaaba sem transporte'

Vários Artistas – “Akwaaba sem transporte”

Criado nos anos 90 nos musseques (favelas) de Luanda por artistas como Tony Amado e Se Bem, o kuduro mistura a vertente mais acelerada da house music com ritmos locais como o kilipango e o semba. No início dos anos 2000, uma nova geração reinventou o estilo, adicionando elementos de hip-hop, ragga e música caribenha, revelando uma nova de geração de MCs.

O estilo chegou à Europa através da grande comunidade angolana de Portugal, e de lá ganhou o mundo, incluindo o Brasil – no carnaval de 2009 o grupo de samba duro baiano gravou uma faixa chamada “Kuduro”, em homenagem ao gênero.

Além das rimas, um dos elementos mais importantes do kuduro são as danças frenéticas com atenção especial nos quadris quase parados (daí o nome do estilo).

A compilação do selo francês Akwaaba Music é a primeira coletânea internacional de kuduro tipicamente angolano, trazendo alguns dos nomes mais importantes do gênero, como Puto Prata, Bruno M, Vagabanda, Noite e Dia e o DJ Killamu.”

7 thoughts on “Dicas do Trio Música-Literatura-Filme

  1. Prezado Fernando,

    excelentes dicas, também estou disponibilizando links e informações para um acervo monumental que nunca imaginei que poderia ter acesso sem gastar milhões. Vivemos o boom da tecnologia que se torna cada vez mais livre e acessível a todos por um custo cada vez mais baixo.

    Esta semana o site português http://lelivros.us, disponibilizou os principais livros em formato ebook de nosso querido Ariano Suassuna.

    Abs.

    • Prezado Reinaldo,
      estou acompanhando, diariamente, este excelente site — http://lelivros.us — que você me indicou. De imediato, creio que baixei cerca de 600 livros de todo o acervo, talvez mais. Agora, atualizo na medida de novos lançamentos que me interessam.

      Conta rápida, além da dificuldade de comprar-e-guardar tal número de livros, gastaria 600 x ~R$50 = ~R$ 30.000!

      A contrapartida é eu lê-los e indicá-los para todos os meus alunos e seguidores.
      abs.

      PS: dica: http://acasadevidro.com/2013/11/02/milhares-de-e-books-completos-para-download-filosofia-sociologia-psicologia-literatura-antropologia-marxismo-apreciem-sem-moderacao/

      • Prezado Fernando,

        acasadevidro.com – excelente site, vou divulgar. A quantidade de servidores e blogs que disponibilizam conteúdo grátis é impressionante, são dezenas de milhares, aqueles que te passei são os mais simples de usar, mas têm outros que mantém o conteúdo fechado somente para membros, esses são mais chatos e difíceis de acessar.

        Uma boa notícia é que o custo para manter o conteúdo sempre ativo está caindo, por exemplo: o Google disponibiliza 15 GB free, mas você pode comprar espaço extra via Google Drive e pagar com cartão de crédito, custa U$ 1,99 mensal para 100 GB de espaço, estou adquirindo essas nuvens e enchendo elas de livros. Mas é bom ter um backup das nuvens para o caso de haver bloqueio, isso o pessoal que compartilha já está sabendo, aí se bloquear uma, abre-se outra imediatamente, com outros nomes, outras credenciais, e o anonimato da conta fica garantido em razão desses servidores estarem em outros países.

        Outra nuvem para guardar conteúdo é o MEGA (antigo megaupload), que foi fechado pelo FBI, o endereço é este: https://mega.co.nz/ essa nuvem te dá 50 GB livres, e todo o conteúdo fica criptografado com criptografia forte, para evitar que a NSA descubra o que está sendo gravado nessa nuvem, eles possuem farejadores fortes (programinhas espiões que conseguem penetrar em todos os servidores do mundo inteiro).

        A vantagem do Mega é ser gratuito também, e pode-se criar uma conta de armazenamento para cada conta de email. Veja que vantajosa, se você tiver 20 contas de emails, terá 1 TB de armazenamento gratuito.
        Dicas para compartilhar conteúdo no MEGA (ou em outros servidores de compartilhamento):

        1. Crie sempre duas contas no Mega (uma conta particular – não compartilhada e outra pública – compartilhada somente leitura);
        2. Mantenha o conteúdo igual nas duas;
        3. Defina um acesso somente leitura de forma pública para sua nuvem pública;
        4. Divulgue a nuvem pública (pode ser via site, emails, facebook, etc).
        5. Caso a nuvem pública cair, é só criar outra com um email diferente e copiar o seu conteúdo da nuvem particular para pública, e divulga-la novamente.

        Seguindo essa orientação não haverá maneiras do conteúdo sumir da internet, ou receber intimações como aconteceu com este blog: http://liberdadedeler.blogspot.com/ – foi realmente uma pena terem fechado esse importante blog, mas a dona do blog deveria seguir essas regras.

        Por isso nunca armazene conteúdos da internet dentro do seu Blog, apenas aponte um link para o conteúdo (para um servidor externo), pois não haverá como alguém responsabilizar você pelo conteúdo, e o máximo que pode acontecer é o link ser excluído da internet.

        Eu gosto de postar os links para os importantes documentário da BBC, mas eu sempre guardo meia dúzia de links para o mesmo conteúdo (armazenado com outros novos e particular), aí a BBC descobre que o conteúdo foi copiado e pede ao youtube para apagar, e aparece no meu Blog a mensagem: “conteúdo bloqueado por direitos autorais!”, na mesma hora eu vou lá e troco o link, o conteúdo volta, e ficaremos eternamente nessa briga de gato e rato! Tom e Jerry! Rsrsrs

        Abs.

      • Prezado Reinaldo,
        um ponto básico a ser salientado para os leitores é que os escritores pouco recebem de direitos autorais mesmo com o livro impresso. As editoras obrigam-nos a um contrato muitas vezes por prazo ilimitado com no máximo 10% do “valor da capa”, mas só prestam contas um vez, 6 meses depois, e depois “esquece”!
        E logo, quando toda a primeira edição é vendida, faz seguidas reimpressões ad eternum…
        Então, os autores ganham apenas reputação para serem convidados para palestras pagas nas quais ganham muito mais do que ganhou pela venda do livro.
        É similar ao que está ocorrendo com artistas que divulgam gratuitamente seus CDs para obter audiência em shows.
        Talvez o relacionamento social seja melhor se todos os cidadãos forem leitores e consumidores de cultura audio-visual.
        att.

  2. Prezado Fernando,

    a tendência geral é os autores e escritores colherem os frutos de um trabalho combinado, onde a visibilidade é obtida com a divulgação em massa – via os blogs e a internet no geral –, quem mais vende livros no mundo hoje é a Amazon e a Apple Store. Veja o caso da Katy Perry http://rcristo.com.br/?s=katy+Perry, que liberou todas as músicas e vídeos no Youtube e no canal Vevo, mas não deixou de arrecadar com a venda das mesmas músicas na Apple Store, sendo que está em primeiro lugar na lista de milhões de músicas vendidas.

    O Copyright (copia proibida) está se transformando em Copyleft (copia liberada), pois a prática de copiar e disseminar já se tornou um padrão no mundo digital. E com o aparecimento das impressoras 3D, até os produtos físicos seguirão no mesmo caminho. Abs.

  3. Gostaria de lembrar ainda que, em paralelo com a música digital, começa a crescer novamente o mercado para os discos de vinil. Ou seja, em meio a tanta tecnologia sempre há espaço para um certo saudosismo dos tempos de outrora. Abraços.

Deixe uma Resposta para Som Livros usados Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s