Programa para Retomar o Crescimento da Economia Brasileira

Dilma_Rousseff

Andrea Jubé (Valor, 15/07/14) informa que a Presidenta Dilma Rousseff apresentou seu programa para retomar o crescimento da economia brasileira. No pacote de entrevistas agendadas para elevar ainda mais a imagem internacional positiva do Brasil como sede da Copa do Mundo, Dilma explicou, sinteticamente, porque merece ser reeleita: “O povo brasileiro deve me dar a oportunidade de um novo período de governo porque fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil“.

Dilma relatou que, em 2002, o Brasil tinha 54% de pobres e miseráveis. E hoje 75% da população vive nas classes A, B e C. Disse que o seu governo e o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntos, retiraram 36 milhões da pobreza e levaram 42 milhões à classe média. “Nós transformamos a vida dessas pessoas”, afirmou, ressaltando que isso ocorreu em plena democracia, “com os direitos de expressão, manifestação e divergência”. A “opção é simples” porque:

  1. quem fez sabe continuar fazendo”, e
  2. “quem – quando pode – não fez, não sabe fazer“.

Dilma atribuiu o baixo crescimento da economia brasileira à crise financeira mundial. Segundo ela, os países desenvolvidos sofreram os seus impactos primeiro, a partir de 2008, mas somente a partir de 2011 ela atingiu os emergentes. “Ela fica mais séria agora”, justificou.

Contudo, Dilma sustenta que o Brasil vai entrar em uma nova era de desenvolvimento. “Estamos numa fase de baixa do ciclo econômico, mas vamos entrar em outra fase e temos de nos preparar”, afirmou. “Se não surgir [a nova fase de crescimento] pro resto do mundo, eu te asseguro que vai surgir para o Brasil”, reforçou.

Para que o Brasil ingresse nesse novo ciclo, segundo a presidente, são necessárias quatro ações.

Primeiro de tudo, investir em infraestrutura, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

O segundo requisito é mais educação para que os milhões de brasileiros que ingressaram na classe média não voltem para a pobreza.

Em terceiro, Dilma diz que é preciso dar um “salto de produtividade“, eliminando a burocracia, para garantir um Estado mais “amigável para empresários, empreendedores e trabalhadores”.

Em quarto, cita investimentos em inovação e aponta o programa Ciência sem Fronteiras, que concede bolsas de estudo no exterior, como uma das medidas nesse sentido.

Sobre o banco de desenvolvimento dos Brics, Dilma confirmou que ele será concretizado porque “faz parte da consciência desses países” a necessidade de uma instituição para financiar projetos de infraestrutura, inclusive social. “É o que está previamente acordado”, ressaltou. Ela apontou o banco como uma das grandes iniciativas dos blocos regionais, porque o “mundo multipolar” precisa ter diferentes estruturas e saber conviver com elas.

Questionada sobre a posição do Brasil diante do confronto entre Palestina e Israel, Dilma defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU como um instrumento de busca da paz. Segundo a presidente, é chegada a hora da comunidade internacional ter uma posição “mais enfática, mais forte” que propicie a abertura do diálogo. “Nós estamos dispostos a participar de qualquer tentativa de conciliação, inclusive, neste momento fica visível a necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU”, afirmou.

Sobre a espionagem americana, Dilma explicou que não basta um pedido de desculpas dos Estados Unidos, porque só teria sentido se viesse junto com as diretrizes da conduta futura. Ela reiterou que não atribui exclusivamente ao governo Barack Obama a prática da espionagem, e sim a uma estrutura preexistente.

Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal são órgãos ligados à administração federal que estão na linha de frente do combate à corrupção. Por causa desse combate, desde 2003, ela ficou mais transparente. Não foi porque aumentou.

Dilma afirma que o Brasil se destacou no enfrentamento da crise internacional em comparação com outros países. Segundo a presidente, de 2008 até hoje, 60 milhões de empregos foram fechados em outros países, enquanto o Brasil foi capaz de abrir 11 milhões de novas vagas no mercado de trabalho interno.

O Brasil tem feito “um imenso esforço para manter as taxas de crescimento e um desses esforços diz respeito aos investimentos que fazemos em infraestrutura“.

A Presidenta diz acreditar que vamos entrar em um “novo ciclo de desenvolvimento no Brasil”.

Segundo ela, o primeiro ciclo foi baseado em “inclusão social, estabilidade macroeconômica”.

O segundo ciclo, segundo a presidente, vai se basear na “melhoria da nossa produtividade, portanto, da nossa competitividade”.

Ela ressaltou que vamos “apostar em educação” para garantir que as pessoas que ascenderam de classe social tenham ganhos permanentes e para que o país ingresse na “economia da inovação, do crescimento e do valor agregado“.

Dilma defendeu os investimentos federais na realização da Copa do Mundo no Brasil e comparou-os com os recursos destinados a educação e saúde no mesmo período para afirmar que são inteiramente “desproporcionais”, porque estes últimos foram muitos maiores. Os dados já vem sendo comentados pela presidente como resposta aos protestos contra os gastos na Copa.

Segundo Dilma, na construção e reforma dos estádios foram gastos R$ 8 bilhões entre 2010 e 2013. No mesmo período, foram investidos R$ 1,7 trilhão em educação e saúde nas três esferas de governo. “Então comparar US$ 4 bilhões com US$ 850 bilhões é absolutamente desproporcional”, disse.

Ela acrescentou que outros gastos na Copa, como reforma de aeroportos, ficarão como legado para os brasileiros. “De 2003 para 2013, nós passamos de 33 milhões de passageiros que viajavam de avião no Brasil para 113 milhões em 2013. Nós estamos fazendo aeroportos para nós mesmos, porque há uma imensa multidão de brasileiros que, nesta década, descobriu que podia viajar de avião porque tinha renda para pagar a passagem“.

Dilma rechaçou a possibilidade de o fracasso da seleção afetar o ânimo dos brasileiros. “Não acredito. Futebol é feito de vitórias e perdas”, disse, acrescentando que os brasileiros são capazes de superar a adversidade.

Os resultados positivos da organização da Copa foram muitos. Uma programação do governo como legado da Copa do Mundo foi na área da Justiça: o governo federal prepara um plano para monitorar as divisas entre os Estados do país, no mesmo formato elaborado para a Copa nas fronteiras brasileiras com países sul-americanos.

Amazonas, Mato Grosso, Paraná e Porto Alegre – cujas capitais foram cidades-sede do mundial esportivo – manterão as estruturas instaladas para monitoramento das fronteiras e funcionarão como Estados pilotos do projeto ainda em elaboração pelo governo. Haverá uma reunião em Salvador (BA) com todos os secretários de segurança pública do país para avaliar o aproveitamento de estruturas e de pessoal que foram utilizados durante a Copa do Mundo.

Também como um desdobramento concreto da Copa, a Presidenta se reuniu com representantes do Bom Senso FC (grupo de atletas de elite que pede uma mudança na prática esportiva) e presidentes dos principais clubes esportivos das séries A e B para debater a situação do futebol brasileiro. Dilma já manifestou a intenção do governo de colaborar com a “modernização” do futebol, com a finalidade de ampliar oportunidades para que os jogadores brasileiros tenham no país as mesmas condições do mercado internacional.

A Presidenta destacou o esforço do governo para a realização da Copa, em todas as áreas. “Organizar e garantir uma Copa do Mundo que estivesse à altura do nosso país e do nosso povo foi uma árdua conquista para o meu governo”.

Dados da pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) realizada para o Ministério do Turismo , em balanço da Copa, no Rio: 1,015 milhão de turistas estrangeiros de 202 países vieram para o evento. Quase todos (95%) declararam que querem voltar ao país e 61% estiveram no Brasil pela primeira vez.

Contabilizou-se 3,4 milhões de torcedores nos estádios na Copa. Já os aeroportos receberam 16,7 milhões de passageiros. Os visitantes internacionais permaneceram, em média, 13 dias no país.

O item que recebeu a melhor avaliação dos turistas estrangeiros foi a hospitalidade, com 98,1% de aprovação, seguida por gastronomia (93,1%) e segurança pública (92%). Em seguida, ficaram aeroportos (80%), sinalização turística (81,2%) e o transporte público (89,2%). Os turistas nacionais que viajaram para acompanhar o Mundial foram 3,056 milhões. São números extremamente positivos para atrair mais visitantes durante os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O torneio de futebol deverá ser disputado em São Paulo.

Paulistas, não sejam ingratos com a Dilma! Examinem, sem se impressionar com a campanha negativa sistemática da mídia, se a qualidade de vida não melhorou desde 2003 e se não merece apoio eleitoral para sua continuidade. Querem voltar atrás? Regredir?!

9 thoughts on “Programa para Retomar o Crescimento da Economia Brasileira

    • Prezado Saulo Venancio,
      sim, dentro das circunstâncias de crise mundial, os indicadores econômicos brasileiros estão condizentes com esse contexto.

      Vivemos em uma fase de maturação de investimentos necessários, cujos resultados vão se apresentar na próxima década.

      Economia não se reduz aos quatro instrumentos de política econômica de curto prazo (política de juros, câmbio, fiscal e de controle de capital) que qualquer economista bem formado sabe manipular de maneira consistente.

      Pessoas que idolatram O Mercado esquecem-se do papel fundamental das “forças do mercado”! E da abordagem estruturalista dos fundamentos mais perenes.

      Essas “forças do mercado” estão retraídas devido às próprias profecias pessimistas autorrealizáveis…
      att.

      • Oi. Gostei da sua resposta. Só fico pensando em como os gastos públicos estão gigantes. Isso não pode afetar o crescimento do país ao longo prazo? E como vamos melhorar se temos 30 e poucos porcento de imposto sendo que o país tem falta de muita infraestrutura. Da onde vai vir o dinheiro? Mais aumento de imposto. Como isso vai ser sustentável? Países muito mais bem estruturados tem menor imposto. São algumas de minhas dúvidas. E pq 40 ministérios? Não é muito? Acho o papel do estado importante. Mas ele me parece inchado e com pouco retorno ao cidadão no momento. Qual sua opinião disso?

      • Prezado Saulo,
        gastos públicos estão há bastante tempo próximos de 20% do PIB. O consumo gira em torno de 60%, investimento, 18% e saldo exportador, 2%.

        Não são “gigantescos”. São sim necessários para financiar os serviços públicos para uma população predominantemente pobre que é a quinta maior do mundo. Se não tivesse essa herança de grande desigualdade social, por razões históricas bem conhecidas — ex-colônia que extinguiu a escravidão há menos de 120 anos e viveu em ditaduras em boa parte de sua história republicana –, poderia se comparar com a carga tributária de países mais avançados. Mas ressalvo que os países com maior IDH no mundo têm carga tributária muito superior (~50% do PIB) do que a do Brasil (~36% do PIB). Com base nela, e em partidos de origem trabalhistas em seus governos, construíram um Estado de Bem-Estar Social.

        Na realidade, os 40 ministérios se justificam mais por necessidade de acomodação política em um sistema de coalizão presidencialista-partidária. O eleitorado brasileiro não aprovou o parlamentarismo a la europeia e ainda vota em candidatos de partidos de aluguel ou de baixa representatividade social. Resultado: com a fragmentação partidária no Congresso, para conseguir governar o País, através de aprovações de projetos de lei, é necessário esse “toma-lá-dá-cá”.

        Compare com a experiência presidencialista norte-americana com praticamente um sistema bi-partidário: há a vantagem do governo não ficar refém da oposição como lá. O Partido Republicano impede no Congresso dos EUA várias reformas democratas. O próprio Presidente da República fica refém de deputados de seu Partido Democrata que fazem política paroquial com foco apenas em seus distritos eleitorais e “pouco se lixando” para o País. Lá também…

        Quanto ao retorno para o cidadão, justamente hoje escrevi dois posts, que agendei para amanhã, a respeito. Espero que os leia.
        att.

  1. O Brasil carece de muita coisa, e, principalmente de fonte de financiamento para superar esses gargalos. Acontece que tal situação se complica cada vez mais, uma vez que, continuamos a aceitar taxa de juros em níveis estratosféricos.

    Quando o governo fala em parceria pública privada o empresariado exigi diversos incentivos e elevada TIR, o que inviabiliza alguns projetos. Torço para que o Brasil possa romper com essa barreira agora com o Banco Mundial dos BRICS.

    Não adianta falar em desenvolvimento e descartar o aumento da progressividade do imposto e, também, da reforma da máquina pública, visto que, os serviços públicos em diversos casos custam mais caros que nas instituições privadas e possuem serviços piores.

    No meu ponto de vista outro aspecto que por mais que não pareça mas, pode ser um inibidor do desenvolvimento é ficar preso a indústria automobilística como carro chefe do parque industrial. Além dessas montadoras gerarem enorme evasão de divisas, produzem evolução de progresso técnico em outros países, deixando o Brasil a merce da inovação tecnológica externa em detrimento da sua capacidade interna.

    Outro ponto de destaque a falta de infraestrutura das grande cidades para um elevado número de carros, reduz drasticamente a atividade produtiva desses grandes centros urbanos, seja por causa de congestionamento, piora da qualidade de vida, mudanças climáticas, mortes em acidentes de trânsito e impactos negativos na saúde pública.

    O agente industrial dinamizador deve ser o TI com inovação tecnológica interna com maior absorção do emprego no mercado de trabalho, assim, não ficamos dependentes dessas montadoras que mantém um lucro Brasil elevado. Aumentar a cadeia produtiva de produtos exportáveis, agregar valor às nossas commodities. O Brasil tem muito para crescer e vai crescer, meu medo é para quem vai ficar a maior fatia do bolo.

    • Prezado Abdoril,
      ao se elaborar um “projeto de País” é sempre necessário lembrar daquela “perguntinha-mágica”: “se é fácil assim, por que não fizeram antes”? Desigualdade na distribuição de inteligências? Não creio…

      Acho que o problema de conflito de interesses. Por exemplo, quantos abrem mão de possuir um automóvel? Considere a população que mora afastada dos centros…

      Quanto ao novo regime automotivo, ele condiciona o IDE com transferência de tecnologia. Leia uma série de posts a respeito: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/?s=regime+automotivo&submit=Procurar

      att.

  2. Fernando mas essa transferência refere-se a algo que foi criado lá fora, as matrizes não vão transferir seus centros de pesquisa o que nos condicionará a ser apenas um absorvedor dessa inovação e não um criador. Desigualdade de inteligência não, apenas atraso em relação aos países do centro e que não foram colonizados(plantation). Para nosso país obter um parque industrial ao nível de um país desenvolvido acho mais fácil investir em algo que possui menor necessidade de capital físico, o que não ocorre com o setor automotivo e, não temos condições de construir nossas próprias montadoras, já que abdicamos destas no passado em troca da abertura comercial. Capital humano exigi menor estrutura física e produz mais inovação.

  3. você, sendo bem mais preparado que eu nesse assunto, concorda que em determinadas áreas nossos recursos são mal investidos e que isso se deve mais pela administração estadual, municipal e dentro do parlamento?

    • Prezado Vinicius,
      não posso dizer que sou “mais preparado”… Nem isso importa tanto. Mas eu concordo contigo!

      Veja que grandes problemas brasileiros são municipais e/ou estaduais: ensino básico e médio, saneamento básico, mobilidade urbana (ônibus, metrôs), abastecimento de água, etc.

      Pior é quando suas soluções passam por bancadas clientelistas de governadores, barristas ou paroquiais…
      att.

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