Empatia

Resiliência e Empatia

A empatia é a arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela requer um salto da imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os medos que moldam suas visões do mundo.

Tecnicamente conhecida como “empatia cognitiva”, não é uma questão de sentir pena de alguém – isso é comiseração ou piedade –, mas de tentar nos transportar para o personagem e a realidade vivida de outrem. Olhar a vida do ponto de vista do outro não só nos permite reconhecer suas dores ou alegrias, mas pode nos estimular a agir em favor dele. Imaginar como é ser uma pessoa diferente da que somos está no cerne de nossa humanidade.

No entanto, a empatia importa não apenas por nos tornar bons, mas por ser boa para nós. Ela tem o poder de:

  1. curar relacionamentos desfeitos,
  2. erodir nossos preconceitos,
  3. expandir nossa curiosidade em relação a estranhos, e
  4. nos fazer repensar nossas ambições.

Em última análise, a empatia cria os vínculos humanos que tornam a vida digna de ser vivida. Desenvolver nossa empatia é essencial para o bem-estar pessoal. O especialista em Economia da Felicidade, Richard Layard, defende “o cultivo deliberado do instinto primitivo da empatia” porque “se você se importa mais com os outros que consigo mesmo, tem maior probabilidade de ser feliz”.

Roman Krznaric, autor do livro Sobre A Arte De Viver: Lições da História Para Uma Vida Melhor, adverte que, ao pensar sobre empatia, é importante distingui-la da chamada Regra de Ouro: “Faça para os outros o que gostaria que eles fizessem para você”. Isso não é empatia, pois envolver considerar como você gostaria de ser tratado. A empatia requer que imaginemos as ideias dos outros e que ajamos em conformidade com elas. “Não faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem – eles podem ter gostos diferentes do seu.”

Devemos encontrar maneiras de enriquecer e expandir nossos egos empáticos, e enfrentar nossos déficits pessoais de empatia. Roman Krznaric coloca a questão: como pode a História nos ajudar nisso?

Nossa primeira tarefa é nos livrar da ideia antiquada, com raízes no pensamento social do século XVII, de que os seres humanos são fundamentalmente criaturas egoístas, voltadas para o ganho individual. Essa sombria descrição da humanidade foi difundida por Thomas Hobbes, autor do livro Leviatã, escrito no final dos anos 1640, quando a Inglaterra estava mergulhada em sangrenta guerra civil, cuja Revolução Puritana acabou por cortar a cabeça do Rei. Em seu exílio em Paris, Hobbes se convenceu que a conduta beligerante era expressão dos nossos eus verdadeiros e que somente um governo autoritário podia nos resguardar um dos outros.

Não havia lugar em sua visão do mundo para a ideia que nascemos com um forte instinto empático. A maligna concepção da natureza humana, na obra de Hobbes, tornou-se a norma cultural no Ocidente, permeando artes, mídia, política e educação. Em cursos ortodoxos de “Ciência Econômica”, aos alunos é imposta a suposição que “somos todos Homo Economicus racionais voltados para nossos próprios interesses”.

Mas há outra maneira de compreender o que significa ser humano. Trata-se da ideia de que somos Homo Empathicus, isto é, de que temos uma capacidade natural de “empatizar”, tão forte quanto nossos impulsos internos egoístas. O mais renomado proponente do Homo Empathicus foi um professor de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow chamado Adam Smith!

Os economistas em geral supõem que Smith, como Hobbes, acreditava que os seres humanos perseguem invariavelmente seu interesse pessoal. Isto porque, geralmente, não leem o livro mais interessante dele – A Teoria dos Sentimentos Morais –, escrito 17 anos antes de A Riqueza das Nações, e publicado no ano da Independência norte-americana: 1776. Nele, Smith propunha uma abordagem muito mais sofisticada à motivação humana que o Leviatã de Hobbes. Apresentava a primeira teoria desenvolvida pela empatia – na época conhecida como “simpatia”.

As ideias de Smith sobre nossa capacidade de empatia, durante o século passado, foram confirmadas por um crescente acúmulo de evidências nos campos da Psicologia, Biologia Evolucionista e Neurociência. Por exemplo, a Biologia Evolucionista voltou-se contra a antiga ideia darwinista da luta competitiva pela existência e enfatiza, em vez disso, o papel da cooperação e da ajuda mútua como força evolucionária.

Há extraordinária quantidade de afeto e cooperação evidente entre animais e seres humanos tais como os cuidados que as mães dispensam aos seus filhotes ou os sinais de aviso que eles emitem para outros quando predadores se aproximam. Tudo isso se deve a uma capacidade natural de empatia que se desenvolveu para assegurar a sobrevivência da comunidade.

Os neurocientistas estão também convencidos de que a empatia é constitucional em nós. Nosso sistema de circuitos neurais de empatia é geneticamente herdado e formado na primeira infância, mas pode também ser conscientemente desenvolvido depois.

A Ciência da Empatia chegou agora a um estágio em que podemos nos libertar da ideia convencional de que os seres humanos estão essencialmente interessados em seu próprio bem. Podemos descartar essa noção hobbesiana da natureza humana que foi um espectro assombrando nossas mentes por mais de trezentos anos, em particular, na história do pensamento econômico. As evidências científicas nos impelem a adotar a ideia de Smith de que nossos desejos egoísticos coexistem com nossas naturezas empáticas mais benevolentes.

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