Determinismo Histórico

revolucion_bolchevique

Publiquei neste modesto blog dois posts a respeito da Transição entre Modos de Produção e da Oscilação entre Civilização Ocidental e Civilização Oriental. Neste último, eu interpretei as séries temporais de longo prazo (milênios) que Thomas Piketty apresentou em seu livro “O Capital do Século XXI” e lancei uma provocação: o Capitalismo Liberal já era! Tem deadline para seu encerramento: em meados deste século (2050)! Viva o Capitalismo de Estado ou o Socialismo de Mercado!

Considerando as ascensões e as quedas de outras civilizações, que tiveram ciclos “meio” milenares, a dedução do “determinismo histórico” (sic) é o seguinte:

  1. República Romana (550aC-44aC)
  2. Império Romano Ocidental (44aC-476dC); ambos: Civilização Ocidental I
  3. Império Bizantino (476-1453)
  4. Império Chinês I (Dinastia Ming 1368-Guerras do Ópio Anglo-Chinesa: 1839-1842 e 1856-1860); ambos: Civilização Oriental I
  5. Império Anglo-Saxão ou Euro-Americano (1492-2050) ou Civilização Ocidental II
  6. Império Chinês II (1979-…) ou Civilização Ocidental II

Evidentemente, essa periodização foi mera provocação para reflexão e/ou debate: uma hipótese para ser falseada com pesquisa de dados, coleta de informações e reunião de argumentos.

Determinismo é o princípio segundo o qual todos os fenômenos da natureza estão ligados entre si por rígidas relações de causalidade e leis universais que excluem o acaso e a indeterminação. Segundo esse princípio, uma inteligência capaz de conhecer o estado presente do universo necessariamente estaria apta também a prever o futuro e reconstituir o passado.

Por sua vez, casualismo é a doutrina que considera o acaso uma ocorrência objetiva, inerente aos processos e eventos da natureza, e não uma mera incapacidade de compreensão científica ou uma expressão da ignorância humana em relação às verdadeiras causas de um fenômeno. O caráter do que é contingente abre a possibilidade de que alguma coisa aconteça ou não. Há fatos imprevisíveis ou fortuitos que escapam ao controle da mente humana.

A eventualidade, para a qual devemos estar preparados, é fruto da relação entre dois atributos imprevistos, cuja medida é baseada no afastamento de suas frequências em relação aos valores que teriam na hipótese de independência estatística. Então, é aquilo que ocorre de maneira eventual, circunstancial, sem necessidade, pois poderia ter acontecido de maneira diferente ou simplesmente não se ter efetuado.

O acaso quebra o princípio segundo o qual tudo no universo, até mesmo a vontade humana, está submetido a leis necessárias e imutáveis, de tal forma que o comportamento humano está totalmente predeterminado pela natureza. Nesse sentido, o sentimento de liberdade não passa de uma ilusão subjetiva.

Certa interpretação do pensamento marxista enfatiza a divisão estrutural da sociedade e vê os eventos históricos como determinados pelas condições econômicas da época em que ocorreram. Não considera a multiplicidade de elementos políticos e sociais presentes e a relação dialética existente entre eles.

Dialética é, em sentido bastante genérico, oposição, conflito originado pela contradição entre princípios teóricos ou fenômenos empíricos.

No platonismo, é o processo de diálogo, debate entre interlocutores comprometidos profundamente com a busca da verdade, através do qual a alma se eleva, gradativamente, das aparências sensíveis às realidades inteligíveis.

No aristotelismo, é o raciocínio lógico que, embora coerente em seu encadeamento interno, está fundamentado em ideias apenas prováveis, e por esta razão traz sempre em seu âmago a possibilidade de sofrer uma refutação.

No kantismo, é o raciocínio fundado em uma ilusão natural e inevitável da razão, que por isto permanece no pensamento, mesmo quando envolvido em contradições ou submetido à refutação.

No hegelianismo, é a lei que caracteriza a realidade como um movimento incessante e contraditório, condensável em três momentos sucessivos (tese, antítese e síntese) que se manifestam simultaneamente em todos os pensamentos humanos e em todos os fenômenos do mundo material

No marxismo, é a versão materialista da dialética hegeliana aplicada ao movimento e às contradições de origem econômica na história da humanidade.

Devemos recuperar esses significados mais filosóficos da dialética ou ficar com seu sentido pejorativo contemporâneo, isto é, como uma arte, um modo de discutir por meio de raciocínios especiosos – de aparência falsa, enganadores, enganosos, ilusórios, ou seja, verdadeiro ou justo apenas na aparência – e vazios?

Cabe acrescentar que, no platonismo, dialética ascendente é também o processo de elevação da consciência, que parte da realidade concreta em direção ao mundo inteligível. Estabelece-se por oposição à dialética descendente, que é o movimento característico do filósofo verdadeiro. Após haver contemplado o mundo inteligível, retorna à realidade cotidiana com um intuito didático.

Curiosamente, no kantismo, implica em uma crítica da ilusão natural e inevitável através da qual a razão julga poder ultrapassar a experiência sensível, determinando a priori as ideias de mundo e Deus – e do futuro predeterminado!

Uma “lei” proposta na Dialética da Natureza por Engels é: “A lei da transformação da quantidade em qualidade – e vice-versa”. Este processo é conhecido como fase de transição. Também se aplica essa lei para interpretar certos fenômenos sociais, por meio da ideia de que um novo modo de produção surge como resultado das mudanças na estrutura social, isto é, do antagonismo entre forças produtivas e relações de produção.

Considerando tudo isso, a previsão do materialismo dialético é um otimista devenir – tornar-se, começar a ser o que não era antes – em contrapartida a um olhar para o passado histórico pessimista. O futuro não é um fluxo permanente, movimento ininterrupto, atuante como uma lei geral do universo, que dissolve, cria e transforma todas as realidades existentes? Então o devenir, o vir a ser, com sucessivas conquistas de direitos da cidadania – civis, políticos, sociais e econômicos – será o socialismo e, depois, o comunismo? Antes, o Capitalismo de Estado e o Socialismo de Mercado? Onde estamos? Para onde vamos? Estamos perdidos?!

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