Introdução à Filosofia de Kant

immanuel_kant

No último semestre do meu curso de graduação na FACE-UFMG, tendo já sido aprovado no Concurso da ANPEC, para fazer a pós-graduação, eu tinha a opção de cumprir os créditos finais em disciplinas eletivas de qualquer outro curso. Aconselhado pelo João (“Campeão”) Machado, excelente aluno do ano anterior que já fazia um curso sobre Hegel com o Padre Vaz (criador da AP – Ação Popular – organização política que, em seus primórdios, antes de se tornar marxista-leninista, era católica e hegeliana), há quatro semestres, matriculei-me no meio dele. Para aproveitar o embalo, matriculei-me também no que era considerado o segundo melhor curso da FAFICH-UFMG: sobre Kant.

Chegando no meio da leitura do livro Enciclopédia das Ciências Filosóficas de Hegel e sem nenhuma Introdução à Filosofia, “boiei”… Só tirei um 10 (dez) com o Padre Vaz porque estudei muito para escrever um trabalho correto sobre a dialética do senhor-escravo.

Em busca do tempo perdido, tento agora estudar uma Introdução à Filosofia de Immanuel Kant (1724-1804). Apresento abaixo minhas anotações.

Como apresentar um argumento para provar que realmente há um mundo lá fora? René Descartes e George Berkeley consideravam que a comprovação de um mundo externo à nossa mente era impossível.

Descartes argumentou que, exceto o conhecimento de nossa própria existência como seres pensantes, devemos duvidar de todo o conhecimento, inclusive o de que há um mundo externo. Isso seria como provar a existência de um criador (“Deus”) e, por consequência, a realidade de um mundo externo.

Berkeley argumentou que o conhecimento possível provém das experiências que nossa mente percebe. Então, essas experiências não têm existência externa, isto é, fora de nossas próprias mentes.

Kant queria demonstrar que há um mundo externo, material, e que sua existência não pode ser posta em dúvida. Para que algo exista, deve ser determinável no tempo, isto é, devemos ser capazes de dizer:

  1. desde quando ele existe, e
  2. por quanto tempo.

Embora tenhamos um fluxo contínuo de sensações e pensamentos, usamos a palavra “agora” para nos referirmos ao que está acontecendo neste momento em nossas consciências. “Agora” não é um tempo ou data determinada, pois toda vez que digo “agora”, a consciência já é diferente.

Então, não podemos experimentar o tempo em si, diretamente, em vez disso, experimentamos o tempo por meio das coisas que se movem, mudam ou permanecem iguais. Todo recurso que tenho para medir o meu “agora”, constantemente em mudança, é encontrado nos objetos materiais fora de mim, no espaço, inclusive meu próprio corpo físico.

Logo, dizer que eu existo exige um determinado momento do tempo e isso, por sua vez, exige um mundo externo realmente existente no qual o tempo ocorre. Meu nível de certeza sobre a existência do mundo externo é, por conseguinte, igual ao meu nível de certeza sobre a existência da consciência – o que Descartes não colocava em questão!

Daí, Kant também investigou como a Ciência entendia o mundo exterior. Indagava-se o que era feito de maneira correta, na pesquisa científica, para ela avançar muito mais do que a disciplina filosófica. A resposta dada por muitos filósofos do período foi que o que as distinguia era o empirismo.

Os empiristas, tais como John Locke e David Hume argumentavam que não há conhecimento, exceto aquele que chega a nós através de nossa experiência do mundo. Eles se opunham às visões de filósofos racionalistas, como Descartes ou Gottfried Leibniz, que argumentavam que a capacidade da mente para raciocinar e lidar com conceitos é mais importante para o conhecimento do que a experiência.

Os empiristas afirmavam que o sucesso da Ciência se devia ao fato de os cientistas dedicarem suas observações sobre o mundo e fazerem menos suposições injustificadas baseadas apenas na razão. Kant dizia que isso era só parcialmente verdadeiro. A questão real era que um novo método científico surgiu e validou as observações empíricas.

Esse método científico envolve dois elementos:

  1. afirma que conceitos como força ou movimento podem ser perfeitamente descritos pela Matemática;
  2. testa seus próprios conceitos de mundo ao fazer perguntas específicas sobre a natureza e ao examinar as respostas.

Levanta-se uma hipótese pela razão e a testa pela experiência. É necessário criar um experimento para testá-la de tal maneira que a única explicação possível para o resultado observado seria a verdade ou a falsidade da hipótese.

As questões seguintes para Kant foram:

  • Por que razão nossa experiência de mundo é de tal forma que o método científico funciona?
  • Por que nossa experiência científica de mundo é sempre matemática na natureza?
  • Como é sempre possível para a razão humana apresentar questões à natureza?

Segue-se no próximo post.

Fonte: O Livro da Filosofia. São Paulo; Globo; 2011.

Leia maishttp://www.celebritytypes.com/immanuel_kant

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s