Determinantes do Voto: Regionalismo, Bairrismo ou “Curral Eleitoral”?

Currais Eleitorais 2014

O desempenho de Marina Silva em São Paulo é a principal base de apoio eleitoral como candidata à Presidência, do mesmo modo que os redutos do PT estão arraigados no Nordeste. O peso do eleitorado paulista – 22% do total brasileiro – equivale ao dos oito Estados nordestinos em que Dilma Rousseff lidera.

No entanto, a importância do Nordeste para o índice de intenção de voto da petista é um pouco maior do que a de São Paulo para Marina. De todos os virtuais votos de Dilma, 32% vêm dos Estados nordestinos à exceção de Pernambuco, onde as duas estão tecnicamente empatadas Do total da pessebista/redista, 28% vêm de São Paulo.

Marina fincou sua bandeira da “terceira via” (sic) em São Paulo, justamente o Estado que é o berço da polarização nacional entre PT e PSDB. Uma explicação para isso é o bairrismo paulista. Bairrista é que ou aquele que devota afeição especial ou exagerada à sua cidade ou ao seu estado e tem sentimentos e/ou atitudes de hostilidade ou de menosprezo para com as demais cidades ou os demais estados. Marina se aproveita do fato de que pela primeira vez, desde 1955, uma corrida presidencial não conta com um candidato competitivo oriundo de São Paulo.

A combinação de um eleitorado bairrista órfão, associado à alta rejeição de Dilma — porque os paulistas ignoram como constituem interesse estratégico, para o Estado de S.Paulo, os investimentos no petróleo do pré-sal da Bacia de Santos — e ao fato de Aécio Neves também ser mineiro, abriram caminho para a acreana Marina no Estado: é a chance do antipetismo ser vitorioso. Caso isso — a vitória do “contra” — ocorra, os paulistas “rasgarão o bilhete premiado” que propiciaria a economia paulista se tornar a maior produtora de petróleo no país e se beneficiar mais dos royalties!

Antes, a polarização entre tucanos e petistas, entre 1994 e 2006, se baseou em dois personagens paulistas – os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva – que não se reproduz em vários Estados.

Outra explicação para esse “curral eleitoral” é o conservadorismo da elite paulistana, formadora de opinião na capital paulista, o tal do “espírito paulistano“. No interior de São Paulo, Aécio e Marina estão empatados. O “tucanistão” é território dividido entre esnobes e alienados

Pior é o mimetismo dos esnobes de Brasília: a principal razão para um desempenho razoável da Marina em região do agro-negócio é a localização do Distrito Federal na região Centro-Oeste. Em 2010, a ex-senadora venceu no DF com quase 42% dos votos.

Cristian Klein (Valor, 22/09/14) informa que, de acordo com levantamento feito pelo Valor baseado nas últimas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha, Marina avançou sobre territórios tucanos. Sua liderança em São Paulo – Estado governado pelo PSDB há 20 anos e maior colégio eleitoral do país – é o principal responsável isolado pelo desempenho da pessebista. No primeiro turno de 2010, o então candidato tucano, José Serra, amealhou 40,7% dos votos paulistas, sua oitava maior votação percentual entre as 27 unidades da Federação. Hoje, no Estado, Aécio tem seu 13º melhor índice de intenções de voto, 15%. Os tucanos paulistas não fazem campanha para o tucano mineiro! Vingança…

 Apesar disso, o senador mineiro mantém a geografia eleitoral básica dos concorrentes tucanos ao Planalto. Entre seus redutos mais fortes estão o Sul, o Centro-Oeste, Minas e Espírito Santo, no Sudeste; e dois Estados do Norte afeitos ao PSDB: Rondônia e Roraima. Seus piores resultados são no Rio de Janeiro – assim também foi para Serra em 2010 – e na maior parte do Norte e Nordeste.

Essas duas regiões permanecem como os grandes bastiões do petismo, embora Dilma deva sair das urnas com votações mais modestas. No Amazonas, por exemplo, onde conseguiu o quarto melhor resultado há quatro anos, com 65% dos votos, a presidente aparece com 43% das preferências, seu 11º melhor índice. O núcleo duro de apoio continua sendo o trio Maranhão, Piauí e Ceará, nos quais a petista lidera com percentuais entre 56% e 61%. No primeiro deles, Dilma obteve seu recorde estadual em 2010, com 70,6%, o que dificilmente será repetido.

Isso porque, além de avançar em territórios tucanos, Marina também se espraia com mais desenvoltura que o PSDB em eleições anteriores sobre os tradicionalmente petistas Estados do Norte e Nordeste. As duas regiões formam o cinturão intermediário de apoio à ex-senadora. Os pontos fora dessa tendência situam-se nos extremos. De um lado está Pernambuco, terra de Eduardo Campos, a quem Marina sucedeu, após a morte dele, na cabeça de chapa do PSB, e que lhe dá o segundo melhor índice nas pesquisas (40%), atrás apenas de seu próprio Estado de origem, o Acre, onde arrebanha 49% das preferências. De outro lado, está o Rio Grande do Norte, onde Marina tem seu pior desempenho (22%), ao lado de Minas Gerais, único em que está isolada em terceiro lugar.

Dois Estados do Sul também se destacam pelo patamar mais baixo de apoio à candidata do PSB: Santa Catarina (24%) e Rio Grande do Sul (23%). Nestes dois colégios eleitorais, chama atenção uma melhora relativa da preferência por Dilma em relação a 2010. Mesmo acossada pelo crescimento da terceira via de Marina e em Estados geralmente de inclinação tucana, a petista avança ali, principalmente em Santa Catarina, onde desta vez é apoiada pelo governador, Raimundo Colombo (PSD), também candidato à reeleição.

Isso deve contribuir para que Dilma – apesar de enfrentar uma eleição mais difícil que em 2010 – vença em mais Estados. Há quatro anos, a petista terminou à frente dos adversários em 18. Agora, lidera com folga em 15 e aparece empatada em outros oito (sete com Marina e um com Aécio), sendo que em cinco deles está numericamente à frente. Por esses resultados, chegaria a 20 vitórias nas 27 unidades da Federação.

Marina lidera, fora da margem de erro, em quatro Estados – Acre, Distrito Federal, São Paulo e Espírito Santo – e empata com Dilma em sete. Em três deles aparece numericamente à frente: Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ou seja, o mais provável seria que a candidata do PSB vencesse sete ao todo, contra apenas um, o DF, conquistado em 2010. Dos seis a mais, Marina toma três territórios azuis, vencidos por Serra (SP, MS e AC) e três “vermelhos”, onde Dilma ganhou há quatro anos (PE, GO e ES). Estes três são estados agora com governadores hostis – dois do PSB (PE e ES) e um do PSDB (GO).

Se a presidenta Dilma pode perder Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, e ainda Minas, para Aécio, por outro lado, pode vencer em seis Estados onde ficou em segundo lugar em 2010: SC, MT, RO, MS, PR, RR. Desse modo, é Dilma quem deve avançar mais sobre o espólio dos oito territórios que foram de Serra: em cinco está à frente, com folga ou numericamente, em situação de empate técnico, e nos demais três é Marina que lidera.

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  2. Blog Poço 10

    Ação bilionária envolve Aécio e Anastasia na exploração de Nióbio

    seg, 22/09/2014 – 05:40

    Ação bilionária envolve Aécio e Anastasia na exploração de Nióbio em Araxá 11/05/2014

    Nióbio entregue

    O Nióbio, riqueza que poderia significar a redenção da economia mineira e nacional, foi entregue, através de operação bilionária e ilegal, a empresa estatal japonesa, Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um fundo de investimento coreano que representa os interesses da China. Este é o final de um ruidoso conflito instalado no centro do Poder de Minas Gerais que vem sendo, nos últimos dois anos, de maneira omissa e silenciosa, testemunhado pelo governador Antônio Anastásia.
    Aécio e a Codemig

    Desde 2002 o então governador e atual senador Aécio Neves entregou a condução das principais decisões e atividades econômicas do Estado de Minas a Oswaldo Borges da Costa, que assumiu a função estratégica de presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG). Criou um governo paralelo, onde as principais decisões sobre obras e investimentos das estatais CEMIG, COPASA, DER/MG, DEOP e das autarquias de MG ficaram a cargo de “Oswaldinho”.
    Palácio da Liberdade e os milionários

    Para sede da CODEMIG, caminharam nos últimos 10 anos investidores internacionais que tinham interesse no Estado. O Palácio da Liberdade transformou-se apenas em cartão postal e símbolo de marketing publicitário de milionárias campanhas veiculadas na mídia. Por trás deste cenário artificial operou um esquema de corrupção, que contou com a cumplicidade até mesmo da Procuradoria Geral de Justiça, que impedia a atuação do Ministério Público Estadual.
    Disputa entre família Neves fortuna duvidosa

    Foi necessária esta longa introdução, uma vez que à imprensa mineira jamais foi permitido tocar neste assunto para que se entenda o que agora, uma década depois, está ocorrendo.
    Após a morte do banqueiro Gilberto Faria, casado em segunda núpcias com Inês Maria, mãe de Aécio, iniciou uma disputa entre a família Faria e a mãe de Aécio, sob a divisão do patrimônio deixado. Oswaldo Borges da Costa, casado com uma das herdeiras de Gilberto Faria, passou a comandar inclusive judicialmente esta disputa.
    Diante deste quadro beligerante, as relações entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa acabaram, o que seria natural, pois Aécio fatalmente ficaria solidário com sua mãe. Mais entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa é público que existia muito mais, desta forma deu-se início a divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável.
    Origem da fortuna…

    No meio desta divisão estaria “a renda” conseguida e a conseguir através da diferença entre a venda subfaturada e o valor real no exterior do Nióbio. Peça chave neste esquema, a CBMM pertencente ao Grupo Moreira Salles, que sem qualquer licitação ou custo renovou o contrato de arrendamento para exploração da mina de Nióbio de Araxá pertencente ao Governo de Minas Gerais por mais 30 anos.
    Investidores não identificáveis?

    Meses depois venderia parte de seu capital a um fundo Coreano, que representa investidores, não identificáveis.

    RogerioCorreiaPara se ter idéia do que significou, em matéria de ganho, a renovação para Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que tem com atividade exclusiva a exploração da mina de Nióbio de Araxá – sem a mina cessa sua atividade – depois da renovação a empresa vendeu 15% de suas ações por R$ 2 bilhões, ou seja, levando em conta apenas o valor de suas ações a empresa valeria hoje R$ 28 bilhões, R$ 4 bilhões a menos que o Estado de Minas Gerais arrecada através de todos os impostos e taxas em um ano. Mas esta operação já havia causado desconfiança principalmente nas forças nacionalistas que acompanhavam de perto a movimentação.
    Acrescentando: “Circula por aí versão segundo a qual só as jazidas de nióbio dos “Seis Lagos” valem em torno de 1 trilhão de dólares. Necessário esclarecer que por sua localização e facilidade de exploração a jazida de Araxá vale muito mais que a “Seis Lagos”.
    CADE – Ministério da Justiça omisso, favorece as classes internacionais
    Evidente que o Ministério Público mineiro já está investigando esta renovação do arrendamento celebrado pela CODEMIG, porém, ela nada significa perto do crime praticado contra a soberania nacional que foi a venda de parte das ações da CBMM, dando poder de veto a uma empresa estatal japonesa. Foi uma operação cheia de irregularidades com a questionável participação de órgãos que deveriam fiscalizar este tipo de operação como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), subordinado ao Ministério da Justiça.

    A operação foi aprovada em prazo recorde e com base em um parecer de folha única, que desrespeitou toda legislação existente no País. A menor das irregularidades cometidas foi conceder “Confidencialidade” aos termos da operação aprovada. Foi desrespeitada a determinação legal para que não ocorra a cassação da autorização da sociedade estrangeira funcionar no País; esta deverá tornar público todos os seus dados econômicos, societários e administrativos, inclusive de suas sucursais (art. 1.140, CC).
    Sociedades estrangeiras funcionando no território brasileiro contrárias a ordem pública do Brasil
    E mais, conforme constante do artigo 1.134 do Código Civil, se faz necessária para que a sociedade estrangeira possa funcionar no território brasileiro prévio exame da legitimidade de sua constituição no exterior e a verificação de que suas atividades não sejam contrárias a ordem pública no Brasil.

    O Poder Executivo poderá, ou não, conceder a autorização para uma sociedade estrangeira funcionar no Brasil, estabelecendo condições que considerar convenientes à defesa dos interesses nacionais (art. 1.135, CC). Segundo a assessoria de imprensa do CADE, na tramitação da analise foi-se observado o regimento, evidente que um regimento não pode se sobrepor a lei.
    Por que o CADE não analisou a critério?
    Nada disto foi observado e agora, a exemplo da briga instaurada entre as famílias Faria e Neves, o divorcio entre Aécio Neves e Oswaldo Borges da Costa fatalmente se transformará num dos maiores escândalos da historia recente do País e poderá levar Minas Gerais a perder a propriedade sobre a jazida de Nióbio.
    Principalmente as Forças Armadas veem promovendo gestões para federalizar, a exemplo da Petrobras, a exploração de Nióbio.

    Relatórios comprovam esquema criminoso de subfaturamento do nióbio
    Relatórios confidenciais da Abim e da área de inteligência do Exército demonstram como operou o esquema criminoso de subfaturamento montado pela CODEMIG/ CBMM, através da Cia de Pirocloro de Araxá. A assessoria de imprensa da CBMM, da CODEMIG e do senador Aécio Neves foram procuradas e não quiseram comentar o assunto.
    O assunto “Nióbio” é amplo, não tendo como esgotá-lo em apenas uma matéria, desta forma Novojornal publicará uma série de reportagens ouvindo as diversas áreas envolvidas no tema.

    Nota da Redação (atualizado às 15:26 de 21/12/2012)O valor da venda de 15% da CBMM, ao contrário dos R$ 2 bilhões de reais, constante na matéria, foi de US$ 2 bilhões de dólares. Desta forma, 100% das ações da CBMM equivalem a US$ 28 bilhões de dólares, levando em conta que a arrecadação total anual do Estado de Minas Gerais é de R$ 32 bilhões de reais, o valor das ações da CBMM representa quase o dobro do arrecadado. (US$ 28 bilhões de dólares x R$ 2 reais = R$ 56 bilhões de reais).
    Sérgio Rocha no Poços10

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