Abuso Infantil: Doutrinação de Crianças Em Qualquer Religião

Criacionismo CristãoDarwinismoEvolucionismo Teísta

Os desenhos acima (Élder Galvão) em matéria de Reinaldo José Lopes (Folhinha, 18/10/14), dirigida às crianças , são tolerantes com o multiculturalismo. No entanto, deveria alertar que os criacionistas, quando não os católicos, são comumente intolerantes com os cientistas ateus.

“Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?” (epígrafe de Richard Dawkins em “Deus, um Delirio”).

Neste livro, Richard Dawkins, um dos intelectuais mais respeitados da atualidade, escreveu um texto sarcástico para atacar com muito fundamento o que considera um dos grandes equívocos da humanidade: a fé em qualquer entidade divina ou sobrenatural, seja Alá, seja o Deus católico, evangélico ou judeu.

“Se este livro funcionar do modo como espero, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem” , diz ele no prefácio — não sem reconhecer sua presunção. Dawkins admite que dificilmente convencerá os fiéis recalcados, mas quer, pelo menos, atingir aqueles que creem por inércia e fazê-los assumir o ateísmo com orgulho. Ele quer mudar o mundo, pois acha de modo científico que “outro mundo é possível”!

Para tal, o biólogo usa argumentos muito bem embasados para questionar a tese do design inteligente e a própria existência de Deus, sugerindo hipóteses darwinistas para nossa predisposição psicológica a acreditar em uma entidade divina. Por causa disso, Dawkins faz um apelo racional contra a doutrinação de crianças em qualquer religião. Para ele, o simples fato de dizermos “criança católica” ou “criança judia” é uma forma de abuso infantil, comparável até ao abuso sexual, tão absurdo como falar de “criança neoliberal”.

As provocações são propositais. Dawkins não trata questões religiosas com deferência. Um dos conceitos que ataca é justamente a ideia de que a religião mereça um respeito especial. Mas, se é agressivo para expressar sua indignação com o que considera um dos males mais preocupantes da atualidade, Dawkins refuta o negativismo. Ser ateu não é incompatível com bons princípios morais e com a apreciação da beleza do mundo. A própria palavra “Deus” ganha o seu aval na ressalva do “Deus einsteiniano”, e o maravilhamento com o universo e com a vida, já manifestado em seus outros livros, encerra a argumentação numa nota de otimismo e esperança.

Richard Dawkins nasceu em Nairóbi em 1941 e cresceu na Inglaterra. Formou-se pela Universidade de Oxford e deu aulas de zoologia na Universidade da Califórnia em Ber-keley. É titular da cátedra de Compreensão Pública da Ciência de Oxford. Dele, a Companhia das Letras publicou O relojoeiro cego, A escalada do monte Improvável, O capelão do diabo e Desvendando o arco-íris.

Deus, um delírio”, na edição em capa dura, foi amplamente considerado o best-seller-surpresa de 2006. Foi muito bem recebido pela grande maioria dos leitores que enviaram milhares de avaliações pessoais para a Amazon. A aprovação foi menos impressionante nas resenhas publicadas pela imprensa.

Um cínico poderia atribuir esse fato ao reflexo pouco criativo dos editores das resenhas: se o livro tem “Deus” no título, mande para a resenha de um devoto convicto. Seria, porém, cinismo demais. Várias resenhas desfavoráveis começavam com a frase que, há muito tempo, aprendi ser um péssimo sinal: “Sou ateu, MAS…”.

Como Dan Dennett ressaltou em “Quebrando o encanto”, um número desconcertantemente grande de intelectuais “acredita na crença”, embora não tenham eles mesmos a crença religiosa. Esses fiéis de segunda mão são frequentemente mais zelosos que os originais, o zelo inflado pela tolerância simpática: “Ora, não tenho a mesma fé que você, mas respeito-a e me solidarizo com ela”.

“Sou ateu, MAS…” A continuação é quase sempre inútil, niilista ou — “pior — coberta por uma negatividade exultante. Note, aliás, a diferença em relação a outro gênero favorito: “Eu era ateu, mas…”. Esse é um dos truques mais velhos destacados no livro, adotado por apologistas da religião, desde C. S. Lewis até hoje. Serve para dar logo de cara uma sensação de credibilidade, e é incrível como funciona tantas vezes. Fique de olho.

11 thoughts on “Abuso Infantil: Doutrinação de Crianças Em Qualquer Religião

  1. O darwinismo ou neodarwinismo enfrenta inúmeras dificuldades desde o ponto metodológico até o empírico. Convido o senhor assistir alguns debates e exposições de filósofos, teólogos e cientistas que são contra a teoria evolucionista darwinista, tais como John Lennox, William Lane Craig e Michael Behe, entre outros.

    • Prezado Gustavo,
      ciência é construída a partir de hipóteses que os cientistas tentam falsear para ver se continuam consistentes. Senão, substituem por outras que passam a ser testadas.

      Religião, seja o criacionismo, seja o teísmo, coloca sua fé ou crença em dúvida? Se não procederem assim, teólogos ou filósofos não são cientistas.

      Então, não usam o método científico para falsear a Teoria Evolucionista. Apelam para crença ou fé que não é argumento para ateu…
      att.

  2. Professor,

    Nenhum desses que eu citei apela para a fé apenas. Com relação a argumentos de Dawkins citados no texto, eles já foram inúmeras vezes refutados por Alvin Plantinga, John Lennox, William Lane Craig, entre outros.

    Convido ao senhor, a pesquisar sobre Michael Behe, um bioquímico que fez o experimento sobre o flagelo bacteriano, chegou à conclusão que o evolucionismo darwinista não existe.

    Então, podemos perguntar por que a teoria evolucionista darwinista ainda é pregada como a verdade absoluta na maioria das escolas e universidades do mundo? Eu te respondo: por mera questão ideológica. Não existe diálogo aberto entre evolucionistas e criacionistas. Diversos professores de universidades americanas foram demitidos apenas por serem a favor do Design Inteligente. Basta o senhor assistir ao documentário “Expelled: No Intelligence Allowed”.

    Abraço.

    • Gustavo, sugiro que pesquise um pouco mais sobre a “complexidade irredutível”, proposta por Bihe. Existem excelentes vídeos até em português sobre o tema que o expõe como uma falácia lógica. Behe não provou nada, ele apenas apelou para o desconhecido e hoje, temos boas hipóteses do processo evolutivo do flagelo bacteriano.

  3. Está bem claro que o nosso amigo comentarista Gustavo é um fervoroso cristão. E comete o mesmo erro de todos aqueles que “acreditam” nesta pseudociência chamada criacionismo: dizer que o criacionismo não seja aceito por uma questão meramente ideológica.

    Portanto, é muito importante compreender que a controvérsia da criação versus evolução é uma disputa cultural, política e teológica recorrente sobre as origens da Terra, da humanidade, da vida e do universo. É tudo isso, menos uma disputa científica ou um debate entre teorias concorrentes. Pois o criacionismo não é teoria científica sob nenhum aspecto da definição do que seja uma.

    • Está bem claro que o argumento de nosso amigo Warlei Alves é falacioso. Ele, sem nenhuma fonte, apenas recorrendo ao senso comum, ao argumento de autoridade, diz que o criacionismo é uma pseudociência; sem contar com sua afirmação “fervoroso cristão”, na qual parece insinuar que ser um fervoroso cristão fosse antônimo de uma pessoa que reconhece a autoridade do método científico — como se a fé cristã fosse equivalente à fé cega.
      Parece que nosso amigo é um fervoroso leitor da revista Super Interessante e afins.
      Sugiro ao nosso amigo procurar os estudiosos supracitados.

      P.S.: Caro, Wanderlei Alves, sou fervoroso cristão e, por isso,prezo pela Verdade e um debate franco, sem estratagemas erísticos.

      • Prezado Gustavo,
        fé cristã não é como qualquer outra fé? Não é uma mera questão de crença religiosa sem fundamento científico?

        Para a Igreja católica e outras instituições religiosas, o criacionismo é a doutrina baseada no Gênesis bíblico, segundo a qual o mundo foi criado por Deus a partir do nada, e todos os seres vivos tiveram criação independente e se mantêm biologicamente imutáveis…

        É possível aceitar as provas científicas da Teoria da Evolução darwinista e manter a crença no criacionismo?!

        Se é, isto quer dizer “fé cega” aos fatos…
        att.

      • Professor,

        felizmente, a fé cristã não é baseada meramente em fé. Se fosse, provavelmente, já teria sido atropelada pelo Ateísmo e sua vertente moderna (Neoateísmo, como chamam) e posta sob o completo escárnio.

        O cerne da fé cristã, como declarou Ap. Paulo (1Co 15), é a ressurreição de Jesus de Nazaré. Quer derrubar o cristianismo? Mostre que o Messias não ressuscitou — simples assim. Felizmente, existem evidências históricas acerca da ressurreição de Jesus de Nazaré, as quais não podemos desprezar. Cito, por exemplo, “Assessing the New Testament Evidence for the Historicity of the Resurrection of Jesus” (p. 462) de William Lane Craig. Se o senhor tiver interesse, pode ler os argumentos resumidos neste link: . É claro que a investigação histórica utiliza outros parâmetros diferentes daqueles utilizados em experimentos em tubo de ensaio, portanto provar, como 1+1=2, é muito difícil em pesquisas históricas.

        Apesar de haver teólogos que dizem ser possível harmonizar a narração bíblica e o Darwininismo, particularmente, não acho ser possível. Isso porque, o Darwinismo considera que as aves evoluíram do mesmo ancestral comum dos répteis — isto é, primeiro emergiram os animais terrestres da água, para só depois surgirem répteis e aves. Enquanto isso, em Gênesis 1:21-25, está escrito que os primeiros animais criados foram os aquáticos e os voadores. Destaco que Moisés escreveu “todas as aves”, de modo que todas elas surgiram antes do primeiro réptil.

        Apesar de acreditar não ser possível harmonizar as duas explicações, sou muito aberto ao debate, podendo mudar de opinião. Entretanto, como já disse, os adeptos do criacionismo têm apontado inúmeras dificuldades na teoria darwinista e por isso têm elaborado a teoria do Design Inteligente, como uma proposta científica do criacionismo, baseada estritamente em critérios científico-filosóficos da falseabilidade. W. L. Craig debateu sobre o assunto, no qual ele deixa isso claro, basta acessar: .

        Saudações.

      • Prezado Gustavo,
        descobertas científicas se chocam com a fé. Daí, os crentes não permitem avançar a discussão científica, preferindo ficar no obscurantismo.

        O biólogo evolucionista Richard Dawkins, no livro “Deus, Um Delírio”, fez uma crítica científica à crença do “Design Inteligente”. Ela não é reconhecida pelos cientistas como “uma proposta científica do criacionismo”, pois não é falseável de acordo com os crentes ou “tementes de Deus”…
        att.

        PS: Hinduístas, Budistas, Judeus, Zoroastrianos, Cristãos e Islâmicos adotam o monoteísmo, concorrendo entre si, mas por que se esqueceram dos deuses antigos, cada qual para explicação com base no sobrenatural de um fenômeno da natureza ainda não compreendido? Por isso, os maias tinham onze, os egipcios, doze, os incas, vinte e oito, os gregos, trinta e quatro (contando as divindades), o hinduismo, oito, os romanos, dezessete, daí, tanto o islamistas quanto os cristãos, reduziram tudo a um único, embora no caso desses últimos, ele pode ser, ao mesmo tempo, três!

        Enfim, louvo todos os deuses, bebo meu bom vinho, e deixo o mundo ser mundo… em sua “santa ignorância”!

      • Falácias, em síntese, são afirmações falsas. É necessário que se esclareça.

        Por mais que eu me esforce para ser autocrítico, ainda não consigo perceber onde meu argumento cometa esta falha. Visto que é fato notório que o criacionismo seja, sem sombra de dúvida, pseudociência. Falácia comete alguém que usa o espantalho da negativa ideológica como justificativa para a rejeição daquilo que não oferece uma explicação convincente e não tem impacto acadêmico. A rejeição daquilo que é defendido meramente por uma questão de fé e ou ideológica.

        Em ciência não há espaço para suposições ou imposições de ordem ideológica; Trofim Lysenko que o diga. O rigor do método científico não deixa espaço para este tipo postura. Não é, portanto, uma questão ideológica, mas de método.

        O método científico preconiza que para se chegar a uma conclusão (que está no fim) devemos investigar e analisar os fatos. Já o criacionismo, nada científico, parte de uma conclusão (que está no início). E sua tática consiste em procurar elementos que corroborem suas alegações, apropriando-se indevidamente de resultados e análises de estudos científicos sérios; outras vezes usando de fontes obsoletas de informação, alegações ou citações fora de contexto ou tendo o seu contexto deliberadamente omitido, uso incorreto da matemática, falácias de toda ordem, estimativas pra lá de tendenciosas e análises simplificadas.

        O que me espanta é alguém acreditar que o mundo acadêmico, em escala global, esteja envolvido em um conluio para deliberadamente rejeitar uma hipótese que seja plausível. A razão que me guia não me permite sequer considerar tal possibilidade.

        E acho ainda mais espantoso a capacidade que as ideologias têm para cegar e destruir o senso crítico de alguns.

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