Taxa Natural de Crescimento e de Desemprego

Esmagamento humano

Taxa natural de crescimento, no modelo de Harrod e Domar, é aquela que corresponde à taxa de crescimento da força de trabalho empregada. Mantendo fixos os coeficientes das funções de produção, de acordo com a visão da síntese-neoclássica, a taxa natural é a máxima taxa de crescimento sustentado da renda ou produto real. Ela é composta pela taxa de crescimento da população mais o progresso técnico de trabalho extensivo.

Taxa natural de desemprego, em contrapartida, é a taxa de desemprego que não pode ser reduzida pela elevação da demanda agregada. De acordo com a abordagem da Curva Vertical de Phillips, qualquer tentativa de reduzir essa taxa resultaria em processos de aceleração inflacionária. Ela é também definida como o desemprego remanescente depois de ter sido alcançado o pleno emprego, ou seja, economia de mercado nunca emprega todo o mundo!

Isso tem um sentido lógico. Por exemplo, quando um setor produtor de bens intermediários chega ao pleno-emprego, ele não terá mais capacidade física de entregar os insumos demandados por setor produtor de bens finais. Logo, este não alcançará o pleno emprego, ficando com capacidade produtiva ociosa. Em outras palavras, em uma economia diversificada, setorialmente, nunca ocorreria pleno emprego!

Questionando a constatação econométrica original do Arthur Phillips, o guru monetarista Milton Friedman levantou a hipótese de que as expectativas adaptativas dos trabalhadores não observam os salários nominais, mas sim os salários reais, isto é, seu poder aquisitivo futuro. Então, suas demandas de reposição salarial seriam feitas para compensar as taxas esperadas de inflação. Sendo assim, não haveria um trade-off (troca conflituosa) entre as mudanças na taxa nominal de salários e o nível de desemprego, supondo que este refletiria a disposição dos trabalhadores se empregarem – em vez de, como é realista, as decisões dos empregadores os contratarem para ocupar a capacidade produtiva.

A elevação da demanda agregada, devido ao aumento do gasto público, estimula os empregadores a contratar mão-de-obra, diminuindo o desemprego. Com o aumento do nível do emprego, os salários aumentam por causa do maior poder de barganha sindical. Supondo que não ocorra nenhum aumento da produtividade, os custos salariais maiores são repassados para os preços. Em seguida, os salários reais diminuem e, frustrados em seu poder-de-compra, o desemprego volta para o patamar anterior.

Entretanto, permanece uma taxa de inflação superior naquele nível de desemprego natural, pois aqueles trabalhadores que permanecem empregados formulam suas demandas salariais mais elevadas com base nas expectativas de futura elevação de preços. Se não se adotar uma política de combate à inflação, essa “taxa de inflação de equilíbrio” (sic) permanecerá. Caso contrário, a redução do emprego elevará a taxa de desemprego para um nível acima da taxa natural.

NAIRU é sigla em inglês para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment que é a Taxa de Desemprego Não-Aceleradora da Inflação. Apesar dela nunca ter sido quantificada, essa idealização buscava explicar a estagflação nos anos 1970.

A Curva de Phillips, teoria até então aceita na sua forma original, assegurava que há uma relação inversa entre inflação e desemprego. Quando um índice aumenta, o outro deve cair. No período de estagflação, entretanto, as economias desenvolvidas tiveram elevação simultânea dos dois indicadores.

A NAIRU é a taxa de desemprego à qual é associada inflação estável. Se U* é a NAIRU e U a taxa de desemprego corrente, a teoria afirma que:

  1. se U < U* por algum tempo, as expectativas inflacionárias aumentam, e a inflação tende a se acelerar;
  2. se U > U* por algum tempo, as expectativas inflacionárias caem, e a inflação tende a se desacelerar; e
  3. se U = U*, a taxa de inflação tende a permanecer a mesma, a não ser que ocorra um choque exógeno.

Para Edmond Phelps e Milton Friedman, a NAIRU é a taxa de desemprego natural, para a qual a economia converge. A NAIRU é associada a um produto potencial máximo, o nível mais alto de produção que pode ser sustentado no longo prazo. Desta forma, a Curva de Phillips assume a forma de uma reta vertical. A inflação se acelera quanto mais abaixo da NAIRU for o desemprego.

De acordo com a NAIRU, mesmo durante a ocorrência de produção máxima a economia pode apresentar desemprego involuntário. Essa ocorrência é explicada pela natureza do mercado de trabalho, no qual o equilíbrio efetivo pode se dar a uma taxa salarial mais elevada que o equilíbrio natural do mercado, graças ao poder de negociação dos sindicatos.

Este é o credo ortodoxo. Cruz credo! O desemprego que provocam em nome dessa fé…

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