Fundamentalismo X Modernização

Homofobia

Karen Armstrong conclui a apresentação do livro Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo (Tradução: Hildegard Feist. São Paulo; Companhia das Letras; 2001), dizendo que, no século XVIII (Era da Razão, do Iluminismo e das Revoluções Burguesas: Industrial Inglesa, Americana e Francesa), europeus e americanos alcançaram tamanho sucesso no campo da ciência e da tecnologia que começaram a ver o logos como o único meio de se chegar á verdade e o mythos como falso e supersticioso.

Também é verdade que o mundo novo que estavam construindo contradizia a dinâmica da antiga espiritualidade mítica. A experiência religiosa no mundo moderno mudou, e, considerando verdadeiro unicamente o racionalismo científico, um número cada vez maior de indivíduos com frequência tem tentado transformar em logos o mythos de sua fé. Os fundamentalistas vêm fazendo a mesma tentativa. Essa confusão tem gerado mais problemas.

Precisamos entender como nosso mundo mudou. Assim, a primeira parte deste livro de Karen Amstrong focaliza o final do século XV e o início do XVI, quando os europeus ocidentais passaram a desenvolver sua nova ciência. Examina também a devoção mítica da civilização agrária pré-moderna a fim de compreender o mecanismo, das velhas formas de fé.

No admirável mundo novo, a religião convencional está ficando muito difícil. A modernização sempre foi um processo doloroso. As pessoas se sentem alienadas e perdidas quando ocorrem em sua sociedade mudanças fundamentais que tornam o mundo estranho e irreconhecível. Karen Armstrong estuda o impacto da modernidade sobre:

  1. os cristãos na Europa e na América,
  2. os judeus e
  3. sobre os muçulmanos do Egito e do Irá.

Com esse conhecimento, estaremos em condições de avaliar o que os fundamentalistas pretendiam quando se puseram a criar essa forma de fé no final do século XIX.

Os fundamentalistas acreditam que estão combatendo forças que ameaçam seus valores mais sagrados. No decorrer de uma guerra dificilmente uma das partes em luta tem uma visão clara da posição da outra. Não há empatia.

No livro de Karen Armstrong vemos que a modernização levou a uma polarização da sociedade, mas às vezes, para evitar uma escalada do conflito, precisamos tentar compreender o sofrimento e as percepções do outro lado.

Para quem, como eu, aprecia as liberdades e as conquistas da modernidade, não é fácil entender a angústia que elas causam nos fundamentalistas religiosos. Contudo a modernização muitas vezes implica agressão, em vez de libertação.

Pouca gente sofreu mais que os judeus no mundo moderno. Assim, Karen Armstrong começa sua narrativa por seu doloroso embate com a sociedade modernizadora da cristandade ocidental, no final do século XV, que levou alguns deles a recorrer a muitos dos estratagemas, das posturas e dos princípios que posteriormente se generalizariam no mundo novo.

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