Concentração Bancária 2006-2014

Níveis de Concentração Bancária jun 2006-jun 2014

Por que a concentração bancária é alta no Brasil? Para facilitar a vida dos analistas do sistema bancário, gente como eu! Analiso uma “amostra representativa” de apenas 4 bancos e já estou falando sobre 3/4 do sistema! Analiso mais 1/2 dúzia e digo a respeito de 90% do sistema! 🙂

E essa atividade de analista de banco está cada vez mais fácil. Depois da crise de 2008, eu, você, nós e nossos conhecidos, todos são clientes do BB e/ou da Caixa e/ou do Itaú e/ou do Bradesco. Fora as “viúvas” do Real e do Banespa, que persistem no Santander, quem mais você conhece que não prefere “banco grande demais para falir”?

Para o monitoramento sistemático dos níveis de concentração do segmento bancário do Sistema Financeiro Nacional, o Banco Central do Brasil utiliza o Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH) e a Razão de Concentração dos quatro maiores (RC4) e dos dez maiores participantes (RC10) nos ativos totais, nas operações de crédito e nos depósitos totais do segmento.

O IHH é utilizado pelas autoridades nacionais e internacionais de defesa da concorrência como instrumento acessório na avaliação de níveis de concentração econômica. Conforme o Guia para Análise de Atos de Concentração, divulgado pelo Comunicado nº 22.366, de 27 de abril de 2012, o BCB considera que mercados que registraram valores para o IHH situados entre 0 e 0,1 são considerados de baixa concentração; entre 0,1 e 0,18, de moderada concentração; e acima de 0,18, de elevada concentração. O IHH é obtido pelo somatório do quadrado da participação de cada instituição financeira (IF) no mercado considerado: IHH = (IF1)2 + (IF2)2 + … + (IFn)2.

O RC4 e o RC10 representam a participação acumulada dos quatro e dos dez maiores concorrentes, respectivamente, em cada mercado.

Os valores dos indicadores de concentração do segmento bancário relativos ao primeiro trimestre de 2014 (março de 2014), para cada um dos três agregados contábeis considerados, são os seguintes:

  • IHH:

– Ativos totais: 0,1387

– Operações de crédito: 0,1599

– Depósitos totais: 0,1644

  • RC4 (BB, Itaú-Unibanco, Bradesco, Caixa):

– Ativos totais: 70,45%

– Operações de crédito: 75,06%

– Depósitos totais: 76,21%

  • RC10:

– Ativos totais: 89,61%

– Operações de crédito: 91,69%

– Depósitos totais: 91,35%

Diante dos dados acima apresentados, percebe-se que, para os três agregados contábeis, o IHH manteve-se dentro do intervalo considerado como de moderada concentração, segundo referência adotada pelo Banco Central do Brasil, uma vez que os valores mantiveram-se entre 0,1 e 0,18.

Concentração Bancária por Origem de Capital mar 2014

Os gráficos 4.3.1, 4.3.2 e 4.3.3 apresentam a evolução de junho de 2006 a junho de 2014 do IHH, do RC4 e do RC10, do segmento bancário para cada um dos agregados considerados.

Para auxiliar as análises envolvendo os níveis de concentração do segmento bancário, na tabela 4.3.1 e no gráfico 4.3.4 constam as participações por tipo de controle nos saldos das operações de crédito do segmento, que abrange exclusivamente bancos múltiplos com carteira comercial, bancos comerciais e Caixa Econômica Federal.

Por meio do gráfico 4.3.4, é possível perceber que as participações dos bancos públicos no mercado de crédito mantiveram a tendência de crescimento iniciada no segundo semestre de 2011. Observa-se, também, mediante os gráficos 4.3.1 a 4.3.3, que os indicadores de concentração relativos a operações de crédito apresentaram continuidade, em movimento ascendente iniciado no segundo semestre de 2011.

Fonte de Dados: Foram considerados os valores da coluna “Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil Total”, para o macrossegmento Bancário 1 do relatório “50 maiores bancos e o consolidado do Sistema Financeiro Nacional” (Top50), disponível no sítio do Banco Central.

2 thoughts on “Concentração Bancária 2006-2014

  1. Professor, boa tarde. O sr. considera esse fator como o principal para termos taxas de juros tão altas no Brasil?

    • Prezado Diego,
      não acredito que a concentração bancária seja o maior determinante da alta taxa de juros dos empréstimos, inclusive porque o BB e a Caixa, que estão entre os quatro maiores bancos, têm taxas menores do que os bancos médios e pequenos…

      Na realidade, o alto custo do funding tem como referência a taxa básica Selic que determina a mais elevada taxa de juros real do mundo. Considerando a inflação projetada para os próximos 12 meses, o ranking do juro real é: 1º. Brasil: 4,46%; 2º. China: 3,52%; 3º. Índia: 2,27%; 4º. Rússia: 1,98%.

      Como o BRIC têm isso em comum, é o caso de pensar que “tirar o atraso histórico” por parte dos países emergentes pressiona a demanda de crédito para a alavancagem financeira dos projetos. Pressiona também a demanda agregada face a uma capacidade produtiva ainda delimitada, porém em processo de diversificação contínuo. Logo, tanto as mudanças de preços relativos provocam inflação de custos quanto a pressão de demanda pressiona o IGP. O Banco Central reage sempre elevando a Selic, dado o trauma histórico com a inflação e a convenção pró-austeridade nas últimas duas décadas.
      att.

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