Planejamento da Vida Financeira

PGBL X VGBL

Érica Polo (Valor, 15/12/14) avalia que, para chegar à aposentadoria em situação considerada ideal não há outra receita além da combinação entre disciplina e planejamento – de preferência, de longo prazo. Apesar de as pessoas enfrentarem realidades distintas, com rendas e necessidades diferentes ao longo da vida, há um cenário ideal comum que é manter o padrão de vida. De preferência, viver sem aperto financeiro caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar.

Para isso seria recomendável aposentar-se em condições de receber mensalmente uma renda equivalente a, no mínimo, 70% do último salário. Seria o suficiente para bancar gastos básicos. Esse dinheiro poderá vir de mais de um canal: do INSS e de produtos como os de previdência privada ou outros tipos de investimentos financeiros e da venda ou aluguel de imóveis. Uma combinação de todos – mais de um canal de renda e o acúmulo de patrimônio – seria o cenário ideal, na visão de especialistas.

Uma importante diretriz é poupar entre 10% a 30% da renda mensal obtida no presente para a economia relacionada à aposentadoria. É claro que a renda recebida no futuro dependerá também do tempo de acúmulo, mas esse é um bom parâmetro. É necessário também prudência, para ir além desse teto, porque senão a pessoa corre o risco de ficar inadimplente no presente.

O fator tempo é fundamental já que quanto mais cedo for possível começar, maior será o volume de recursos. O ideal é começar a investir com cerca de 20 anos. Nesse caso já se pode pensar em guardar 10% da renda, e a previdência é uma opção de ferramenta, fora o que for direcionado para o INSS. Há quem conte com a vantagem de ter pais preocupados com isso. Por exemplo, deposita R$ 100 mensais em um fundo destinado à terceira idade para a filha ainda criança. Esse não é um caso comum, já que a maior parte das pessoas no Brasil não está acostumada a fazer planejamento de tão longo prazo.

Outro aspecto importante é não se ater apenas ao benefício do governo. Como raramente as pessoas conseguem receber o teto do INSS ao se aposentarem – e mesmo se conseguissem o valor não seria suficiente em para manter o padrão de vida em muitos casos -, é importante apostar em caminhos complementares.

Nesse cenário, a previdência privada se apresenta como alternativa interessante devido aos benefícios fiscais. Os usuários não pagam o come-cotas semestral como nos fundos de investimentos e há também os benefícios do PGBL, por exemplo. Quem faz a declaração completa de Imposto de Renda e destina até 12% de sua renda anual tributável para planos nos moldes do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) paga menos imposto no presente.

No entanto, o melhor seria contratar um conselheiro financeiro ou obter Educação Financeira. Dessa forma o investimento em previdência ou em outro produto financeiro será customizado. É possível uma analogia entre planos de previdência e de academias de ginástica: “Você pode se matricular e fazer o treino que o professor do local indica. Ele vai te passar treinos padrão, que serão ótimos e vão funcionar. Mas se você contratar um personal trainer, os exercícios serão bem mais específicos. É similar na previdência”.

O detalhe pode ser o diferencial no futuro. Uma pessoa pode economizar o mesmo valor que outra, só que ter a saúde mais delicada. Esse fator exigirá que ela faça economia extra, por exemplo. Saúde, lembram os especialistas, é um item muito relevante à medida que o tempo passa e há quem esqueça de considerá-la com a devida importância.

Também deve entrar na lista fazer uma reserva para o presente. Seria o equivalente, no mínimo, à poupança de seis meses de salário atual. Se a pessoa perder o emprego não avançará nos recursos da aposentadoria. Esse montante deve ser até maior e equivalente a um ano do salário atual. Como nem sempre a renda é suficiente para garantir a situação ideal, a recomendação é tentar garantir ao menos o INSS e uma complementação.

Geralmente ao longo da vida também há um esforço para ter ao menos a casa própria, o que alivia despesas com moradia lá na frente. E ter um teto garantido em caso de desemprego.

Outra dica fornecida pelos especialistas é olhar não apenas para a renda, mas também para gastos. Pode ser que a pessoa não ganhe dinheiro suficiente para pensar em tudo o que é proposto na situação ideal de aposentadoria, mas será que não poderia redirecionar para a aposentadoria algum gasto desnecessário?

As pessoas acham que patrimônio em imóveis é fundamental. O pensamento foi reforçado nos anos recentes. Mas deve-se lembrar que, na década de 1990, se “perdeu” muito nesse setor imobiliário. Em fase de juros altos e ajuste fiscal, adeus “bolha imobiliária”!

Inaldo Cristoni (Valor, 15/12/14) informa que uma pesquisa sobre os hábitos de poupança do brasileiro revela:

  1. as preferências de investimento entre os que se preocupam em guardar parte do rendimento para o futuro,
  2. o desconhecimento de muitos sobre as regras da aposentadoria pelo INSS e
  3. a intenção de alguns em adquirir um plano de previdência complementar.

Reforça, também, a importância da educação financeira para que as pessoas possam fazer o seu planejamento financeiro com base na identificação de suas necessidades de curto, médio e longo prazos.

Esse retrato é traçado pela pesquisa Previdência Privada no Mercado Brasileiro, da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que representa 75 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar. Realizada pelo Instituto Ipsos, compilou dados a partir de 1,5 mil entrevistas pessoais domiciliares, representando o universo do mercado de consumidores brasileiros. Foram ouvidas pessoas com idade entre 20 e 60 anos ou mais, de todas as classes sociais, diferentes níveis de escolaridade e residentes nas cinco regiões do Brasil.

Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados consideram prioridade fazer uma reserva financeira para futuro, enquanto a maioria (68%) não se preocupa em guardar dinheiro. Do universo de domicílios que poupam, 52% guardam 10% do orçamento familiar por mês, 26% reservam entre 10% e 20% do que ganham e apenas 2% dos lares conseguem fazer reservas iguais ou superiores a 40% do rendimento. O planejamento doméstico financeiro é uma realidade em 44% dos domicílios e a média de recursos guardados é de R$ 626,15 por mês.

A pesquisa indica que situações imprevisíveis preocupam 66% dos entrevistados, mas apenas 31% dizem tomar alguma medida de precaução a eventuais ocorrências. A principal delas são as aplicações financeiras, opção mencionada por 36% das pessoas. Nesse item, a caderneta de poupança se destaca como a modalidade de aplicação preferida por 85% dos consultados. Os fundos de investimentos foram citados por 5% das pessoas e os planos de previdência complementar ficaram com 3%.

A pesquisa mostra outro dado relevante. As pessoas contribuem para a Previdência Social, mas muitas têm dúvidas sobre como funcionam as regras de aposentadoria pelo INSS. Da mesma forma, elas conhecem pouco sobre a previdência complementar aberta e fechada, embora já tivessem ouvido falar em PGBL e VGBL. O grande desafio é investir em educação financeira para que as pessoas possam entender melhor a situação em que se encontram e definir o investimento necessário para se manter no futuro.

Algumas ações estão sendo implementadas com foco em Educação Financeira:

  1. a parceria com as escolas, que contempla a inclusão do tema na grade curricular dos alunos;
  2. as palestras e seminários organizados pelas organizações associadas à Fenaprevi; e
  3. o desenvolvimento de um game pela entidade, que estará disponível em sua página na internet no próximo ano.

Trata-se de uma forma lúdica para as pessoas entenderem melhor a importância de se fazer investimento de longo prazo.

Apesar de ocupar a terceira colocação na preferência dos entrevistados, a Previdência Complementar tem potencial para aumentar a sua penetração no mercado. A pesquisa sinaliza para essa tendência: apenas 3% revelaram possuir plano de previdência complementar, dos quais 18% são das classes A e B e residentes nas regiões Sul (18%) e Sudeste (16%). Entretanto, 21% dos ouvidos manifestaram a intenção de contratar um plano algum dia, 16% disseram que pensam em iniciar investimentos nessa modalidade nos próximos cinco anos e 5% demonstraram interesse em fazer adesão nos próximos 12 meses.

O levantamento mostra que 22% dos consultados conhecem algo sobre o tema. Mas além do conhecimento, outros fatores são considerados fundamentais para o crescimento do mercado de previdência complementar. Nascimento cita a diversificação da carteira de produtos, a flexibilização das regras relacionadas à alocação de ativos e a distribuição de renda. A ascensão das classes D e E e as contratações com carteira também contribuíram para o avanço dessa modalidade.

A Previdência Complementar contabiliza 17 milhões de participantes e as reservas em plano de previdência aberta ultrapassaram R$ 400 bilhões em setembro de 2014.

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