Índia

Taj_Mahal,_Agra,_India

Em torno de 6500 a.C., houve o início da agricultura. Entre 3300-1500 a.C., ocorreu a ascensão e o desaparecimento da civilização do Vale do Indo ou Civilização Harappa. A provável chegada das tribos indo-arianas foi entre 1500-1200 a.C., sendo que o Período Védico, com ascensão da civilização hindu no norte da Índia e composição dos vedas vai até 600 a.C.. O período de vida de Buda foi 566-486 a.C.. Daí finca-se dois marcos históricos fáceis de memorizar: de 500 a.C. até 100 d.C. houve a composição do épico Ramaiana e de 400 a.C. até 400 d.C. houve a composição do Mahabárata. Foi quando foi feita a compilação gramática do sânscrito desses dois épicos fundadores da cultura-e-costumes indianos.

A história da civilização hindu é uma das mais antigas e fascinantes do mundo. Mas a Índia tem um dos mais novos Estados de países emergentes: apenas 65 anos de independência política.

A diversidade que compõe a Índia atrai qualquer pessoa que almeja ampliar seus conhecimentos. Florência Costa, autora do livro Os Indianos (Coleção Povos & Civilizações; São Paulo; Editora Contexto; 2012), experiente jornalista e correspondente internacional do jornal O Globo na Índia entre 2006 e 2012, transmite muito bem todo esse fascínio.

“O que há de mais interessante para ver na Índia é de fato o seu povo: os mais variados tipos étnicos, que falam línguas diferentes, se vestem cada um a sua maneira e rezam para deuses distintos. É gente que não acaba mais. Uma em cada seis pessoas dos sete bilhões de habitante do planeta é indiana. E em duas décadas, eles vão ultrapassar o número dos chineses. A demografia parece estar a seu favor, enquanto a China envelhece a passos largos”.

Fascinante também é a comparação de costumes que, naturalmente, o leitor brasileiro vai fazendo durante a leitura do ótimo livro para quem deseja ter um conhecimento geral sobre esse grande país emergente. Por exemplo, “os indianos têm uma habilidade única de lidar com a diversidade e o caos. Já houve quem descrevesse o país como uma anarquia funcional. (…) Assim como o ‘jeitinho brasileiro’, o jugaad [literalmente, ‘tentar fazer algo funcionar’] é tido pelos indianos como uma qualidade e ao mesmo tempo um defeito”. É aclamado como uma prova do talento dos indianos em improvisar quando é necessário. Mas seu jeitinho também é acusado de ser a razão de tudo o que há de malfeito na Índia.

A Tropicalização Antropofágica Miscigenada brasileira é também indianizada!

We are like this only [‘Nós somo assim mesmo’]. É assim que os indianos se descrevem. O only no final da frase é uma indianização do inglês para enfatizar o seu jeito de ser diferente. (…) Uma frase-mantra que resume muito bem a forma como a Índia mastiga as influências externas e as regurgita. Há quem questione se os indianos não estão se ocidentalizando demais e perdendo suas feições originais. Mas outros argumentam que o país faz hoje o que sempre fez em sua longa história de invasões externas: absorve, mas indianiza o que vem de fora, seja na comida, na língua, nas roupas ou no comportamento”.

Eu, de maneira menos elegante, digo que o Bispo Sardinha – metáfora para as “ideias que vieram de fora” – foi devorado pelos tupiniquins e, em seguida, vomitado sob nova forma adequada ao ambiente local. Esse é o nosso “caldo-de-cultura”…

A pirâmide da complexa hierarquia casteísta figura em textos milenares e segue uma regra básica: os indivíduos não são iguais. Existe uma rígida escala determinada pelo nascimento da pessoa, e nada vai mudar isso, independentemente do seu sucesso social ou econômico na vida. Por tradição, as castas eram formadas por pessoas que, hereditariamente, executavam o mesmo trabalho de seus antepassados, passando de pai para filho, e mantinham a identidade através do casamento dentro da mesma casta.

Os indianos passaram a usar a palavra casta por influência dos portugueses, que chegaram à Índia, liderados por Vasco da Gama, a partir do século XV. A tradicional pirâmide social hindu têm os brâmanes (religiosos e mestres) no topo, seguidos pelos xátrias (guerreiros, governantes e reis) e pelos vaixás (comerciantes). Essas são as três varnas (do sânscrito, “cor”) da elite, que eram as categorias sociais que se ramificaram em milhares de castas, chamadas de jati em sânscrito. Em quarto lugar, estão os shudras (trabalhadores braçais), as chamadas castas baixas. Pela tradição, eles teriam a obrigação de servir aos que estavam acima deles. Abaixo de todos estavam os “intocáveis”, como eram chamados até o fim da colonização britânica: eles eram tão desprezados que não constavam do sistema de casta. Eram os marginalizados, chamados hoje de dalits (oprimidos), termo politicamente correto popularizado para ressaltar a opressão histórica a que eram (e são) submetidos. O termo acabou substituindo a expressão harijan (filhos de Deus), criada por Mahatma Gandhi, rejeitada pelos dalits, que o consideravam paternalista.

Mas a divisão da sociedade em quatro grupos já não é mais capaz de explicar a complexidade da Índia moderna. Está ocorrendo muita mobilidade social, principalmente via indústria de tecnologia de informações. Porém, a herança cateísta ainda é clara: a maioria dos dalits é pobre, e o grosso da elite indiana é composto pelas castas altas.

Os mais poderosos empresários indianos tendem a pertencer às comunidades de mercadores. Mas cada vez mais poderosas castas camponesas ascenderam ao migrar para a atividade industrial. O nicho achado pelos brâmanes se localiza, principalmente, nas empresas que lidam com conhecimento, como as de tecnologia de informações.

A origem exata do sistema de castas continua um enigma. Teria surgido, supostamente, durante o período Védico, entre os anos 1500 e 600 a.C., quando foram produzidos os Vedas, textos religiosos. Por volta do século IV d.C., o Manusriti, espécie de código de conduta, codificou as castas. Nele havia conceitos sobre comida pura e impura, ritos de casamento e punições diferenciadas por castas para quem desafiasse o que estava escrito.

A Constituição da Índia independente defende princípios democráticos e seculares, e tornou ilegal a discriminação baseada nas castas. Mas Florência Costa ressalta que “o sistema sobreviveu e acabou contribuindo para a construção de uma psique coletiva que enfatiza a lealdade dentro de subgrupos e a obsessão por hierarquias e rankings. Na esfera estritamente pessoal, o preconceito resiste mesmo entre a classe média urbana, principalmente na hora de casar. Mas as amizades são cada vez menos definidas por castas”.

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