Mitologia e Filosofia Indiana

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Em um país com uma civilização tão antiga quanto a indiana, história e mito estão colados.

Rama é a encarnação de Vishnu, um dos principais deuses do panteão hindu, e também herói-protagonista do poema épico mais popular da Índia: o Ramaiana.

Os milenares textos épicos são sagrados. Não há megaprodução de Hollywood que possa rivalizar com qualquer filme de Bollywood (indústria cinematográfica indiana) inspirado no Ramaiana ou no Mahabárata, o outro grande épico do país. Os épicos são constantemente reinventados e reinterpretados, constituindo grandes sucessos de audiência na televisão indiana.

O Ramaiana, ou “A Viagem de Rama”, teve várias interpretações durante os séculos. A principal mensagem do poema é a importância do darma, ou seja, o dever moral e religioso de cada um: um conceito fundamental da filosofia hindu. A obediência cega de Rama ao pai, por exemplo, e a submissão de sua vontade pessoal à família são exemplares em uma sociedade em que essa é a instituição mais poderosa.

O Ramaiana é tão importante que a Índia para por cinco dias, todos os anos, no mês de outubro, para comemorar a volta de Rama do exílio. É o Divali (Festival de Luzes) e também o Ano-Novo hindu, o maior de todos os feriados indianos. É comemorado com pompa, inclusive nos país onde há a presença da diáspora indiana. Une a troca de presentes, tal como no Natal ocidental, com visitas familiares, muita comida e festança na rua. Em um país onde os apagões são diários, as cidades costumam ficar na penumbra à noite. Mas no Divali, Rama é o soberano e ninguém economiza energia elétrica. A escuridão sai de cena, e as cidades se iluminam, inclusive com intensas chuvas de fogos de artifício.

O segundo épico mais popular da Índia é o mais longo poema do mundo com 100 mil versos, ou seja, sete vezes mais que os gregos Ilíada e Odisseia juntos e quinze vezes maior que a Bíblia. Mahabárata pode ser traduzido como “A Grande História da Índia”. Maha significa “grande”, Bhárat é o outro nome oficial do país.

Uma parte especial do épico, a Bhagavad Gita, ou “Canção Sagrada”, é o mais conhecido e celebrado texto em sânscrito. Esta é língua indo-europeia do sub-ramo indo-ariano, que se supõe ter sido falada no norte da Índia até meados do primeiro milênio a.C., e que foi descrita pelo gramático hindu Panini no século IV a.C.. É a língua indo-europeia de registro escrito mais antigo. Sua descoberta, no século XVIII, deu nascimento à linguística histórico-comparativa e à indo-europeística, quando se perceberam as suas semelhanças com o grego antigo, o latim, o persa antigo e o gótico. É uma das línguas sagradas do bramanismo (ao lado do védico) e língua literária e, como tal, permaneceu durante muito tempo, mesmo quando já não era mais falada. É até hoje a língua do culto brâmane.

Bhagavad Gita é a escritura mais influente de toda a extensa filosofia hindu. Krishna – encarnação do deus Vishnu – responde à pergunta existencial de um general: “é correto travar uma guerra, sabendo-se de antemão que muitas vidas serão aniquiladas?” Sim, ele deve cumprir o seu darma, o seu dever. Não se pode ignorar a sua missão, deve-se lutar, não importando as consequências.

Krishna proclama, assim, a necessidade de todos seguirem os deveres de sua casta. Não há salvação individual fora da responsabilidade social.

O Mahabárata apresenta super-heróis motivados pelas três metas da vida, segundo a filosofia hindu:

  1. o darma, o seu dever;
  2. o artha, a prosperidade material;
  3. o kama, os prazeres dos sentidos.

O que mais atrai nele até hoje é o conflito. Não o físico, mas sim o confronto simbólico entre:

  1. o bem e o mal;
  2. o certo e o errado;
  3. o dever social-religioso e a vontade pessoal.

Dentro da sua narrativa de guerra, o Mahabárata reúne quase todos os valores e sentimentos humanos. Orienta, historica e espiritualmente, os indianos.

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