História da Índia

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No Período Védico, por volta do século V a.C., as pequenas tribos do Planalto do Ganges e de regiões do noroeste haviam se consolidado em 16 grandes oligarquias e monarquias que eram conhecidas como os mahajanapadas. A urbanização crescente e as ortodoxias desta época também criaram os movimentos de reforma religiosa do budismo e do jainismo, sendo que ambos se tornaram religiões independentes.

O budismo, com base nos ensinamentos de Gautama Buda, atraiu seguidores de todas as classes sociais, com exceção da classe média; as narrações da vida de Buda foram fundamentais para o início do registro da história indiana. O jainismo entrou em destaque na mesma época durante a vida de seu “Grande Herói”, Mahavira. Em uma época de crescente riqueza urbana, ambas as religiões levantaram a renúncia aos bens materiais como um ideal e estabeleceram monastérios de longa duração.

Politicamente, por volta do século III a.C., o Reino de Mágada tinha anexado ou reduzido outros Estados para emergir como o Império Máuria. Já se acreditou que esse império controlou a maior parte do subcontinente com exceção do extremo sul, mas agora acredita-se que as suas regiões centrais eram separadas por grandes áreas autônomas. Os reis máurias são conhecidos tanto pela construção do seu império e determinação na gestão da vida pública, quanto pela renúncia de Asoka do militarismo e de sua promoção do darma budista.

A literatura sangam, escrita em tâmil, revela que entre 200 a.C. e 200 d.C. o sul da península estava sendo governado pelas dinastias Cheras, Cholas e Pandyas, que comercializavam extensivamente com o Império Romano e com o Sudoeste e o Sudeste da Ásia.

Nesse período o território do país também se tornou parte da Rota da Seda, uma rede de rotas comerciais que ligava o Extremo Oriente à Europa. Por essas estradas os comerciantes indianos vendiam tecidos e especiarias para mercados da Ásia Central, enquanto monges e peregrinos budistas vinham da China, até o período das Grandes Navegações, em torno de 1500 d.C., quando ligações comerciais marítimas foram criadas entre o Ocidente e o Oriente.

No norte da Índia, o hinduísmo afirmou o controle patriarcal familiar, o que levou ao aumento da subordinação das mulheres. Até os séculos IV e V, o Império Gupta havia criado um complexo sistema fiscal e de administração nos grandes planaltos do Ganges, que se tornou um modelo para reinos indianos posteriores.

Sob os governos dos Guptas, um hinduísmo renovado baseado na devoção ao invés da gestão ritualística começou a se estabelecer. A renovação se refletiu em um florescimento da escultura e da arquitetura, que encontrou patronos entre uma elite urbana. A literatura sânscrita clássica floresceu e ciência, astronomia, medicina e matemática indianas tiveram avanços significativos.

A idade medieval indiana, de 600 d.C. a 1200 d.C., é definida por reinos regionais e pela diversidade cultural. Nenhum governante desse período foi capaz de criar um império unificado e os territórios sob seu controle geralmente não passavam muito além de sua região central. Durante este tempo, povos de pastoreio cujas terras tinham sido liberadas para abrir caminho para a crescente economia agrícola foram acomodados dentro do sistema de castas, assim como as novas classes dominantes não tradicionais. O sistema de castas, consequentemente, começou a mostrar as diferenças regionais.

Nos séculos VI e VII, os primeiros hinos devocionais foram criados na língua tâmil. Eles foram imitados por toda a Índia e levaram ao ressurgimento do hinduísmo e ao desenvolvimento de todas as línguas modernas do subcontinente.

A realeza indiana, grande e pequena, e os templos por ela frequentados, atraíram cidadãos em grande número para as principais cidades, que tornaram-se também importantes centros econômicos. Templos em cidades de vários tamanhos começaram a aparecer em todos os lugares ao mesmo tempo que a Índia passava por outra era de urbanização.

Pelos séculos VIII e IX, os efeitos disso foram sentidos no Sudeste da Ásia, conforme os sistemas culturais e políticos do sul da Índia eram exportados para terras que se tornaram parte dos atuais Myanmar, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Malásia e Java (Indonésia). Comerciantes, estudiosos e às vezes exércitos indianos envolveram-se nesta transmissão cultural. Os asiáticos do sudeste do continente também tomaram a iniciativa e organizaram muitas peregrinações para os seminários indianos, além de terem traduzido os textos budistas e hindus para os seus respectivos idiomas.

Após o século X, clãs nômades muçulmanos do centro da Ásia usaram cavalaria de guerra e organizaram vastos exércitos unidos pela etnia e religião para invadir, repetidamente, as planícies do noroeste da Ásia Austral, levando à criação do islâmico Sultanato de Déli em 1206.

O sultanato controlou grande parte do norte da Índia e fez muitas incursões ao sul do subcontinente. Embora tenha sido perturbador para as elites indianas, o sultanato deixou a vasta população não muçulmana sujeita às suas próprias leis e costumes.

Ao repelir repetidamente os invasores mongóis, no século XIII, o sultanato salvou a Índia da devastação experimentada pela Ásia Central e Ocidental. Possibilitou séculos de migração de soldados, homens instruídos, místicos, comerciantes, artistas e artesãos que vinham em fuga daquelas regiões para o subcontinente indiano, criando assim uma cultura indo-islâmica sincrética no norte do país.

A invasão do sultanato e o enfraquecimento dos reinos da região do sul da Índia abriram o caminho para o Império Vijayanagara. Abraçando uma forte tradição xivaísta e construído sobre a tecnologia militar do sultanato, o império passou a controlar a maior parte da Índia peninsular e foi influente na sociedade do sul do país por muito tempo.

No início do século XVI, já na Era Moderna, o norte da Índia, na época sob domínio principalmente muçulmano, caiu novamente para a superioridade da mobilidade e do poder de fogo de uma nova geração de guerreiros da Ásia Central. O subsequente Império Mogol não erradicou as sociedades locais que passou a governar, mas as equilibrou e pacificou através de novas práticas administrativas e de elites dominantes diversas e inclusivas, levando a uma lei mais sistemática, centralizada e uniforme por todo o império.

Evitando sua identidade tribal e islâmica, especialmente durante o governo de Akbar, os mogóis uniram seus reinos distantes através da lealdade, expressa através de uma cultura influenciada pela Pérsia e de um imperador que tinha importância quase divina. As políticas econômicas do Estado Mogol arrecadava a maior parte das receitas fiscais do império do setor agrícola e determinavam que os impostos deviam ser pagos em moedas de prata oficiais, o que causou a entrada de camponeses e artesãos em mercados maiores.

A relativa paz mantida pelo império, durante grande parte do século XVII, foi um dos fatores que ajudaram na expansão econômica da Índia nesse período, o que resultou em investimentos maiores em pintura, além de obras literárias, têxteis e de arquitetura. Novos grupos sociais homogêneos, no norte e no oeste da Índia, como os marathas, os rajputs e os sikhs, ganharam ambições militares e de governo durante o domínio mogol, que, através da colaboração ou da adversidade, deu-lhes reconhecimento e experiência militar.

A expansão do comércio durante o governo mogol deu origem às novas elites comerciais e políticas ao longo das costas do sul e do leste do país. À medida que o império se desintegrou, muitas dessas elites foram capazes de manter seus negócios sob controle.

Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calecute, na costa ocidental do subcontinente indiano, o marco inicial de uma relação luso-indiana que duraria cerca de 500 anos. Em 1510, o explorador português Afonso de Albuquerque amplia os territórios portugueses com a conquista de Goa, que rapidamente se tornaria a capital do Estado Português da Índia, isto é, uma entidade política parte do Império Português.

A Índia Portuguesa, como a colônia lusitana também era conhecida, inicialmente abrangia todos os territórios conquistados pelos portugueses no Oceano Índico. Depois, ficou restrita à Costa do Malabar, em territórios como Goa, Damão, Diu, Ilha de Angediva, Dadrá e Nagar Haveli, Simbor e Gogolá.

No início do século XVIII, com a linha entre a dominação comercial e política cada vez mais tênue, uma série de empresas comerciais europeias, como a Companhia Britânica das Índias Orientais, haviam estabelecido postos nas regiões costeiras do país. O controle dos mares, maiores recursos, treinamento militar e tecnologia mais avançados levaram a Companhia Britânica das Índias Orientais a aumentar cada vez mais a sua força militar e tornar isso atraente para uma parcela da elite indiana. Esses dois fatores foram cruciais para permitir que a Companhia Britânica ganhasse o controle sobre a região de Bengala, em 1765, e marginalizasse as outras empresas europeias concorrentes.

O acesso maior às riquezas da Bengala e o subsequente aumento da força e do tamanho de seu exército permitiram à Companhia das Índias Orientais anexar ou subjugar a maior parte do subcontinente indiano durante os anos 1820. A Índia então parou de exportar bens manufaturados e, em vez disso, passou a abastecer o Império Britânico com matérias-primas.

Esse momento é considerado por muitos historiadores o início do período colonial no país. Por esta altura, com seu poder econômico severamente restringido pelo parlamento britânico, a Companhia começou a entrar mais conscientemente em áreas não econômicas, como educação, reforma social e cultura.

Os historiadores consideram que a Era Contemporânea da Índia começou em algum momento entre 1848 e 1885. A nomeação, em 1848, de James Broun-Ramsay, Lord Dalhousie, como governador-geral do Companhia das Índias Orientais preparou alterações essenciais na transição do país para um Estado moderno.

Estas mudanças incluíram a consolidação e a demarcação da soberania, a vigilância da população e a educação dos cidadãos. Mudanças tecnológicas — como as ferrovias, os canais e o telégrafo — foram introduzidas no país não muito tempo depois de sua introdução na Europa.

No entanto, a insatisfação com a Companhia também cresceu durante este período e definiu a Revolta dos Sipais, em 1857. Alimentada por diversos ressentimentos e percepções entre a população, como as invasivas reformas sociais ao estilo britânico, altos impostos sobre propriedades e o tratamento sumário de alguns príncipes e fazendeiros ricos, a revolta abalou muitas regiões do norte e do centro da Índia e sacudiu os alicerces do governo da Companhia.

Embora a rebelião tenha sido reprimida em 1858, ela levou à dissolução da Companhia das Índias Orientais e a administração da Índia passou a ser exercida diretamente pelo governo britânico. Além de proclamarem um Estado unitário e um sistema parlamentarista limitado, inspirado pelo parlamento britânico, os novos governantes também protegeram príncipes e aristocratas como uma salvaguarda contra uma possível agitação feudal futura. Nas décadas seguintes, a vida pública emergiu gradualmente em toda a Índia, levando à fundação do Partido Congresso Nacional Indiano, em 1885.

A corrida tecnológica e a comercialização da agricultura, na segunda metade do século XIX, foi marcada por muitos contratempos econômicos — muitos pequenos produtores tornaram-se dependentes dos caprichos de mercados distantes. Houve um aumento no número de grandes crises de fome e, apesar dos riscos do desenvolvimento de uma infraestrutura suportada pelos contribuintes indianos, pouco emprego industrial foi gerado para a população.

Houve também efeitos salutares: cultivos comerciais, especialmente na região recém-canalizada do Punjabe, levaram a um aumento da produção de comida para o consumo interno. A rede ferroviária, desde o alívio da crise de fome, ajudou a reduzir o custo dos bens móveis e auxiliou a nascente indústria indiana.

Após a Primeira Guerra Mundial, onde alguns milhares de indianos serviram, um novo período começou. Ele foi marcado por reformas britânicas, mas também por:

  1. uma legislação mais repressiva;
  2. reivindicações cada vez mais estridentes da população indiana por independência; e
  3. começo de um movimento não violento de não cooperação, do qual Mahatma Gandhi se tornaria o líder e símbolo de resistência.

Durante os anos 1930, uma lenta reforma legislativa foi promulgada pelos britânicos e o Congresso Nacional Indiano saiu vitorioso nas eleições seguintes. A década posterior foi cheia de crises:

  1. a participação indiana na Segunda Guerra Mundial,
  2. o impulso final do Congresso para a não cooperação com os britânicos, e
  3. uma onda de nacionalismo muçulmano.

Todos foram coroados com o advento da independência em 1947, mas ao custo de uma violenta divisão do subcontinente em dois Estados: Índia e Paquistão. Vital para a autoimagem da Índia como uma nação independente foi a sua constituição, concluída em 1950, que colocou no lugar da antiga colônia britânica uma República Secular e Democrática.

Nos 60 anos seguintes, a Índia teve um resultado misto de sucessos e fracassos. Manteve-se uma democracia com liberdades civis, uma Suprema Corte ativista e uma imprensa, em grande parte, independente.

A liberalização econômica, que teve início na década de 1990, criou uma grande classe média urbana e transformou a Índia em uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, o que aumentou a influência geopolítica do país. Filmes, músicas e ensinamentos espirituais indianos desempenham um papel cada vez maior na cultura mundial.

No entanto, o país também tem sido oprimido por:

  1. uma pobreza aparentemente inflexível, tanto no meio rural quanto no urbano;
  2. violência religiosa e entre castas;
  3. grupos insurgentes de inspiração maoísta chamados naxalitas;
  4. separatismo em Jammu e Caxemira e no Nordeste da Índia.

O país tem disputas territoriais não resolvidas com a China, que se deterioraram até a guerra sino-indiana de 1962, e com o vizinho Paquistão, em guerras travadas em 1947, 1965, 1971 e 1999. A rivalidade nuclear entre a Índia e o Paquistão veio à tona em 1998. As liberdades democráticas sustentadas da Índia são destaques entre as novas nações do mundo. No entanto, apesar de seus sucessos econômicos recentes, a liberdade de sua população desfavorecida continua a ser um objetivo a ser alcançado.

Fonte: Wikipedia

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