Demografia Indiana

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A Índia tem uma das leis trabalhistas mais rígidas do mundo, que torna difícil a demissão de trabalhadores. A contrapartida é que os empregadores evitam a formalização das contratações.

Nenhuma cena simboliza mais a informalidade do trabalho na Índia do que a imensa quantidade de trabalhadores que dorme nas ruas das grandes cidades. Alguns até parecem mendigos, mas não são. Como ganham pouco, eles evitam gastos diários com transportes em ida-e-volta até suas residências.

A classe média tem à sua disposição um imenso exército de reserva de serviçais (staff), despreparados, mas muito baratos. É justamente essa mão de obra servil que sustenta a vida confortável e rica da elite. Até a classe média tem condições de contratar motoristas.

Há um para cada função, uma divisão que muitas vezes tem ligação com as suas castas. Assim, um dalit limpa o banheiro, outro limpa o chão da casa, outro limpa o pó dos móveis e outro cozinha. Esta não aceita limpar, que é coisa para as castas muito baixas. Todos trabalham diariamente, inclusive fim-de-semana e feriados, para ganhar no final do mês salários de subsistência (US$ 10 a US$ 20), sem nenhum contrato ou direitos trabalhistas. Eventualmente, uma empregada que dorme na casa, cozinha e faz faxina diária pode ganhar entre US$ 50 e US$ 80 por mês.

A Índia tem 4,75 milhões de empregados domésticos: 72% deles são mulheres, incluindo meninas adolescentes que trabalham 12 horas por dia sem folga. É comum as famílias explorarem os “agregados”, supostamente tratados como “parentes”, mas na realidade explorados como escravos domésticos.

Uma massa de trabalhadores mal pagos constrói os projetos de infraestrutura da Nova Índia. Um batalhão de quase 50 milhões, boa parte migrantes da empobrecida Índia rural e refugiados de países vizinhos, como Bangladesh, que entram ilegalmente no país.

Os operários, pinçados por intermediários em bazares matinais de trabalho, parecem ter sido congelados na Era Medieval. As técnicas de construção, no geral, são atrasadíssimas. Por exemplo, poucos têm o privilégio de contar com a ajuda de carrinhos de mão!

Desde a conquista de sua Independência, o país escolheu dar ênfase ao ensino superior e assim produziu uma elite especializada. A massa de desqualificados só era capaz de ser empregada na agricultura. Hoje, a Índia paga a conta e tenta reverter o problema.

A taxa de alfabetização subiu de 18% em 1951 para 52% em 1991, quando outros países da Ásia, como Coréia do Sul e Tailândia, já atingiam mais de 90%. Para implementar a Lei do Direito da Educação, que garante ensino gratuito de maneira compulsória para todas as criança de 6 a 14 anos, não há professores suficientes. Há escassez de 1,2 milhão de professores. Por isso, o nível de ensino é baixíssimo.

Em curso superior, a Índia forma três milhões de graduados por anos, além de mais de 350 mil pós-graduados. Hoje, quase 14 milhões de indianos estão matriculados em Universidades, quase três vezes mais do que em 1990. Esses números absolutos são o dobro dos referentes ao Brasil, porém a população brasileira é menos que 1/6 da indiana.

A meta oficial é aumentar os matriculados em Ensino Superior para 45 milhões até 2020. Por isso, há muitas “fábricas” de diplomas entre as quase 8 mil instituições de ensino. Sente-se, agora, a necessidade de controlar sua qualidade, pois 75% dos formandos em Engenharia não estão aptos para trabalhar. Se considerar os graduados de todas as áreas, 85% deles não têm preparo para conseguir empregos nas indústrias globais. O grande desafio dos indianos será ampliar o seu sistema de ensino para qualificar a sua imensa mão de obra.

O país ainda atravessa o “bônus demográfico”, um círculo virtuoso para a jovem Índia: 600 milhões, metade da população, tem menos de 25 anos. O crescimento da população vai diminuindo a proporção de dependentes (crianças e idosos), que vem caindo desde meados dos anos 1960.

O indiano médio terá apenas 29 anos em 2020. Na China, a idade média será de 37 anos, na Europa Ocidental, 45 anos, e no Japão, 48 anos. A população trabalhadora da Índia vai ganhar 136 milhões de pessoas até 2020, enquanto a China vai crescer menos de 23 milhões. A população chinesa só vai começar a declinar no fim dos anos 40 deste século XXI.

Embora a demografia esteja a favor da Índia, para aproveitar essa vantagem, o país terá que oferecer saúde e educação a essa massa potencial de trabalhadores. Como a cada ano 10 milhões de jovens se tornam aptos a entrar no mercado de trabalho, o desafio é criar no mínimo um milhão de empregos por mês!

Segundo Florência Costa, “as multidões são uma característica inescapável da vida indiana”. Em outubro de 2011, foi anunciado que o mundo tinha 7 bilhões de habitantes: 17,5% deles vivem na Índia, em apenas 2,4% do território global. A cada dez anos, enquanto a China ganha 74 milhões de pessoas, a Índia ganha 181 milhões: “quase um Brasil”.

[O Brasil tem, atualmente, uma população de mais de 202,7 milhões de habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi divulgado no dia 30/12/2014 no Diário Oficial da União. Em números absolutos, são 202.768.562 de pessoas, cerca de 12 milhões a mais do que o registrado pelo instituto no censo de 2010, representando um acréscimo de 5,9%. A Região Sudeste é a mais populosa, com 85,1 milhões de habitantes. A região menos populosa é a Centro-Oeste, com 15,2 milhões de pessoas. A Região Norte tem 17,3 milhões de pessoas, enquanto o Nordeste tem 56,1 milhões. Já a Região Sul conta com 29 milhões de habitantes. São Paulo é o estado mais populoso entre os 26 da federação e o Distrito Federal, com 44 milhões de habitantes.]

A Índia está no meio de uma transição demográfica. A diferença entre a Índia e a China em termos de população diminuiu de 238 milhões de habitantes em 2001 para 131 milhões em 2011. A China continua o país mais populoso do mundo, com 1,35 bilhão, mas vai perder a liderança para a Índia em 2025, quando o país estará com 1,46 bilhões.

No entanto, a Índia está na rota da estabilização de sua população. Ela deve começar a declinar a partir de 2060, quando haverá 1,7 bilhão de indianos.

Embora tenha sido levantada a hipótese de que “os apagões sistemáticos são os responsáveis pelo aumento da população, pois quando não há luz não há nada para fazer a não ser produzir bebês”, a taxa de fertilidade indiana caiu de 3 filhos por mulher em 2000 para 2,5 em 2010. A meta oficial é baixar a 2 filhos por mulher até 2015, através de campanhas de conscientização.

Desde os anos 1970, o governo indiano tenta desacelerar o ritmo de crescimento de sua população. Houve desde tentativas de convencimento até agressivas campanhas de esterilização forçada e incentivos para vasectomia. Como os resultados eleitorais foram desastrosos, a maior democracia do mundo nunca adotou um política de proibição de filhos como na China, pois seria um suicídio político.

A saída não é a coerção, mas o consenso sábio. No Estado indiano com mais alto índice de alfabetização, conseguiu-se alcançar uma taxa de nascimentos menor até do que o da própria China, sem precisar recorrer a qualquer imposição autoritária.

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