Depreciação da Moeda Nacional: Déficit Externo ou Inflação

Bota-fora de dólares

José de Castro (Valor, 8/1/15) avalia que a queda de 11,4% do real ante o dólar em termos nominais em 2014 certamente ajudou a aproximar a taxa de câmbio do chamado “nível de equilíbrio”, aquele que, em tese, mantém relativamente estável o passivo externo. Mas a taxa ainda está a uma distância importante do “ótimo”, considerando-se alguns modelos de cálculos. Segundo analistas, tal desalinhamento não pressupõe necessariamente um ajuste à frente, que só deve ocorrer se o governo resolver problemas de competitividade que permeiam a cadeia econômica.

A alta do dólar no exterior ajuda a ajustar o câmbio, mas é insuficiente, já que o fortalecimento da moeda americana atinge outras divisas de países que disputam com o Brasil espaço no comércio de bens e serviços.

O conceito de taxa de equilíbrio tem variações de acordo com os modelos utilizados pelas instituições financeiras. Algumas tratam a taxa de equilíbrio como aquela que coloca o déficit em transações correntes em um determinado ponto que estabiliza a dívida bruta. Outras preferem o conceito segundo o qual a trajetória de piora nas transações correntes é estabilizada. Continue reading “Depreciação da Moeda Nacional: Déficit Externo ou Inflação”

Perdas Contábeis do Banco Central em Operações de “Swaps” Cambiais em 2014

Swap dolar X real

Alex Ribeiro (Valor, 15/01/15) informa que as perdas contábeis sofridas pelo Banco Central em operações de “swaps” cambiais em 2014 tiveram um impacto estimado em 0,3 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) na dívida bruta, piorando aquele que hoje é o principal indicador de solvência do setor público.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que esses instrumentos cambiais, que passaram a ser vendidos em 2013 para conter a alta do dólar, custaram aos cofres públicos R$ 17 bilhões em 2014. Esse é o montante líquido de recursos que o BC depositou na BM&FBovespa ao longo do ano passado para honrar os ajustes em US$ 109,5 bilhões em contratos de “swaps” cambiais em mercado, pela posição de 31 de dezembro de 2014.

Essa despesa é contabilizada como encargos da dívida pública e afeta o resultado nominal do setor público. E é um dos fatores que influenciam a dívida bruta, que saltou de 56,7% do PIB para 63% do PIB em 2014. Continue reading “Perdas Contábeis do Banco Central em Operações de “Swaps” Cambiais em 2014″

Custo do Hedge Cambial

Remessas de Lucros e Dividendos O regime de câmbio flexível contém o próprio antídoto contra a fuga de capitais: a depreciação da moeda nacional encarece muito o custo de oportunidade entre repatriar capital, comprando dólares mais caros, e mantê-lo internamente.

José de Castro e Sílvia Rosa (Valor, 23/12/14) informam que a nova rodada de desvalorização cambial, em dezembro de 2014, deveria impactar o volume de remessas de lucros e dividendos que as multinacionais enviariam para suas matrizes no exterior no fim do ano. Alguns bancos notaram um aumento na demanda por proteção contra a variação cambial (“hedge“), especialmente por setores que importam insumos, como o farmacêutico. No ano de 2014, até 23 de dezembro, o dólar subiu 14,68% em relação ao real. Só no último mês, a moeda acumulava alta de 4,81%, depois do pico de R$ 2,7341, em 16 de dezembro, maior nível desde 24 de março de 2005.

De acordo com dados do Banco Central, no ano, até novembro de 2014, o envio de lucros e dividendos somava US$ 22,429 bilhões, 5,7% superior ao observado no mesmo período do ano anterior. Apesar de algumas empresas terem antecipado as remessas para a matriz neste ano para se precaver de depreciações do real, boa parte das transferências de lucros e dividendos costuma se concentrar em dezembro, quando são fechados os balanços anuais. Continue reading “Custo do Hedge Cambial”