Sociedade dos Yuppies: Renda e Patrimônio

DIRPF 1999 - B&D por Faixa de RendaSELIC e Taxa de Juros Reais 2003-2013

Thomas Piketty, no livro “O capital no século XXI”, faz uma ressalva quanto à passagem de uma sociedade de rentistas para uma de executivos. “É importante insistir que essa grande reviravolta não resultou, na França, de uma forte ampliação da hierarquia salarial (que permaneceu estável durante muito tempo: os assalariados jamais foram o bloco homogêneo que se imagina), mas se deveu inteiramente à queda das altas rendas do capital. Resumindo: na França, foram os rentistas — ou ao menos nove décimos deles — que passaram a ficar abaixo dos executivos, e não os executivos que ultrapassaram os rentistas.” (2014: 271).

Será que este também é o caso brasileiro? À primeira vista, parece não ser o caso, pois, no início do ano de 2014, o Brasil tinha a maior taxa de juro anual real, descontada da inflação dos últimos 12 meses, 4,33%, e descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, 4,25%. Já a França tinha, respectivamente, -0,45% e -1,04%. A média geral dos 40 principais países era -0,6% e -0,9%. Mesmo sendo este apenas um ponto no tempo, nas últimas décadas, o rendimento do capital financeiro aqui é o maior do mundo! Continue reading “Sociedade dos Yuppies: Renda e Patrimônio”

Da Sociedade dos Rentistas À Sociedade dos Executivos

Composição das Altas Rendas na França em 2005

Thomas Piketty, no livro “O capital no século XXI”, dá uma contribuição necessária à compreensão de nossa Era Econômica de desigualdade social. “Em grande medida, passamos de uma sociedade de rentistas para uma de executivos — isto é, de uma sociedade em que o centésimo superior era representado por rentistas (pessoas que detinham um patrimônio suficientemente importante para viver de rendas anuais produzidas por esse capital) para outra em que o pico da hierarquia de rendas, incluindo o centésimo superior, é composto de assalariados muitíssimo bem remunerados, pessoas que vivem da renda do seu trabalho. É possível dizer, para ser mais preciso, ou, se preferir, para ser menos otimista, que passamos de uma sociedade de super-rentistas para outra de rentistas menos extremos que os do passado, com a vantagem de um maior equilíbrio entre o sucesso do trabalho e o do capital” (2014: 271).

Será que este também é o caso brasileiro? A lavagem de roupa suja da Petrobras em público leva os tapuias a conhecer mais o mundo dos super-executivos brasileiros. Segundo a presidenta da Petrobras, Graça Foster, ao ir para Cingapura, a executiva Venina Velosa da Fonseca manteve seu salário de gerente-executiva (um posto abaixo ao de diretor), de R$ 69 mil, e teve um adicional de R$ 54.400 por estar em Cingapura (para cada país há um valor diferenciado). Além disso, poderia receber até o teto R$ 43.800 para cobrir despesas de aluguel e tinha 90% da escola das duas filhas custeados pela estatal. Ao todo, sua remuneração mensal poderia chegar a R$ 167.342. “É muito mais do que eu ganho”, disse Foster.

Quanto ganha um diretor da maior empresa estatal brasileira?

A remuneração de um diretor da Petrobras é de 16 salários de R$ 92 mil por ano, que incluem dois salários de bônus. Essa remuneração anual (R$ 1.472.000,00 ou cerca de um milhão e meio de reais) é inferior ao de O Mercado, pois um diretor de corporate privada pode receber em bônus o equivalente à remuneração anual. “Diante da responsabilidade, das investigações da Operação Lava-Jato e dos processos que a estatal enfrentará na Justiça americana, a remuneração não é das maiores”, justificam “os coleguinhas de O Mercado”. Então, por que disputaram tanto a “boquinha” de Diretor de Compliance? Continue reading “Da Sociedade dos Rentistas À Sociedade dos Executivos”