O Mundo é Plano: Uma Breve História do Século XXI

O Mundo é Plano

Elogiado pela crítica e sucesso mundial de vendas (mais de 4 milhões de cópias vendidas no mundo), O Mundo é Plano tornou-se já referência na história das relações internacionais. Na verdade, o autor-jornalista é um contador de boas histórias, porém não efetua uma análise crítica dos fatos descritos com o uso de conceitos teóricos.

Seu autor, Thomas Friedman, nasceu em Minneapolis, em julho de 1953. Colunista de relações internacionais do New York Times desde 1981, ganhador de três prêmios Pulitzer, é considerado um dos jornalistas mais influentes do mundo. Visite seu site: http://www.thomaslfriedman.com/

Ele foi pioneiro em enxergar e definir a “nova globalização”, era em que os avanços da tecnologia e da comunicação permitiram que os indivíduos se conectassem como nunca antes, transformando as noções conhecidas de distância, tempo e trabalho. Momento este, defende o autor, que se mostrou positivo para os países emergentes, seus negócios e meio ambiente, ao contrário da era da “velha” globalização, que só beneficiava quem já detinha capital. Procura assim explicar a ascensão de novos players mundiais, como Índia e China. Faz apologia da aliança entre a casta dos comerciantes-financistas e a casta dos sábios da tecnologia de informações.

“Através da ideia de achatamento do mundo, Friedman descreve como as pessoas passaram a colaborar umas com as outras e também competir em um mundo de forças mais igualitárias”, diz a Editora. Pergunto eu: Quis? Ubi? Quando? Quid? Cur? Quibus auxiliis? Quomodo? (Quem? Onde? Quando? O quê? Por quê? Por que meios? Como?)

A presente edição do livro traz dois capítulos em que o autor responde a perguntas frequentes de leitores, mostra como ser um ativista político em defesa do livre-mercado e um empresário com preocupação social. Ele discute como é possível manter a reputação e a privacidade em um tempo em que a informação circula de forma frenética.

O argumento histórico mais amplo a que Friedman chega é que a globalização atravessou três grandes eras.

A primeira se estendeu de 1492 — quando Colombo embarcou, inaugurando o comércio entre o Velho Mundo e o Novo — até por volta de 1800. Ele chama essa etapa de Globalização 1.0, na qual se viu a redução do mundo de grande para médio e que se caracterizou basicamente pelo envolvimento de países e músculos.

O principal agente de mudança, a força dinâmica por trás do processo de integração global, era a potência muscular:

  1. a quantidade de força física,
  2. a quantidade de cavalos-vapor,
  3. a quantidade de vento ou,
  4. mais tarde, a quantidade de vapor.

Cada país deveria possuir esses atributos e ter a criatividade com que os empregava. Nesse período, os países e governos – em geral motivados pela religião, pelo imperialismo ou por uma combinação de ambos – abriram o caminho derrubando muros e interligando o mundo, promovendo a integração global.

As questões básicas da Globalização 1.0 eram:

  1. como o meu país se insere na concorrência e nas oportunidades globais?
  2. como posso me globalizar e colaborar com outras pessoas, por intermédio do meu país?

A segunda grande era, a Globalização 2.0, durou mais ou menos de 1800 a 2000, sendo interrompida apenas pela Grande Depressão e pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais, e diminuiu o mundo do tamanho médio para o pequeno.

O principal agente de mudança, a força dinâmica que moveu a integração global, foram as empresas multinacionais, que se expandiram em busca de mercados e mão de obra — movimento encabeçado pelas sociedades, por ações inglesas e holandesas e pela Revolução Industrial.

Na primeira metade dessa era, a integração global foi alimentada pela queda dos custos de transporte, graças ao motor a vapor e às ferrovias.

Na segunda, pela queda dos custos de comunicação em decorrência da difusão do telégrafo, da telefonia, dos PCs, dos satélites, dos cabos de fibra óptica e da World Wide Web em sua versão inicial.

Foi nesse período que assistimos de fato ao nascimento e à maturação de uma economia global propriamente dita, no sentido de que havia uma movimentação de bens e informações entre os continentes em volume suficiente para a constituição de um mercado de fato global, com a venda e revenda de produtos e mão de obra em escala mundial.

As forças dinâmicas por trás dessa etapa da globalização foram as inovações de hardware:

  • dos barcos a vapor e ferrovias, no princípio,
  • aos telefones e mainframes, mais para o fim.

As grandes indagações eram:

  1. como a minha empresa se insere na economia global?
  2. como tira proveito das oportunidades?
  3. como posso me globalizar e colaborar com outras pessoas, por intermédio da minha empresa?

O livro anterior de Thomas Friedman, O Lexus e a Oliveira, versa basicamente sobre o apogeu desse período, durante o qual ruíram muros em todo o mundo e a integração (e a resistência a ela) atingiu um nível sem precedentes. Por mais muros que fossem derrubados, todavia, continuava havendo inúmeras barreiras a uma integração global homogênea.

Em 1998, a internet e o comércio eletrônico ainda estavam engatinhando. Agora eles já decolaram. Daí a tese que ele defende, nesse livro mais recente, de que por volta do ano 2000 adentramos uma nova era: a Globalização 3.0. Ela está não só encolhendo o tamanho do mundo de pequeno para minúsculo, como também, ao mesmo tempo, aplainando o terreno.

Enquanto a força dinâmica na Globalização 1.0 foi a globalização dos países e, na Globalização 2.0, a das empresas, na 3.0 a força dinâmica vigente (aquilo que lhe confere seu caráter único) é a recém-descoberta capacidade dos indivíduos de colaborarem e concorrerem no âmbito mundial.

E “o fenômeno que está capacitando, dando poder e impelindo indivíduos e pequenos grupos a se tornarem globais tão facilmente e tão harmonicamente” (sic) é o que ele chama de plataforma do mundo plano. Ele busca a descrever em detalhe neste livro.

A plataforma do mundo plano é produto de uma convergência entre:

  1. o computador pessoal que subitamente permitiu a cada indivíduo tornar-se autor de seu próprio conteúdo em forma digital,
  2. o cabo de fibra óptica que de repente permitiu a todos aqueles indivíduos acessar cada vez mais conteúdo digital no mundo por quase nada, e
  3. o aumento dos softwares de fluxo de trabalho que permitiu aos indivíduos de todo o mundo colaborar com aquele mesmo conteúdo digital estando em qualquer lugar, independentemente da distância entre eles.

“Ninguém previu essa convergência. Ela simplesmente aconteceu — bem em torno do ano 2000. E quando aconteceu, pessoas do mundo inteiro começaram a acordar e perceber que tinham mais poder do que nunca para se tornarem globais como indivíduos, que precisavam mais do que nunca pensar em si próprias como indivíduos competindo com outros indivíduos em todo o planeta e que tinham mais oportunidades para trabalhar com esses outros indivíduos, e não apenas para competir com eles.”

Como resultado, cada pessoa agora precisa, e pode, perguntar:

  1. como é que eu me insiro na concorrência global e nas oportunidades que surgem a cada dia?
  2. como é que eu posso, por minha própria conta, colaborar com outras pessoas, em âmbito global?

A Globalização 3.0, entretanto, não difere das eras anteriores apenas em termos de:

  1. quanto vem encolhendo e achatando o mundo e
  2. do poder com que está munindo o indivíduo.

A diferença reside também no fato de que as duas primeiras etapas foram lideradas basicamente por europeus e americanos, pessoas e empresas. Muito embora a China fosse a maior economia do mundo no século XVIII, foram os países, as empresas e os exploradores ocidentais que conduziram a maior parte do processo de globalização e configuração do sistema.

A tendência, segundo Thomas Friedman, é que esse fenômeno se inverta: em virtude do achatamento e encolhimento do mundo, esta fase 3.0 será cada vez mais movida não só por indivíduos, mas também por um grupo muito mais diversificado de não ocidentais e não brancos.

Discordo. Acho que estamos assistindo mais uma aliança entre a casta dos comerciantes-financistas e a casta dos sábios da tecnologia de informações.

Leia mais: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/87020.pdf

2 thoughts on “O Mundo é Plano: Uma Breve História do Século XXI

  1. Mesmo conceito com outra grafia: Domínio do CAPITAL sobre o TRABALHO.
    Isto é o óbvio, já foi dito e não há contestação.
    Jamais existirá propagação de energia (na forma de SABER, TRAÇÃO ANIMAL, PESQUISA) sem a devida contrapartida financeira que a sustenha.
    A obra em questão é um “raio x” do que está passando sob nossos pés e só os observadores do AMPLO CENÁRIO PLANETÁRIO poderão discorrer. Não se trata de nova teoria, o autor não entitula assim, apenas fatos para reflexão do leitor, até porque TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s