Consequências Macroeconômicas e Financeiras da Expansão do Crédito Governamental no Pós-Crise

capitalismo-financeiro

Eduardo Campos (Valor, 07/01/15) resenha estudo de economistas neoliberais sobre o BNDES. Registro para leitura quando me recuperar de uma artroscopia…

Vale comparar com uma visão social-desenvolvimentista (clique para download): FERRAZ, Fernando Cardoso Ferraz – Crise Financeira Global – Impactos na Economia Brasileira.

As empresas maiores e mais maduras, portanto menos necessitadas de ajuda governamental, foram as maiores beneficiadas pela expansão do crédito público entre 2004 e 2012. Além disso, apesar de um maior acesso ao crédito direcionado levar a maior alavancagem, o efeito sobre a taxa de investimento não é estatisticamente significativo, ao menos para empresas de capital aberto. Como as taxas de juros no crédito direcionado são mais baixas, as empresas com maior acesso a esses empréstimos tendem a reduzir o custo da dívida, elevando os lucros.

Essa é a conclusão do estudo “Consequências Macroeconômicas e Financeiras da Expansão do Crédito Governamental no Pós-Crise”  — http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps378.pdf — elaborado por técnicos do Banco Central (BC), embora não expresse necessariamente a visão do banco, e do Insper. O trabalho é assinado por Marco Bonomo e Ricardo Brito, do Insper, e por Bruno Martins, do Departamento de Pesquisas do BC.

O assunto está em linha com a discussão que se trava neste momento de renovação da equipe econômica que indica rever a concessão de subsídios, o tamanho e a forma de atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal agente do crédito direcionado, que já recebeu mais de R$ 400 bilhões desde 2009. Continue reading “Consequências Macroeconômicas e Financeiras da Expansão do Crédito Governamental no Pós-Crise”

“Pateando la escalera también: los bancos centrales en perspectiva histórica” – Matías Vernengo

Matias VernengoBancos centrais

Ao longo da história, os bancos centrais têm recebido diferentes incumbências e objetivos para o uso de múltiplos instrumentos de política monetária. Os primeiros bancos centrais, no século XVII, foram instrumentos empregados pela nascente burguesia mercantil europeia para promover o desenvolvimento e a industrialização.

No século XIX, quando o processo de desenvolvimento nos países centrais já era avançado, os bancos centrais passaram a ser vistos como guardiões do valor da moeda. Na periferia, seriam instituições tardias.

Primeiro, as caixas de conversão funcionaram como instrumentos de integração com o centro, mas, a partir da crise dos anos 30, os recém-criados bancos centrais tiveram maior papel no desenvolvimento nacional. Com a crise da dívida e a consolidação do projeto neoliberal, como diz o autor, os bancos centrais independentes que implementam metas de inflação passaram a ser vistos como o ideal a ser seguido.

Os diferentes papéis dos bancos centrais estão, em última instância, relacionados a diferentes projetos de desenvolvimento e modos de integração à economia global. Nos países avançados, serviram à promoção do desenvolvimento nacional, mas, uma vez alcançado o objetivo da industrialização, não se permitiu, também se lê no artigo, que os países periféricos utilizassem os mesmos instrumentos e políticas de desenvolvimento.

“Não há um banco central adequado para os países em todas as circunstâncias históricas.” Este é o diagnóstico do autor pós-keynesiano “horizontalista”, como se classificava nos anos 90 os que se opunham ao fundamentalismo dogmático. Ele, cuja graduação ocorreu na UFRJ, tem a experiência profissional de ter trabalhado no Banco Central da Argentina.

“Pateando la escalera también: los bancos centrales en perspectiva histórica” – Matías Vernengo

www.bit.ly/1BiwgPF Continue reading ““Pateando la escalera también: los bancos centrales en perspectiva histórica” – Matías Vernengo”