Motor da História

Sábio-contador

David Priestland, em seu ensaio Uma Nova História do Poder: Comerciante, Guerreiro, Sábio (São Paulo; Companhia das Letras; 2014), argumenta que “os conflitos entre essas castas e seus valores, à medida que vão se adaptando às mudanças no ambiente econômico e tecnológico, são o motor da história”.

As sociedades são transformadas quando uma aliança de grupos, incorporando determinados valores de casta, é capaz de se impor com mais sucesso que as rivais. Em seguida, ela “coloniza”, ou penetra, outras áreas da sociedade, reproduzindo-se em outras profissões e organizações, seja pela força, seja pela persuasão.

Em sociedades pré-modernas, por exemplo, a aristocracia não só dominava a política e a posse da terra. Seus hábitos paternalistas moldavam todos os domínios da vida. As empresas muitas vezes eram administradas como famílias aristocráticas, com um “amo” (ou “senhor patriarcal”) controlando a vida dos aprendizes e operários como se fossem seus filhos.

Hoje, os valores dos comerciantes são cada vez mais predominantes na maioria das áreas da vida. Isto ocorre mesmo em esferas aparentemente muito distintas, como a aristocracia. Nossos antepassados ficariam chocadíssimos com a violação das normas de casta que ocorre quando há a fundação de negócios comerciais por parte de aristocratas. Continue reading “Motor da História”