Música: Em Busca do Som Perdido

Som

Gustavo Brigatto e João Luiz Rosa (Valor, 17/03/15) publicaram reportagem sobre atualidades no mundo do som musical. O vinil, que surgiu no fim do século XIX, permaneceu como o padrão principal até os anos 80 do século passado. Foi um reinado de quase cem anos, que se encerrou com o surgimento do CD. Os disquinhos prateados, que pareciam definitivos, tiveram um domínio bem mais curto. No início dos anos 2000 foram depostos pela música digital, sob a hegemonia do formato MP3. Mas essa não é a palavra final. Novos formatos de música estão surgindo enquanto velhos hábitos voltaram a atrair o consumidor, o que inclui a ressurreição do vinil.

Segundo a IFPI, a associação internacional das gravadoras, as vendas globais de vinil vêm se recuperando desde 2007, tendo alcançado US$ 218 milhões em 2013. É uma mudança significativa em relação a 2006, quando o formato chegou a fundo do poço, com vendas inferiores a US$ 50 milhões. Os dados não levam em conta a inflação no período, mas, mesmo assim, indicam uma redescoberta dos velhos discos pretos.

Boa parte desse interesse está ligado à busca do consumidor pelo som mais puro que puder conseguir. Os CDs ganharam o mercado sob a promessa de que ofereciam uma qualidade muito superior à do vinil, sem os chiados característicos e inconveniências como os riscos que faziam uma faixa específica – geralmente a sua favorita – ficar “pulando” ou voltar ao início. A música digital pareceu ainda melhor por oferecer som de CD sem um suporte físico. Agora, são comuns as críticas de que a música digital é pasteurizada, por causa dos sistemas de compressão de arquivos, e não consegue reproduzir fielmente a qualidade da gravação. Faltaria calor, ou “alma”, à tecnologia. E onde estaria essa alma? No vinil!

O colecionador não abandonou a música digital, mas adquiriu o hábito de comprar um versão em vinil de seus álbuns favoritos. Além de buscar um som diferente, o que o atrai é o ritual que cerca o vinil – desde contemplar a capa até vê-lo girando no toca-discos. A maioria das aquisições foi feita em lojas no exterior via internet.

A dificuldade em obter os álbuns, e o preço cobrado, faz essa nova encarnação do vinil ser um hobby para poucos, a despeito do interesse despertado. Um exemplo: em vinil, um álbum sai por R$ 129 na loja virtual Submarino. A versão em CD custa R$ 23,72.

O problema é que restaram poucos fabricantes de vinil, que têm de fazer frente a pesados custos de produção, sem contar as dificuldades para distribuir os produtos. A Polysom, a única fábrica de vinil da América Latina, chegou a fechar em 2007, sendo reativada em 2010, depois de ser comprada pelos sócios da gravadora brasileira Deck Music. A carga tributária é enorme. Segundo a Polysom, os impostos representam 66% do preço do produto final. A capacidade de produção da companhia, hoje, é de 28 mil LPs e 12 mil compactos (os singles) por mês. O pedido mínimo é de 300 unidades.

As vitrolas, que se tornaram um estorvo na época da explosão dos CDs, voltaram renovadas e agora são consideradas peças de design. Por isso mesmo, alguns modelos custam tão caro. A americana Redpoint Audio Design usa alumínio de aviação para criar aparelhos que parecem obras de arte. Os mais caros podem custar até US$ 200 mil.

Preço também é um desafio para os padrões de música digital que estão surgindo no mercado. O músico Neil Young é o nome por trás do Pono, um tocador de música que reproduz faixas com qualidade superior ao MP3. O projeto chamou muita atenção. No ano passado, Young entrou no Kickstarter – um site de financiamento coletivo – com a meta de levantar US$ 800 mil. Conseguiu a cifra em um único dia. Ao todo, obteve US$ 6,2 milhões.

O dispositivo foi lançado em janeiro nos Estados Unidos, por US$ 399. Mas a questão não é o dispositivo em si, e sim o serviço de música a ele atrelado. Como os arquivos são maiores, cabem menos músicas no aparelho. Além disso, o preço dos álbuns é bem maior que o das lojas de MP3. No Pono, o preço é de US$ 15,29; na loja iTunes, da Apple, o preço é US$ 5,99.

A Sony está tentando reavivar seu icônico Walkman, a linha que deu início aos dispositivos portáteis de música. No início do ano, a companhia japonesa apresentou o ZX2. Parecido com um celular, o aparelho também reproduz música com qualidade superior à media. Mas é preciso desembolsar US$ 1,2 mil só para comprar o equipamento.

A mobilidade trazida à música pelos celulares ajudou a mudar, literalmente, o cenário urbano. Hoje é muito comum ver pessoas andando nas ruas com grandes fones ao ouvido. Os dispositivos tornaram-se um acessório para ser exibido, com cores berrantes e formatos curiosos. A tecnologia desses aparelhos também mudou, dando origem a um negócio lucrativo. A Apple pagou US$ 3 bilhões para ficar com a Beats, uma empresa de fones de ouvido criada pelo rapper e produtor musical Dr Dre. Outras estrelas lançaram marcas próprias ou se associaram a fabricantes especializados, como os rappers 50 Cent e Ludacris. Modelos da Beats são vendidos pela Apple a US$ 699 nos Estados Unidos.

Paralelamente, está se firmando uma tendência que vai no sentido contrário – a dos fones de conveniência, que ficam praticamente invisíveis ao ouvido. Em parte, isso se deve ao fato de que esses dispositivos também são muito usados para falar ao telefone. A Earin, com sede na Suécia, lançou o que seria o menor fone de ouvido do mundo. São duas peças que medem 20 por 14,5 milímetros e vêm com uma espécie de cápsula usada para recarregar a bateria. A conexão, totalmente sem fio, é feita por Bluetooth.

Instalar um home theater na sala da casa sem lidar com um emaranhado de fios ou furar as paredes para instalar as caixas de som: esse é o principal atrativo do Epitome E5, da Philips. A fabricante teve uma sacada interessante para as caixas que são colocadas atrás do sofá e criam o efeito de som surround. São elas as responsáveis por fazê- lo escutar a cavalaria se deslocando no campo de batalha como se ela estivesse dentro da sua sala. O equipamento traz pequenas caixas sem fio que ficam no topo das caixas maiores, aquelas que são colocadas ao lado da TV. Quando quiser, o usuário pode destacá-las, colocando-as na posição correta. Depois, basta devolvê-las. É o que a fabricante chama de “surround sob demanda”.

Também dá para usar as pequenas caixas para aumentar o alcance do som quando você está ouvindo música em casa, levando-as para o quarto, ou para a varanda. De acordo com a Philips, a autonomia é de 8 horas. O recarregamento é feito pelas próprias caixas que servem de base.

Com detalhes em madeira e couro, o E5 é elegante e fácil de combinar com a decoração. Tenho usado o aparelho em um ambiente de quase 10 m2 e a impressão é que o equipamento, de fato, é adequado a ambientes desse tamanho. Apesar de a potência do som ser considerável (168W RMS), o volume não é tão alto quanto o de outros aparelhos na mesma faixa de preço, ou até mais baratos. Aliás, o preço é um ponto bastante negativo para o aparelho da Philips. Com valor sugerido de R$ 3 mil, ele é caro quando comparado a home theaters da LG, Samsung e Sony. O valor também se equipara ao de alguns modelos profissionais, como os da japonesa Onkyo.

Aqui vale uma curiosidade. Desde o ano passado, a linha de áudio da Philips e a Onkyo fazem parte da mesma empresa, a Gibson Brands, dona das guitarras de mesmo nome. No processo de reestruturação de seus negócios, a Philips desmembrou o negócio de áudio e criou uma empresa separada, a Woox Innovations, que foi comprada pela Gibson. Com o negócio, a Gibson tem o direito de usar a marca Philips em seus produtos. A companhia quer se tornar a principal empresa de áudio do mundo, com marcas como Teac, Tascam, Baldwin, entre outras.

Um outro problema do Epitome é a falta de uma tela. Você não consegue ver se o volume chegou ao nível máximo, por exemplo, o que pode deixá-lo um pouco perdido. A falta do display também dificulta saber de qual das entradas disponíveis no aparelho o áudio está vindo. São cinco opções: HDMI, coaxial, óptica, 3,5 milímetros e

Bluetooth. Quem tem um telefone com recurso de conexão sem fio por contato, NFC, poderá usá-lo para ouvir suas músicas favoritas, sem ter muito trabalho.

Para evitar a confusão de controles remotos, é possível usar a conexão HDMI Arc para controlar a TV. Mas o seu televisor precisa ser compatível com esse sistema.

3 thoughts on “Música: Em Busca do Som Perdido

  1. Prezado Fernando,

    segue mais uma dica importante sobre os fones de ouvidos/caixas de som; as pessoas pensam ser o MP3 ou o streaming (estilo spotify) que não têm boa qualidade, mas fiz testes e detectei que a qualidade está mais para o fone/caixa do que para a fonte da música. O item mais importante nesse quesito é a sensibilidade/impedância do sinal reproduzido pela saída do fone/caixa em nossos ouvidos:

    “Em questões práticas, a sensibilidade e a impedância são provavelmente as especificações técnicas mais importantes num fone ou numa caixa de som – já que, junto com a potência do amplificador, darão uma ideia do volume ao qual será possível chegar com um determinado sistema. Sensibilidade é, como o nome implica, a sensibilidade de um determinado equipamento a um determinado impulso: a escala costuma ser em dB SPL/W (decibels de nível de pressão sonora por watt) para caixas de som e dB SPL/mW (decibels de nível de pressão sonora por miliwatt) para fones, já que a potência requisitada por eles é muito menor. Ou seja, para cada watt ou miliwatt de potência gerados por um amplificador, o fone ou caixa dará X dB SPL – simplificando, volume.” Fonte: http://mindtheheadphone.com.br/2011/12/27/231/

    Tenho os seguintes fones: Harman Cardon CL Classic 119 dB/mW (fio) https://youtu.be/9_AJYocqXZ8

    e Samsung Gear Circle 105 dB/mW (Bluetooth): https://youtu.be/5rQa6sK_th4

    Classificação do Herman Cardon CL Classic: http://www.engadget.com/products/harman-kardon/cl/

    Um fone de ouvido com sensibilidade inferior a 100 dB/mW, poderá causar uma sensação de taquara rachada… 🙂

    O correto é escrever “decibels e não decibeis”, vide: http://pt.wikipedia.org/wiki/Decibel

    Abs

    • Prezado Reinaldo,
      recentemente, fiz uma mudança no meu home-theater, trocando as duas pequenas caixas frontais-laterais por duas grandes do meu antigo sistema de som, substituído por um Yamaha pequeno onde coloco meu iPod Classic com 160 GB de músicas (~20.000) e o som, embora as caixas sejam pequenas, é ótimo.

      Este fica na sala-de-leitura/lareira. Mas a sala-de-vídeo virou agora, verdadeiramente, audio-visual! Estou tirando, finalmente, proveito do 5X1 e posso até escutar o Spotfy via AppleTV com ótimo estéreo…

      Enfim, acho que você tem toda razão: qualidade do som — doméstico, não profissional — está no fone/caixa.
      Abs

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