Falsas Expectativas

Decompoisção da taxa de inflação de 2014Expectativas inflacionárias

É interessante tomar conhecimento do debate que Arícia Martinas (Valor, 27/04/15) reporta: o processo de deterioração das expectativas respondeu pela maior parte da inflação de 6,41% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2014, segundo estudo da MCM Consultores, diferentemente do ponto de vista do Banco Central. Segundo o Relatório da Inflação do primeiro trimestre de 2015, essa variável teve papel secundário no IPCA do ano passado. Cálculos feitos pela MCM, no entanto, mostram que as estimativas para o indicador 12 meses à frente explicaram 2,56 pontos percentuais do índice oficial de inflação no período, ou 40% do total.

Para chegar a esse resultado, a consultoria usou metodologia alternativa à do BC para decompor a alta dos preços. Tanto para estimar a contribuição da inércia quanto das expectativas sobre a inflação corrente, o BC inclui em seu modelo somente a parcela de variação do IPCA que excede o centro da meta de 4,5%. Esse cálculo foi usado na Carta Aberta de 2002. Nela, o então presidente do BC Arminio Fraga explicava a Pedro Malan, ministro da Fazenda na época, por que o IPCA havia estourado o teto da meta de 6,5% no ano.

A equipe da MCM avalia que esse método é útil para identificar os motivos do desvio do IPCA em relação à meta em determinado ano, mas, para analisar a herança da evolução passada dos preços na inflação presente, assim como o impacto das expectativas, o correto seria usar os “índices cheios“.

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Juro Real em Longo Prazo em NTN-B

Resistência do juro real em NTN-B

Em homenagem ao Dia do Trabalhador, vamos lembrar do rentista, aquele que vive exclusivamente de rendas, de rendimentos que podem ser juros, aluguéis, lucros… e salários! Ou o valoroso rentista não trabalha?

A NTN-B — tiítulo de dívida pública de longo prazo — paga ao investidor uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Por isso, representa o juro real esperado por O Mercado. A taxa do papel com vencimento em 2050 já caiu para baixo de 4% aa, no fim de 2012, durante “a Cruzada da Dilma” para buscar tirar o Brasil dos primeiros lugares do ranking de maiores taxas de juros reais do planeta. Chegou a testar os 7% aa, quando houve um movimento internacional de desalavancagem em função da aposta em elevação de juros nos Estados Unidos. Mas, com a campanha golpista que ameaça a democracia brasileira, esse rendimento não consegue recuar para menos de 6% aa.

O que chama a atenção dos especialistas é que, desde o fim de março de 2015, O Mercado passou por um ajuste de preços, seguindo uma melhora na aversão ao risco global. A volatilidade do dólar diminuiu, abrindo espaço para investidores estrangeiros voltarem a aplicar nos atrativos rendimentos oferecidos no Brasil. Eles já superaram os fundos de investimentos no carregamento dos títulos de dívida pública, detendo mais que 1/5 do total.

Na cena brasileira, o auge da instabilidade política ficou para trás e a sensação de paralisia do Congresso arrefeceu, encerrando a falsa discussão midiática sobre a saída de Levy do posto de defensor do ajuste fiscal. Com todos esses factóides sendo superados, “o juro longo ainda resiste”, exatamente porque esses fatos políticos não têm relação direta de causalidade com juros! Jornalistas têm o péssimo hábito não científico de correlacionar fatos que ocorrem em simultâneo como tivessem, necessariamente, uma relação de causalidade entre eles. Misturam alhos com bugalhos…

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