Debate sobre Estagnação Secular

Taxa de Crescimento da Produção Mundial 0-2100O gráfico acima, encontrado no livro de Thomas Piketty, O Capital no Século XXI, mostra que o capitalismo entre 1500 e 2100 é um regime de produção “fora-da-curva”, isto é, com taxa de crescimento da produção mundial total muito acima daquela próxima de zero que perdurou primeiro milênio e meio da série temporal investigada (0-2100). Em especial, seu arranque ocorre no período 1700-1820 das “revoluções burguesas” (inglesa, norte-americana e francesa), eleva-se com a revolução industrial (1820-1913), e desdobra-se em uma taxa excepcional no pós-guerra (1950-2012) com a reconstrução europeia (“trente annes glorieuses“: 1945-1975) e a indústria nascente em países emergentes, como foi o caso brasileiro até os anos 80.

André Lara Resende é economista. Publicou (Valor, 04/05/15) artigo sobre o Debate Ciclo X Tendência à Estagnação. Compartilho-o abaixo.

“Nós, também, vivemos numa era de estabilidade e certezas, na ilusão de permanente melhora econômica”. Tony Judt em “When Facts Change”.

Ao entrar no século XXI, havia um inusitado otimismo. Passara-se a acreditar que a política econômica havia sido aperfeiçoada a ponto de aplainar as turbulências e garantir o crescimento contínuo. As crises cíclicas, pelas quais haviam recorrentemente passado as economias capitalistas do século XX, davam a impressão de ter sido superadas. As novas técnicas de condução da política monetária pareciam ter eliminado as flutuações macroeconômicas. Um período de “grande moderação” foi como se convencionou chamar a vitória sobre as crises cíclicas. A realidade, porém, fez questão de nos dar mais uma lição de humildade. A crise financeira de 2008, nas economias avançadas, foi devastadora. Só medidas extraordinárias, monetárias e fiscais conseguiram evitar um colapso de toda a economia ocidental, tão ou mais grave do que a Grande Depressão dos anos 30. Mais de sete anos após o início da crise, o crescimento ainda é modesto. Há dúvidas se um dia o crescimento econômico voltará, ao menos com a vitalidade do século passado.

Os mercados de trabalho nas economias avançadas continuam fracos e o desemprego, alto. Mesmo nos EUA, onde a legislação trabalhista é flexível, apesar do desemprego ter caído pela metade do pico da crise, a taxa de participação na força de trabalho está no nível mais baixo em 36 anos. Por que o emprego não se recuperou, mesmo nas economias onde a legislação é flexível e que melhor parecem ter superado a crise?

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