Desigualdade Financeira nos Depósitos de Poupança

Desigualdade FinanceiraSérgio Tauhata (Valor, 19/05/15) informa que a saída líquida de R$ 29 bilhões da poupança nos quatro primeiros meses do ano lançou uma interrogação sobre o comportamento desse fluxo de recursos, ou seja, para onde foi e porque esse dinheiro está deixando a aplicação? Segundo especialistas, as respostas apontam para três fatores principais:

  1. uma reação dos grandes poupadores à subida dos juros,
  2. a diminuição da renda que sobra para guardar e
  3. a alta do endividamento.

No entanto, dessas três variáveis que impactam a captação da poupança, a correção de rumo dos maiores poupadores para aproveitar a subida dos juros provavelmente responde pela maior parcela do movimento de saída líquida de recursos. Isso porque, segundo o levantamento semestral divulgado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a concentração de valores depositados na caderneta nas mãos de poucos clientes, desde 2006, nunca foi tão alta quanto nos últimos dois anos.

Segundo os dados mais atuais do FGC, de dezembro de 2014 (ainda não postada em seu site):

  • embora 73,2% dos clientes de poupança tenham fechado o ano com depósitos de, no máximo, R$ 1 mil,
  • sendo que 55% fizeram aportes de até R$ 100 em suas contas,
  • 85% dos recursos aplicados na tradicional caderneta estão na faixa acima de R$ 10 mil, porém, esses aportes foram feitos por um grupo de apenas 9% dos investidores.

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Política de Juros Altos X Depósitos de Poupança

1o T 2015

Bancos quando não ganham na ponta do crédito, ganham na da tesouraria com títulos públicos. E sempre têm retorno pelos investimentos realizados em automação bancária, obtendo elevadas receitas de prestação de serviços com tarifas que incidem sobre o sistema de pagamentos brasileiro. A moeda eletrônica é bancária…

Alex Ribeiro (Valor, 15/05/15) informa que, empurrados pela queda dos juros básicos da economia, grandes poupadores responderam por cerca de 77% das novas captações na caderneta de poupança no período de agosto de 2011 a abril de 2013, quando ocorreu a correta “Cruzada da Dilma” contra os juros altos no País. Agora, com o aperto monetário, eles aparentemente estão liderando os saques, pois os depósitos de poupança perderam competitividade face aos fundos de investimentos financeiros (FIF) carregadores da dívida pública.

A alta volatilidade nas captações da caderneta de poupança expõe a fragilidade do atual sistema de crédito direcionado para o setor imobiliário, que capta no curto prazo para fazer financiamentos de longo prazo. Em junho de 2011, quando o Banco Central estava finalizando mais um ciclo de aperto monetário, em seu tradicional stop-and-go que provoca a volatilidade do crescimento econômico do País, desestimulando os investimentos privados em longo prazo, os grandes aplicadores respondiam por 59,6% dos depósitos em caderneta de poupança.

Esse grupo inclui os clientes bancários com saldos aplicados a partir de R$ 30 mil. Muitos estavam na caderneta porque essa é uma aplicação tradicional, simples e considerada segura, com a vantagem da isenção de Imposto de Renda sobre ganho de capital.

Pelo dado mais recente, de junho de 2014, os maiores clientes já detinham 66,3% dos saldos das cadernetas. Até 2006, essa proporção girava em torno de 45%. Dos 97.984.000 de depositantes de poupança, cerca de 3/4 possuíam depósitos de menos de R$ 1.000,00, ou seja, usavam-na, praticamente, como um conta corrente sem tarifas bancárias.

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