Instabilidade da Complexidade Financeira

EstabilizandoAs relações financeiras, segundo Hyman Minsky, podem ser caracterizadas como um malabarismo no qual o funcionamento normal depende de crença – e do reforço à crença por meio de um bom desempenho – de que o refinanciamento em curto prazo estará disponível. Uma vez que o boom de investimentos tenha início, o volume de fundos demandado aumenta na medida em que os projetos se movem em direção à finalização.

Se, em algum estágio, a elasticidade no fornecimento de fundos diminui em função da queda na disponibilidade de volume de financiamento em bancos comerciais, então uma elevação aguda nas taxas de juros irá ocorrer.

Considerando-se que as instituições financeiras que geram bens líquidos geralmente se envolvem em sistema financeiro especulativo, uma elevação na taxa de juros que elas pagam causará uma queda em seu valor líquido na medida em que os valores de bens e serviços caírem e os lucros também diminuírem. As pressões sobre esquemas especulativos, que contam quase como certa a continuidade dos refinanciamentos, diante da taxa de juros em elevação, são geralmente sentidas via uma deterioração na habilidade das instituições financeiras estabelecer posições sustentáveis, afetando adversamente os balanços dos donos de suas obrigações.

Há um potencial de contagio, percebido na onda de quebras bancárias. A intervenção da Autoridade Monetária serve para abortar tal situação de ameaça de crise sistêmica.

A instabilidade, portanto, é inerente ao sistema financeiro capitalista, não advém de um “choque exógeno”, isto é, de fora do jogo de forças de mercado. A economia produtiva, as Pessoas Físicas e as Pessoas Jurídicas compõem esse sistema em conjunto com as empresas financeiras. São partes desse todo complexo.

Se uma combinação específica de esquemas de financiamento de posições passa de hedge para especulativa e daí ameaça a chegar a Ponzi, esse fenômeno financeiro alerta que estão existindo, na economia de mercado, os incentivos para alterar tal combinação que caracteriza as diversas posturas financeiras. Qualquer tranquilidade transitória a respeito da suficiência da margem de segurança, a ponto de considerá-la excessiva, é logo transformada em expansão na qual o esquema especulativo de posições e o financiamento externo de investimento aumentam.

Um boom de investimento que reduz a liquidez e aumenta as proporções de capital de terceiros em relação ao capital próprio nas instituições financeiras vem a seguir. As margens de segurança são destruídas quando o sucesso leva a uma crença de que as margens anteriores eram grandes demais. Então, o sucesso leva ao excesso de auto confiança e à derrocada, tipo ascensão e queda…

Uma interrupção no boom ocorre sempre que as taxas de juros de curto prazo e longo prazo sobem suficientemente de modo que atenuações e reversões nas relação de valor presente ocorrem. Quando os descontos dos custos de oportunidade estimados para o futuro se elevam, cai o valor-de-mercado atual do projeto de investimento. Geralmente isso acontece depois de um aumento da demanda financiada por esquemas especulativos aumentar as taxas de juros, os salários da mão-de-obra e os preços de matérias-primas de modo que as margens de lucro e, por conseguinte, a capacidade de validar o passado, sejam dissipadas.

Se a interrupção do boom levará a uma crise financeira, à deflação, a uma profunda depressão ou apenas a uma recessão não traumática, isso dependerá da liquidez geral da economia, do tamanho relativo do setor governamental e da extensão da ação dos bancos estatais por meio de iniciativas do governo e do Banco Central.

Portanto, Minsky dá lastro teórico tanto para a política de endividamento público para salvamento dos “bancos grandes demais para falir” (não de seus banqueiros que devem ser desapropriados de suas ações) quanto a posterior monetização dessa dívida pública por meio da política de “afrouxamento monetário” e consequente depreciação da moeda nacional para melhorar a competitividade internacional da economia.

Ele destaca que o resultado de uma contração é determinado por características estruturais e pela política pública adotada para enfrentá-la. Contudo, as tendências em direção a esquemas especulativos e o financiamento de dívidas de investimento são por si só o resultado de uma estrutura institucional e de expectativas políticas.

É possível que com outras organizações institucionais e outros sistemas políticos a suscetibilidade da economia de mercado regulada a crises financeiras possa se tornar menor do que no presente. A política pública, se eficaz, deve refletir um entendimento das razões pelas quais a tendência à progressão na gravidade das crises financeiras existe.

Keynes de Minsky

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