Paradoxo das Taxas de Juros

pontomídiaO paradoxo das taxas de juros refere-se à demonstração de que, para a série de retornos de títulos dos Estados Unidos, as taxas médias futuras para títulos de baixa maturidade (um ou dois anos) tem baixo poder preditivo sobre as taxas de curto prazo futuras (à vista ou de curtíssimo prazo). De uma forma simplificada, o retorno ex ante do último período de um título de baixa maturidade não é correlacionado com a taxa à vista, ou de curtíssimo prazo, para este mesmo período verificadas ex post.

Gustavo de Oliveira Aggio, em sua Tese de Doutorado, Análise Sistêmica Para Fenômenos Monetários, deduz que isso significa que o agente comprador desse título de baixa maturidade não poderia tê-lo feito por meio de uma previsão eficiente das taxas de um período, isto é, das taxas à vista futuras. Não se confirma, portanto, que o retorno do título é uma composição dos retornos período a período.

O paradoxo das taxas de juros está no fato de que retornos futuros de mais longo prazo, próximo de cinco anos, por sua vez, demonstraram ser um bom previsor das taxas à vista, ou de curtíssimo prazo, futuras verificadas ex post. O resultado a princípio inesperado está no fato de existir mais informação sobre as taxas longe da tomada de decisão do que perto dela.

O agente fazendo uso das informações da estrutura de taxas de juros possui um melhor previsor das taxas de curto prazo para períodos mais afastados do que para períodos mais próximos. Esta informação pode ocorrer exclusivamente porque, a mais longo prazo, a série de taxas de curto prazo possui uma tendência à reversão à média.

Os resultados apontam para os seguintes fatos:

  • as taxas de curto prazo se comportam como um processo aleatório e
  • as taxas de longo prazo parecem evidenciar alguma estrutura.

Em estimativa atualizada da estrutura de taxa de juros dos títulos dos EUA (1, 12, 60 e 120 meses), é evidente a tendência histórica de declínio da série. Utiliza-se diferentes técnicas de modelagem para testar a qualidade da previsão das taxas e chegar à conclusão de que, estatisticamente, nenhum método se mostrou mais eficiente do que supor as séries como passeios aleatórios.

Taylor (1993) procura compreender a existência de um comportamento reativo, de uma regra, da autoridade monetária com relação à taxa de juros de curto prazo quando há desvios da taxa de crescimento do produto e/ou da inflação. Assim, a autoridade monetária escolhe a taxa de curto prazo, logo ela é exógena. Mas se a autoridade preza pela credibilidade, ela evita a discrição de tomadas de decisão, o que de certa forma torna o seu comportamento endógeno, isto é, submisso às forças do mercado.

Deste modo, o comportamento da autoridade monetária ganha centralidade na discussão. A fixação da taxa de juros de curto prazo passa a ser, explicitamente na teoria, instrumento de política monetária e não um preço em um sistema de oferta e demanda de liquidez, o que supõe um controle da autoridade monetária sobre este mercado.

Como Aggio observa, a relação entre as taxas de juros associadas a diferentes períodos deve considerar alguma hipótese sobre a evolução do processo inflacionário. Deve-se estar atento, porém, ao fato de que o processo inflacionário faz referência a interação de um conjunto maior de agentes do que aqueles que consideramos anteriormente para tratar a dinâmica da estrutura de taxas de juros.

A inflação é uma variável relacionada a todos os preços de bens e serviços de uma economia e, portanto, intimamente relacionada com o processo de tomada de decisão em consumo e produção. O consumo configura o processo generalizado de uma economia na medida em que todos os agentes individuais são consumidores. Temos, ainda, que o consumo é em larga escala financiado pelo crédito. Por sua vez, a oferta de crédito é regulada pelas características organizacionais do sistema, que é relativamente controlado pela autoridade monetária.

Porém, ainda que o processo inflacionário oriundo, principalmente, do consumo possa considerar alguma inferência da autoridade monetária, precisa-se compreender como ocorre esta dinâmica na medida em que, conforme se observa pela literatura, há uma separação entre os processos relacionados às taxas de juros e à inflação.

Não na literatura composta por livros de Knut Wicksell e de seus discípulos da Escola de Estocolmo…

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