Riqueza Financeira Privada

Riqueza Financeira Privada 2009-2014Global-Wealth-2015-ex01-large_tcm80-190140Global-Wealth-2015-ex02-large_tcm80-190146Global-Wealth-2015-ex03-large_tcm80-190149Global-Wealth-2015-ex04-large_tcm80-190152Global-Wealth-2015-ex05-large_tcm80-190588Sergio Lamucci (Valor, 12/08/15) informa que a riqueza financeira privada no Brasil alcançou US$ 1,4 trilhão em 2014, alta de 9,8% em relação ao ano anterior, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG): Growth Global Wealth 2015. O crescimento foi puxado principalmente pela elevação dos juros, que contribuíram para o aumento do patrimônio dos investidores, aplicado em sua maior parte em títulos de renda fixa e depósitos bancários. No mundo todo, a riqueza financeira privada teve aumento de 11,9% no ano passado, atingindo US$ 164 trilhões. Na América Latina, a alta foi de 10,5%, para US$ 3,7 trilhões.

A desvalorização do real impediu uma alta mais forte da riqueza financeira privada em dólares no Brasil no ano passado. A cotação média do dólar subiu de R$ 2,11 em 2013 para R$ 2,35 em 2014, mostrando o enfraquecimento da moeda brasileira em relação à americana.

O grande impulso para o salto da acumulação de riqueza no Brasil foi o aumento dos juros. De acordo com o estudo, 46% do patrimônio financeiro no país está aplicado em títulos de renda fixa públicos e privados, havendo outros 40% em depósitos como CDBs, poupança e conta corrente. A rentabilidade dos investimentos em renda fixa acabou melhorando bastante no último ano pelo aumento dos juros.

Em 2014, a taxa Selic média ficou em 11% ao ano, acima dos 8,4% registrados em 2013. Com a inflação bastante acima da meta de 4,5%, os juros básicos subiram ao longo do ano passado e continuaram a aumentar neste ano.

Houve algumas vendas de participações acionárias ou mesmo de controle de empresas que também contribuíram para elevar a riqueza financeira em 2014. Mas foi a maré da renda fixa que levantou todos os barcos”. De acordo com números do BCG, o valor investido em títulos cresceu 12% e, no caso da riqueza aplicada em depósitos, a alta foi de 9,5%.

O comportamento da bolsa mais uma vez não ajudou. Em 2014, o Índice Brasil 100 (IBrX-100) fechou em queda de 2,8%. Mas a influência sobre o total da riqueza financeira não é das maiores porque apenas 14% do total dos recursos está aplicado nas Bolsas de Valores, segundo o BCG. De acordo com o estudo, os recursos aplicados em ações pelos brasileiros aumentaram 3,6% no ano passado.

Na América Latina, a riqueza financeira privada cresceu com mais força no México – houve crescimento de 15,4% em 2014, para US$ 1,1 trilhão. O aumento ficou consideravelmente acima da média de 10,5% da região. Segundo o BCG, houve uma alta expressiva do patrimônio dos mexicanos aplicado em títulos, de 17%, e em ações, de 14%. O México tem sido beneficiado pela recuperação da economia americana, devendo crescer neste ano mais do que a média da América Latina.

O BCG espera que, em 2019, a riqueza financeira privada no Brasil atinja US$ 2,9 trilhões, registrando um crescimento anual médio de 15,5% nesse período. O envelhecimento da população leva uma fatia expressiva dos brasileiros a poupar para bancar a sua aposentadoria no futuro. Além disso, a expectativa é que o Brasil passe por uma transição para uma inflação mais baixa, mas isso deverá levar algum tempo, exigindo juros elevados por um intervalo considerável. Se houver um período muito longo de baixo crescimento, porém, isso tende a ser ruim para a acumulação de patrimônio, pois grandes aumentos da riqueza decorrem frequentemente de atividades empreendedoras que criam valor.

Entre as outras regiões do mundo, o grande destaque é a Ásia-Pacífico, excluindo o Japão. A riqueza financeira privada por lá cresceu 29,4% no ano passado, atingindo US$ 47,3 trilhões, puxada pelo crescimento na China e na Índia. Com isso, o patrimônio dos asiáticos superou o da Europa Ocidental, que aumentou 6,6% em 2014, para US$ 39,6 trilhões. A liderança ainda está na América do Norte, com uma riqueza financeira de US$ 50,8 trilhões, 5,6% maior que em 2013.

Em breve, a Ásia-Pacífico deverá superar a América do Norte como a região de maior patrimônio financeiro privado. O centro de gravidade da gestão de riqueza está mudando de Nova York e Londres para Cingapura e Hong Kong.

No mundo, a riqueza privada controlada por famílias ultra-high net-worth (UHNW)  (aquelas com mais de US$ 100 milhões) cresceu fortemente 11% em 2014. Isto resultou em maior riqueza para as famílias que já estão no segmento, com aumentos substanciais também provenientes de famílias que saíram de faixas de riqueza mais baixas.

Famílias UHNW com 10 trilhões de dólares ou 6% da riqueza privada global em 2014, em linha com 2013. Em um CAGR projetado de 12% ao longo dos próximos cinco anos, a riqueza privada realizada pelo segmento UHNW vai crescer para a estimativa de 18 trilhões de dólares em 2019. Este segmento do topo é esperado ser o de mais rápido crescimento, tanto no número de agregados familiares quanto de riqueza total. O número de famílias neste segmento está projetado para crescer em um CAGR de 19% ao longo dos próximos cinco anos. Com um grande número de agregados familiares a entrar neste segmento, a riqueza média por agregado familiar deverá diminuir em um CAGR de 6%.

Riqueza privada conquistada pelo segmento superior de alta riqueza líquida (HNW)  (aquelas com entre US$ 20 milhões e US$ 100 milhões) cresceu 34% em 2014 para US $ 9 trilhões. Com um CAGR projetado de 9% ao longo dos próximos cinco anos, este segmento é esperado para o topo 14 trillhões de dólares em 2019. Este crescimento será acionado tanto por um grande número de novas famílias que entram no segmento (CAGR projetada de 8%) e crescimento na riqueza média por agregado familiar (CAGR de 0,5%).

Riqueza privada realizada pelo segmento inferior de HNW  (aquelas com entre US$ 1 milhão e US$ 20 milhões) deverá crescer a uma taxa ligeiramente inferior (7%) ao longo dos próximos cinco anos. Tal como no segmento HNW superior, no entanto, a riqueza média por agregado familiar é esperada obter aumentos mais modestos.

Globalmente, o número total de famílias milionárias (aquelas com mais de US$ 1 milhão em riqueza privada) atingiu 17 milhões em 2014, crescendo fortemente a partir de 15 milhões em 2013. O aumento foi impulsionado principalmente pelo desempenho do mercado de ativos existentes, tanto no Novo quanto Velho Mundo. Famílias milionárias possuíam 41% da riqueza privada mundial em 2014, contra 40% um ano antes, e projeta-se alcançar 46% da riqueza privada mundial em 2019.

De uma perspectiva regional, os EUA ainda tinha o maior número de famílias milionárias em 2014 (7 milhões), seguida pela China (4 milhões), que apresentou o maior número de novos milionários (1.000.000). Japão foi o terceiro, com 1 milhão de famílias milionárias, abaixo dos anos anteriores, devido à queda do iene em relação ao dólar norte-americano (com menos famílias que chegam a marca de US $ 1 milhão em termos de dólares).

FNC: para comparação, em riqueza financeira líquida, são cerca de 58.000 clientes Private Banking com mais de R$ 3 milhões (ou US$ 1 milhão) no Brasil.

A maior densidade de milionários estava na Suíça, onde 135 em cada 1.000 domicílios tinham maior riqueza privada de US $ 1 milhão, seguido de Bahrain (123), Qatar (116), Cingapura (107), Kuwait (99) e Hong Kong ( 94).

Os EUA continuou a ser o país com o maior número de famílias UHNW (5201), seguido pela China (1037), Reino Unido (1019), Índia (928) e Alemanha (679). A maior densidade de famílias UHNW foi encontrado em Hong Kong (15,3 por 100.000 domicílios), seguido por Singapura (14,3 por 100.000), Áustria (12,0), Suíça (9,0), e Qatar (8,6).

No Velho Mundo, o segmento UHNW (especialmente a fração de bilionários) é esperado obter o maior crescimento no número de domicílios em 2019, cerca de 13%, anualmente, na Europa Ocidental e 12% na América do Norte (cerca de duas vezes mais rápido que o segmento superior de HNW  nessas regiões). A imagem permanece semelhante na maior parte do Novo Mundo, com exceção da Europa Oriental, onde se espera que o segmento HNW superior não vá crescer tão fortemente (18% ao ano) como o segmento UHNW.

O crescimento projetado desses segmentos apresenta uma oportunidade significativa para os gestores de ativos em nível mundial. Quanto ao resto do mundo, será tratado como resto… snif, snif…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s