Auto-Organização e Criação

Sistemas não-linearesItala M. Loffredo D’ottaviano (Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência – Grupo de Lógica Teórica e Aplicada, CLE/GLTA-UNICAMP e Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, IFCH-UNICAMP) e Ettore Bresciani Filho (Faculdade de Engenharia Mecânica, FEM-UNICAMP, e Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias, PUC-Campinas) neste trabalho – Auto-Organização e Criação – discutem, inicialmente, as noções e conceitos que fazem parte da Ciência dos Sistemas, a Sistêmica. A seguir, apresentam alguns aspectos fundamentais dos sistemas dinâmicos denominados caóticos, com o objetivo de analisar os possíveis processos de auto-organização a eles inerentes, particularmente o processo de criação.

Um sistema pode ser inicialmente definido como uma entidade unitária, de natureza complexa e organizada, constituída por um conjunto não-vazio de elementos ativos que mantêm relações, com características de invariança no tempo, que lhe garantem sua própria identidade. Nesse sentido, um sistema consiste de um conjunto de elementos que formam uma estrutura, a qual possui uma funcionalidade.

O conjunto não-vazio de elementos, subjacente a um sistema, é denominado universo do sistema. Entretanto, observa-se que não se deve confundir um sistema com o seu universo.

Os elementos do sistema são considerados como sendo as partes, os componentes, os atores ou os agentes que realizam atividades. Os elementos possuem características, propriedades, atributos, predicados e qualidades, que podem ser expressos por parâmetros variáveis ou constantes. O sistema também desenvolve atividades (funções, processos, ações, etc.), assume estados e possui características (propriedades, etc.) próprias.

Subconjuntos do universo do sistema podem, por sua vez, constituir subsistemas do sistema geral. Isso significa que tais subconjuntos, sob o ponto de vista de algumas relações que caracterizam o sistema, constituem subestruturas da estrutura subjacente ao sistema. Tais subestruturas possuem funcionalidade, que é parte integrante da funcionalidade do sistema geral.

Devido às relações estabelecidas entre os elementos, as características do sistema não são obrigatoriamente iguais à soma das características dos seus elementos ou dos seus subsistemas. Em outras palavras, “o Todo é mais, ou menos, do que a soma das Partes”. Esse fato define a propriedade de sinergia (positiva ou negativa, respectivamente) do sistema.

Um sistema é denominado ordenado quando pelo menos uma das relações que caracterizam sua estrutura é relação de ordem, isto é, quando existe pelo menos uma ‘ordem’ no sistema. Nesse sentido, um sistema pode ser considerado ordenado sob diferentes enfoques, ou seja, ele pode ter distintas relações de ordem; se uma dessas relações de ordem for total então, sob essa perspectiva, ele pode ser considerado totalmente ordenado.

Observa-se que sistemas hierarquizados são sistemas ordenados, isto é, as hierarquias são relações de ordem. Quando o sistema é totalmente hierarquizado, esta hierarquia constitui uma relação de ordem total no sistema.

Neste ponto é fundamental destacar que D’Ottaviano e Bresciani fazem distinção entre ordem e organização:

  1. a organização é uma característica essencial de cada sistema,
  2. enquanto a ordem é uma característica particular de certas organizações e, portanto, de certos sistemas.

Nesse sentido, podem existir organizações não ordenadas, e também organizações ordenadas, mas não totalmente hierarquizadas. Isto é, podem existir sistemas organizados, cujas estruturas subjacentes não possuem, entre as relações que as constituem, qualquer relação de ordem.

A complexidade pode ser caracterizada a partir do conceito de relação. Sistemas Complexos apresentam necessariamente relações circulares, apesar de seus elementos não serem obrigatoriamente numerosos. Os sistemas constituídos de muitos elementos, mesmo com relações arborescentes, podem ser considerados apenas complicados, mas não obrigatoriamente complexos.

A complexidade depende da:

  1. quantidade de elementos,
  2. variedade de elementos,
  3. quantidade de relações e
  4. variedade de relações.

O sistema pode ser considerado como um objeto a ser observado, estudado, abstraído, conceituado, concebido, analisado, simulado, modelado ou representado por um sujeito, que pode não ser interno a esse sistema. O sujeito, mesmo não sendo interno ao sistema, estabelece uma relação com o objeto de estudo, através de atividades de reflexão, especulação, observação e experimentação.

Essas atividades buscam encontrar qualidades de organização no objeto, que caracterizam a sua existência, estrutura, funcionalidade e possível evolução. A presença de um sujeito implica inevitavelmente na presença de um ponto de vista subjetivo, não mais apenas objetivo, do sistema.

Quando o sujeito é um elemento interno ao sistema, ele se constitui em um participante, que exerce influência sobre os demais elementos do sistema e é influenciado por eles. O universo de fenômenos observados (ou representados) se define na relação entre sujeito e objeto, no domínio da forma, do espaço e do tempo.

Continua no próximo post.

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