Sistema e Meio-Ambiente: Mudança e Equilíbrio

nao-lineariedadeD’Ottaviano e Bresciani afirmam que todo sistema tem uma fronteira, que pode ser identificada pelo sujeito, quando da sua observação. Essa fronteira permite reconhecer os elementos que fazem parte e os que não fazem parte do sistema.

O meio ambiente é tudo aquilo que se convenciona como estando fora do sistema. O universo do meio ambiente é o complemento do universo do sistema, em relação a uma determinada totalidade de elementos.

Cabe destacar que, em geral, um sistema não é completamente isolado do seu meio ambiente (ou fechado ao meio ambiente), pois tudo (matéria, energia ou informação) o que entra ou sai do sistema vem do, passa por ou sai para o meio ambiente, sendo a fronteira o lugar onde se dá essa passagem de importação e de exportação.

  • Pode-se admitir a existência de sistemas que não interagem de qualquer modo com o meio ambiente; nesse caso, esses sistemas são caracterizados como fechados e isolados.
  • Pode-se admitir também a existência de sistemas com elementos particular e totalmente sensíveis às contingências ambientais; nesse caso, esses sistemas são caracterizados como abertos.

Em decorrência da existência da fronteira, pode-se identificar os elementos internos e externos ao sistema, lembrando que esses elementos podem manter relações entre si e exercer influências mútuas.

Os elementos internos ao sistema são os elementos do universo do sistema, que mantêm pelo menos uma determinada relação apenas com elementos do universo do sistema, ou seja, não mantêm essa relação com qualquer elemento do universo do meio ambiente.

Os elementos externos ao sistema são os elementos do universo do meio ambiente, que mantêm pelo menos uma determinada relação apenas com elementos do universo do meio ambiente, ou seja, não mantêm essa relação com qualquer elemento do universo do sistema.

Assim, pode-se distinguir uma categoria especial de elementos, denominados elementos de fronteira, que têm por incumbência estabelecer as relações do sistema com o meio ambiente e do meio ambiente com o sistema, sendo os responsáveis pelas entradas e saídas do sistema. Observa-se que os elementos de importação e de exportação são exatamente os elementos de fronteira do sistema. Os elementos de fronteira não são quer internos, quer externos ao sistema.

Em alguns casos, os elementos de fronteira podem pertencer ao universo do sistema e, em outros, ao universo do meio ambiente. Porém, em qualquer desses casos, o elemento é de fronteira justamente porque mantém relações com elementos internos e externos ao sistema.

Além disso, observa-se que pode acontecer que todos os elementos da fronteira de um sistema sejam externos ao sistema, que neste caso é totalmente aberto. Por outro lado, pode acontecer que todos os elementos da fronteira do sistema pertençam ao universo do sistema, que neste caso é um conjunto fechado. Porém, como ser elemento de fronteira significa manter necessariamente relações com elementos internos e externos, em nenhum desses casos, mesmo nos casos extremos, o sistema se caracteriza como sendo fechado e isolado do meio ambiente (ou fechado ao meio ambiente).

Os elementos internos e externos atuam, inter-relacionando-se ou interagindo.

As noções de elemento interno, externo e de fronteira de um sistema, e a noção de complemento decorrem dos conceitos lógico-matemáticos gerais correspondentes.

Um sistema pode encontrar-se em um estado de equilíbrio e apresentar a característica de estabilidade, ou encontrar-se em um estado de desequilíbrio e apresentar a característica de instabilidade. Mas, em ambas situações, em alguns casos, pode-se caracterizar um potencial de instabilidade, quando o sistema se encontra em um estado estável, ou um potencial de estabilidade, quando o sistema se encontra em um estado instável.

  • Um estado de equilíbrio é aquele em que o sistema não se transforma e mantém as suas características organizacionais.
  • Um estado de desequilíbrio é aquele em que o sistema se transforma, com mudanças das suas características organizacionais.

As mudanças organizacionais fazem parte, ou são consequência, de processos do sistema, que podem ser considerados como sendo emergências que ocorrem no (ou que decorrem do) sistema, com exceção da sobrevivência, que é uma condição prévia da existência do sistema.

As mudanças de estado podem ser identificadas, em um sistema, pelas mudanças dos comportamentos dos elementos de entrada e de saída do sistema, representados por variáveis de estado. Cada novo estado pode ser considerado como uma novidade no sistema.

As mudanças do sistema podem decorrer de atividades predeterminadas e realizadas por elementos internos, externos ou de fronteira e, nesse caso, são previsíveis. Mas as mudanças também podem decorrer de atividades não predeterminadas e realizadas, de forma espontânea e autônoma, por elementos internos, externos ou de fronteira e, nesse outro caso, são imprevisíveis.

Além disso, as mudanças organizacionais podem ocorrer de modo contínuo ou descontínuo, e também de modo incremental ou radical.

A mudança radical pode se dar por uma ruptura total com a organização anterior. Em um caso-limite, a partir de um momento considerado crítico ou de crise sistêmica, o evento de mudança radical pode se constituir em uma catástrofe sistêmica.

Duas características dos sistemas, que estão associadas à manutenção ou à mudança de estados, podem ser mencionadas:

  1. característica da regulagem, que se manifesta pela manutenção do estado de equilíbrio e da existência do sistema;
  2. característica de adaptação, que se expressa pela mudança de um estado em um novo estado de equilíbrio.

Os mecanismos de regulagem ou de adaptação fazem parte dos processos que levam o sistema a atingir a condição de equilíbrio e de desequilíbrio, com manutenção de estado ou com mudança de estado. A regulagem e a adaptação se dão através de atividades exercidas por elementos externos, internos ou de fronteira do sistema.

No caso particular de uma atividade autônoma de elementos internos, com eventual participação de elementos de fronteira, afirma-se que os mecanismos de controle, que mantêm a existência do sistema, são de auto-regulagem ou de auto-adaptação.

A auto-organização se caracteriza como um fenômeno de transformação ou de criação de uma organização, que decorre fundamentalmente da interação das atividades predeterminadas, se as houver, com essa atividade autônoma e espontânea de elementos internos e, eventualmente, de fronteira do sistema, através de processos recorrentes.

A atividade espontânea decorre da existência de grau mínimo de autonomia dos elementos atuantes. Por sua vez, os processos recorrentes precisam estar presentes, para que os elementos autônomos, em suas atividades, se integrem em uma organização com auto referência.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s