Rotina, Busca e Inovação

Richard NelsonA Teoria Ortodoxa faz uma distinção precisa entre:

  1. o que está envolvido na operação de uma determinada técnica, e
  2. o que está envolvido na decisão de qual técnica utilizar.

Em sua Teoria Evolucionária, Nelson & Winter veem fortes semelhanças entre elas.

Há um caráter parecido com “seguir a regra” na formação de decisão das firmas, evidenciado em estudos empíricos, sobre:

  1. o comportamento na formação de preços,
  2. o gerenciamento de estoques, e
  3. as políticas de publicidade.

A rotinização controla campos particulares de tomadas de decisões, porque a cena principal está em outro lugar, talvez em:

  1. finanças,
  2. política de P&D, ou
  3. enfrentamento de regulamentação.

As características das rotinas vigentes podem ser entendidas como referência ao processo evolucionário que as moldou. Nelson & Winter distinguem três classes de rotinas:

  1. Uma delas se relaciona ao que a firma faz a qualquer momento, dados seu estoque anterior de fábricas, equipamentos e outros fatores de produção que não podem ser rapidamente aumentados no curto prazo.
  2. O segundo conjunto de rotinas determina o aumento ou a diminuição do estoque de capital da firma, período a período, ou seja, o que é fixo em curto prazo – o mecanismo de seleção entre firmas lucrativas ou não-lucrativas é análogo à seleção natural de genótipos com taxa de reprodução líquida diferenciadas da Teoria Evolucionária da Biologia, sendo a sensibilidade da taxa de crescimento de uma firma à prosperidade ou à adversidade um reflexo de seus “genes”.
  3. Finalmente, veem as firmas como possuidoras de rotinas – em seus departamentos de análise de mercado, oficinas de pesquisa operacional e laboratórios de P&D –, que funcionam melhor para modificar certos aspectos de suas características operacionais ao longo do tempo.

Esses processos guiados por rotinas e modificadores de rotinas são modelados como “buscas”. Uma política de busca de rotinas novas por parte da firma será caracterizada como determinante da distribuição probabilística do que será encontrado através da busca, como uma função de várias variáveis, por exemplo, dispêndio da firma em P&D, que, por sua vez, pode ser função de seu porte.

Obviamente, esse conceito de busca constitui a contrapartida de mutação na Teoria Evolucionária biológica. O tratamento da busca como parcialmente determinada pelas rotinas da firma é paralelo ao tratamento da mutação, na Teoria Biológica, parcialmente determinado pela constituição genética do organismo.

A preocupação central da Teoria Evolucionária diz respeito aos processos dinâmicos que determinam conjuntamente os padrões de comportamento da firma e os resultados de mercado ao longo do tempo. O objetivo do esforço de modelagem não é apenas descrever o sistema, mas descrevê-lo de modo que seu comportamento possa ser compreendido em algum grau. Os modelos são exemplos muito simples dentro desse esquema abstrato.

Como a maioria dos colegas ortodoxos, Nelson & Winter distinguem claramente entre:

  1. o poder e a generalidade das ideias teóricas que empregam, e
  2. os resultados muito limitados que os seus esforços de modelagem específicos geraram até o momento (1982) em que escreveram o livro Uma Teoria Evolucionária da Mudança Econômica.

No entanto, o Evolucionismo se contrapõe ao Fixismo da Teoria Econômica neoclássica. Este é uma teoria defendida pela religião conservadora, segundo a qual os seres vivos teriam sido criados por um ser divino sobrenatural. Sendo assim, eles permaneceram até os dias atuais sem terem sofrido quaisquer tipo de evolução biológica. O neoclassicismo não aceita que tenha ocorrido a extinção da espécie Homo Economicus!

2 thoughts on “Rotina, Busca e Inovação

  1. Prezado Fernando,

    ao ver você falar sobre rixa dos ortodoxos com os heterodoxos, comecei a ler a respeito, imediatamente detectei um padrão que é uma prática típica dos ortodoxos: usar a mesma fórmula da mesma maneira, ou seja, seguem a receita à risca não ousando modificar os ingredientes por medo de estarem errados.

    Este é o mesmo pensamento compartilhado pelos religiosos que pensam que a terra é plana, tem 6 mil anos e existe um Deus que dita as regras morais o tempo todo; mesmo quando estão nos aviões, fecham as janelas e não olham para fora com medo de perceber a curvatura da terra.

    Leia a matéria a seguir:
    A TERRA NÃO É PLANA, MAS ERA, ANTES E DURANTE A IDADE MÉDIA: https://netnature.wordpress.com/2015/08/24/oh-meu-deus-a-terra-nao-e-plana-mas-era-antes-e-durante-a-idade-media-refutacoes-que-sairam-pela-culatra/

    Abs.

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