Reflexões sobre o Progresso do Pensamento Econômico

institucionalismoA. W. Coats oferece algumas reflexões gerais sobre as perspectivas na cena da corrente heterodoxa do pensamento econômico. A insurreição da Economia Comportamental inclui contribuições do mainstream econômico, além dos de uma ampla variedade de outras disciplinas das Ciências Sociais. No entanto, membros dessa corrente expressam críticas à Economia Ortodoxa, endossadas por economistas heterodoxos, tais como:

  1. a confiança no positivismo como a fundação metodológica da pesquisa econômica;
  2. a confiança na argumentação dedutiva como uma base suficiente de uma Ciência (Social);
  3. preferência por análise estática do equilíbrio resultante mais do que processo de desequilíbrio;
  4. aderência a um modelo simplista de agentes racionais exibindo comportamento otimizador.

A segunda questão, para desbastar o pensamento do mainstream ou trabalhar construtivamente em direção a uma aproximação, tem tanto antecedentes históricos quanto implicações para o futuro. Ela reclama a diferença básica entre:

  • o institucionalismo de Veblen, colocado como uma alternativa à Economia Ortodoxa, e
  • o de Commons e Mitchell, que acreditam que ambos se complementam.

Diferentemente do Velho Institucionalismo, a Economia Comportamental não foi desenhada como um movimento doutrinário com significado ideológico, mas simplesmente como mais uma abordagem para fazer pesquisa econômica. Pode contribuir para pesquisadores de muitas diferentes disciplinas, pois não é substancialmente específica. É um suporte bem aceito para estas como uma teoria econômica requerida para se concentrar sobre – e ser capaz de explicar – o comportamento observado na realidade. Empiricamente, testa suas hipóteses em pesquisas de campo e laboratórios, além de usar outras técnicas de análise de micro dados.

Os economistas comportamentais não estariam preocupados, especificamente, com o combate à Hipótese do Mercado Eficiente, mas acabaram comprovando a ineficiência de O Mercado em ajustar seus valores aos fundamentos idealizados pelos economistas ortodoxos. Isto porque aqueles não se instalaram em uma “fortaleza ideológica”, como mais um “bando de rebeldes” dentro de uma imensa variedade de centros desconectados, cada qual oferecendo seu próprio programa para o futuro.

Contribuirão eles para a elaboração de uma política econômica evolucionária? Os economistas evolucionários, também interdisciplinares, são certamente menos heterogêneos do que os economistas comportamentais. A confiança destes em uma teoria econômica “empiricamente verificável” parece ser agora algo datado, afora seu limitado, porém promissor, trabalho em Economia Experimental.

Sob a proteção do rótulo de Economia Institucionalista há uma grande variedade de visões e abordagens. O falecimento desse movimento foi muitas vezes anunciado prematuramente. Se o Institucionalismo é difícil de se definir, a tarefa não é mais fácil no caso da Economia Ortodoxa. A política econômica ortodoxa com sua característica usual tem sido repudiada pela maioria dos que acreditam seguir a ortodoxia!

Uma tentativa de definir as características e demarcar as fronteiras entre as Economias Ortodoxa e Heterodoxa, que estão constantemente se alterando, requereria toda uma monografia. Essa tarefa torna-se cada vez mais difícil face às mais difundidas influências ou dissidências heterodoxas. Para cada proposição ortodoxa existe pelo menos uma alternativa contrária…

A. W. Coats define “progresso”, inclusivamente, como um movimento na direção geral desejada por economistas heterodoxos, seja ele derivado de fontes heterodoxas ou não. Insatisfação com a Economia do Mainstream vem desde o surgimento do neoclassicismo no fim do século XIX. Nenhuma ciência foi tão criticada por seus próprios seguidores, de maneira tão aberta e constante, quanto a Economia.

Recentemente, o coro dissidente tornou-se mais insistente, variado em suas fontes e conteúdos, e organizado em associações com crescente número de membros acadêmicos. Além disso, os próprios seguidores da Economia do mainstream passaram expressar críticas à Economia Neoclássica e se propuseram a remediar suas deficiências. Fazendo isso, eles acabaram minando as fundações ortodoxas e contribuindo para a convergência entre as abordagens ortodoxas e heterodoxas.

Um exemplo muito citado daquilo que pode ser denominado de “subversão da ortodoxia” é o livro de Richard Nelson e Sidney Winter: Uma Teoria Evolucionária da Mudança Econômica (Campinas; Editora da Unicamp; 2005 – original de 1982). Ele avançou significativamente na Teoria da Firma sob uma direção evolucionária ou institucionalista.

Progresso na Economia Heterodoxa pode vir como o resultado de mudanças seja nas ideias e práticas heterodoxas ou ortodoxas, seja pela combinação e/ou convergência entre as duas. Sob risco de excessiva simplificação, parece claro, para A. W. Coats, que durante as últimas duas ou três décadas o ritmo e a extensão da mudança conceitual foi bem maior entre os economistas ortodoxos do que entre os heterodoxos.

Muitos dos mais profundos pensadores neoclássicos, hoje em dia, reconhecem a validade das críticas amplas e radicais a seus aparatos e métodos, especialmente:

  1. às premissas básicas,
  2. aos problemas nas aplicações e nos testes de suas teorias, e
  3. à frequência de falhas na política econômica inspirada no neoclassicismo.

Suas respostas criativas tem, gradualmente, convertido a Economia do Mainstream em uma disciplina mais ampla, flexível, diversa, interdisciplinar e realista. Embora esteja, sem dúvida, menos coerente, distanciou-se do estereótipo rígido anteriormente destacado em críticas heterodoxas.

O mais destacado exemplo singular de um movimento convergente entre a Economia Ortodoxa e a Heterodoxa tem sido o crescimento da autodenominada “Nova Economia Institucionalista”, nos Estados Unidos, desde a metade dos anos 70. Sem dúvida, ela emergiu do campo ortodoxo e reflete o profundo desejo de alguma forma levar em conta as instituições.

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