Grande Fortuna: Moto-Contínuo ou Máquina de Movimento Perpétuo

Gestão da Patrimônio jun 2015Private Banking jun 2015Fundos jun 2015 Um moto-contínuo ou a máquina de movimento perpétuo são classes de máquinas hipotéticas as quais reutilizariam indefinidamente a energia gerada por seu próprio movimento. Tanto teoricamente, quanto experimentalmente, as propostas de moto-contínuos são universalmente vistas com descrença pelos físicos. Um moto-contínuo, além de violar as lei da termodinâmica, violaria também a chamada Lei Áurea da Mecânica, segundo a qual o trabalho aplicado é igual ou maior que o trabalho realizado.

No entanto, no Brasil, a “indústria (sic) de Fundos” cresce por moto-contínuo! A política de juros elevadíssimos adotada pela casta dos sábios-tecnocratas, aliados aos sábios-economistas-chefes, permite aqui esse milagre econômico: o trabalho aplicado é igual ou maior que o trabalho realizado!

No primeiro semestre de 2015, os ativos de todos Fundos somaram quase três trilhões de reais: R$ 2.909.692,3 milhões. Mas a captação líquida no ano foi de apenas R$ 19,08 bilhões, ou seja, os ativos totais cresceram devido à capitalização realizada pelos juros compostos. Comparando com a capitalização atual a base de 1,1% ao mês, esse saldo aumentaria, mensalmente, em termos nominais, cerca de R$ 32 bilhões.

Apenas as Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC) com cerca de R$ 20,7 bilhões, o Middle Market (R$ 3,1 bilhões), o Varejo de Alta Renda (R$ 8,2 bilhões), o Varejo (R$ 4,2 bilhões) e Estrangeiros (R$ 9,2 bilhões) tiveram captação líquida positiva compensando os resgates líquidos de outros segmentos de clientes. As participações dos Fundos de Pensão Abertos (EAPC com 16,3%) já equivalem às dos Fechados (EFPC com 16,1%).

Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) indicam aumento de 27% nas captações dos Fundos de Previdência Complementar (Abertos) entre janeiro e junho de 2015. Ao todo esse segmento possui reservas de R$ 486 bilhões. O cenário positivo foi corroborado por um efeito estatístico, pois nesse mesmo período do ano passado as captações caíram quase 4% já pelo impacto das oscilações e incertezas trazidas então pelo processo eleitoral.

Desemprego reduz renda e, sem renda do trabalho suficiente para todos os assalariados, não têm muita sobra para investir no mercado financeiro. Só a renda do capital cresce aceleradamente por causa dos juros reais.

Com o realinhamento tarifário pregado pelos sábios-e-sabidos da minha corporação profissional, a taxa de inflação, que tinha sido mantida abaixo do teto da meta durante 10 anos (2005-2014), depois do choque tarifário do primeiro trimestre de 2015, teve sua inércia quebrada com a taxa em 12 meses aumentando quase 50%: de 6,5% para 9,56%. Foi a justificativa para os sábios-tecnocratas elevarem os juros sem sentirem a consciência culpada pelo conflito de interesses, pois eles ganham pessoalmente com isso.

Inflação jun2014-jun2015Confira as seguintes tabelas com informações sobre patrimônio líquido e captação líquida de cada categoria de Fundos, de acordo com o segmento do cliente:

​Patrimônio Líquido e Captação Líquida por Categoria de Fundos e Segmentos do Investidor

O principal concorrente do Gestor de Patrimônio é o Private Banking, que atende clientes de alto patrimônio dentro dos bancos. O crescimento em volume de recursos no primeiro semestre foi semelhante, de 7,59%, para R$ 694,05 bilhões, ou seja, dez vezes o valor administrado pelos independentes. O patrimônio médio por cliente é menor, de R$ 12,07 milhões. Só, ‘tadinhos… Não podem pagar impostos…😦

Enquanto não têm muito o que comemorar pelo lado da economia real, os donos de grandes fortunas viram o patrimônio financeiro crescer neste começo de ano acima da taxa de inflação. No primeiro semestre de 2015, a alta acumulada do IPCA foi de 6,17%. De janeiro a junho de 2015, o valor administrado por gestores de patrimônio cresceu 7,7%, acima dos 5,92% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial para aplicações conservadoras, e bem além do desempenho do ano passado, em que o volume diminuiu 1,2%. Em outras palavras, enquanto o desemprego do trabalho cresce e o salário real decresce, o emprego do capital em juros cresce em termos reais.

Luciana Seabra (Valor, 27/08/15) informa que, com o avanço, o valor administrado pelos gestores de fortunas não ligados a bancos chegou a R$ 68,53 bilhões, segundo os dados apurados a cada semestre pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O valor médio por cliente do segmento chegou em junho a R$ 19,29 milhões, acima dos R$ 16,43 milhões de dezembro de 2014. Representa apenas um pequenino aumento de 17,4% em um semestre… Só, ‘tadinhos… Não podem pagar impostos…😦

O custo de oportunidade, para a renda do capital, é dado agora pelo juro em 14,25% aa. Além da capitalização desse patrimônio, houve captação líquida, com a entrada de investidores interessados em aconselhamento personalizado diante do ambiente de incerteza.

A valorização do dólar também ajudou a fomentar o retorno dos portfólios. O crescimento de fortunas ainda é mais lento do que no passado por conta da desaceleração da economia. O ritmo está longe do de 2013, quando o patrimônio administrado cresceu 22,1%. Não teve muita geração de riqueza em termos de valor adicionado na produção e o número de IPOs (operações de abertura de capital) caiu. Predomina assim “o jogo de rouba-monte entre instituições”, em que ganha quem consegue oferecer melhores serviços.

As estatísticas dos gestores de patrimônio, divulgadas pela ANBIMA, mostram uma redução de 321 clientes atendidos, chegando a 3.553. Esse foi apenas o efeito de um ajuste fino na base, de acordo com a Anbima. O setor, assim como o Private Banking, trabalha com o conceito de grupo econômico, em que os integrantes de uma família, por exemplo, são contados como apenas um cliente. Algumas casas não tinham um entendimento tão claro do conceito, que foi uniformizado nos últimos meses, segundo a associação, levando ao encolhimento do número de clientes.

O portfólio do cliente do gestor de patrimônio ainda mostra um avanço do conservadorismo. A parcela aplicada em renda fixa cresceu 14,8% no primeiro semestre, de tal forma que já representa 42,4% do valor administrado pelo segmento. No detalhamento da renda fixa, o maior avanço foi dos títulos privados, de 19,6%, mostrando que a oferta de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) ainda continua muito presente entre clientes de alto patrimônio.

Entretanto, esses investidores ampliaram pouco a parcela em renda variável, passando de 23,2% do portfólio em dezembro do ano passado a 23,8% agora. Muitos clientes são empresários com participações acionárias que lhe rendem dividendos sobre os quais não pagam impostos.

Por meio de fundos de fundos, esses alocadores conseguem ampliar a parcela líquida em caixa para ultrapassar momentos de turbulência, além de criar estruturas de proteção.

Tem se dado prioridade, na Bolsa de Valores, a posições de maior liquidez, que permitam entrada e saída rápidas. Com custo de oportunidade alto, carregar bolsa por prazo muito longo é difícil. Logo, a parcela de risco fora de renda fixa tem sido reduzida, embora a combinação com a renda variável é suposta ser uma estratégia vencedora. “A economia real ainda é onde se cria grande parte da riqueza, no Brasil e no mundo”: será?!

Já os Fundos Multimercados têm perdido prestígio por causa da aversão ao risco. A fatia do patrimônio dedicada a eles chegou a 24,6% em junho, na terceira queda consecutiva desde o começo do histórico da estatística, 2012, quando era de 35,6%.

As estatísticas incluem as casas que aderem ao Código de Gestão de Patrimônio da Anbima, que reúne as melhores práticas definidas pelo próprio mercado. Para os dados, que começaram a ser divulgados em 2012, ficarem mais robustos e o segmento se fortalecer, a Anbima tem feito um trabalho de comunicação a fim de atrair novos participantes.

No cenário de juros altos, faz sentido aplicar o dinheiro em Fundos Referenciados DI. Do início de 2015 até o dia 14 de agosto, esses fundos registraram captação de R$ 21,4 bilhões. Mas, o investidor não deve se acomodar na aplicação, dizem especialistas. Assim que a taxa de juro voltar a cair, ele pode deixar de ter rendimento líquido de capital. É preciso ficar atento ao movimento do mercado.

Desde abril de 2013, quando a taxa básica de juro (Selic) passou de 7,25% para 7,50% ao ano, a trajetória de alta foi mantida. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no final de julho, a Selic foi elevada para 14,25%. Essa escalada aumentou o interesse de investidores pelos Fundos Referenciados DI – produto conservador com títulos públicos pós-fixados com base no CDI (certificado de depósito interfinanceiro) que, por sua vez, é atrelado à taxa Selic. O segmento do fundo DI representa 14% (R$ 419,4 bilhões) do patrimônio de toda a indústria de fundos do país, com R$ 2,9 trilhões.

Muitos investidores com dinheiro aplicado nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) migraram para os fundos DI. Um dos fatores seria o aumento do prazo de carência, no final de maio, para o resgate dos recursos aplicados nesses papéis. Também o fato de o ministro da Fazenda já ter manifestado, em diversas ocasiões, a vontade de “harmonizar os instrumentos da poupança”, ou seja, igualar a tributação das aplicações em renda fixa, diminuiu a atratividade das LCIs e LCAs. As aplicações nelas cresceram muito nos últimos tempos, justamente por serem isentas de Imposto de Renda.

A migração para os fundos DI se deu também pela escassez dos produtos no mercado. No passado recente, havia muita demanda, mas as LCIs sumiram. Além de serem produtos mais complexos que os fundos DI, os investidores com pequenas quantias não conseguem, facilmente, fazer a aplicação em LCA ou LCI.

Atualmente, os fundos DI representam uma boa alternativa ao investidor pessoa física por permitir a aplicação de pequenas quantias (há fundos de R$ 100 de tíquete inicial) e com rentabilidade bruta próxima à da Selic. Mesmo excluindo a taxa de administração, a rentabilidade do dinheiro aplicado no fundo DI pode ser interessante para pequenas quantias. Tem fundo DI de grande banco com 0,5% de taxa de administração e mais de 15 mil cotistas, com rendimento de 80% do CDI, já líquido do imposto de renda.

O fundo DI é uma opção para o ambiente de incertezas no país. O produto apresenta risco reduzido e ganho atraente, enquanto a taxa de juro está alta.

Os Fundos de Renda Fixa, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), apresentaram, em julho, rentabilidade de 1,08%. Por exemplo, patrimônio de R$ 2.500.000 obteve renda do capital de R$ 27.000, talvez maior do que a renda do trabalho mensal de seu possuidor.

No mesmo período, os multimercados macro registraram alta de 4,99%, e os da categoria cambial, de 10,31%. Mesmo fora dos destaques em rentabilidade, os fundos de renda fixa concentram a maior fatia do patrimônio líquido da indústria: 28,2%, equivalente a R$ 819,2 bilhões.

Nem os multimercados, que tiveram performance mais positiva, têm feito os investidores realocarem suas carteiras em ativos de maior risco. A soma de juros altos — taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano e o CDI, 14,13% — versus baixo risco, faz da renda fixa pós-fixada uma opção muito atrativa ao investidor. Não tem nenhum ativo de baixo risco que tenha um retorno comparável.

Sendo assim, a maior parte das carteiras em renda fixa deve ser alocada em papéis pós-fixados, protegendo o portfólio do atual momento, que conjuga altas taxas de juros e recessão. Só em 2016 devemos começar a ver algum sinal, por parte do Banco Central, de que a taxa de juros irá interromper a alta e dar início a uma lenta diminuição. Se isso acontecer, pode-se aproveitar os prefixados. Mas recomenda-se ir com parcimônia, alocando, no máximo, 20% da carteira em papéis com esse perfil.

Quem acreditar que o ciclo de altas da Selic acabou, considerando essa hipótese, começa a perceber papéis interessantes prefixados para dois ou três anos. Se houver estabilidade nos juros e início de processo de redução da Selic a partir de meados do próximo ano, recomenda-se alocar parcela razoável da carteira em prefixados.

Porém,  ressalta-se que a alocação nesses papéis deve variar de acordo com perfil de risco do investidor, maturidade e perspectiva de resgate. Aos mais novos, faz sentido tomar risco por mais tempo. A volatilidade é maior, mas estará assegurando retorno elevado por período longo e garantindo renda futura.

Há um cuidado adicional na montagem dos portfólios. Com a falta de clareza quanto aos rumos da economia e da política, recomenda-se que o prazo médio de vencimento dos papéis que compõem a carteira seja diminuído, girando em torno de dois anos. Encurtando os prazos, consegue-se ter alguma previsibilidade quanto à inflação ou atividade econômica.

Enquanto isso…

Jorge Paulo Lemann é o homem mais rico do Brasil em 2015, segundo levantamento da revista “Forbes Brasil”, divulgado nesta sexta-feira (28). Ele já havia ficado no topo da lista em 2014.

Além de Lemann, outros dois bilionários no ranking, Marcel Telles e Beto Sicupira, são controladores da AB Inbev. O trio quase duplicou seu patrimônio desde o ano passado.

De acordo com a revista, 80 dos 150 bilionários brasileiros do ranking anterior tiveram seu patrimônio aumentado ao longo do último ano, apesar da crise econômica.

O patrimônio dos 160 bilionários (em reais) brasileiros da lista 2015 atinge cerca de R$ 806,66 bilhões, o equivalente a 14,66% do PIB brasileiro no último ano.

  • Os vinte brasileiros mais ricos, segundo a “Forbes Brasil”
Ranking Brasileiros Fortuna, em R$
Jorge Paulo Lemann 83,70 bi
Joseph Safra 52,90 bi
Marcel Herrmann Telles 42,26 bi
Carlos Alberto Sicupira 36,93 bi
João Roberto Marinho 23,80 bi (empatado)
José Roberto Marinho 23,80 bi (empatado)
Roberto Irineu Marinho 23,80 bi (empatado)
Eduardo Saverin 17,53 bi
Marcelo Odebrecht & família 13,10 bi
10º Abilio dos Santos Diniz 12,83 bi
11º Walter Faria 10,40 bi
12º Francisco Ivens de Sá Dias Branco 10,36 bi
13º André Santos Esteves 9,07 bi
14º Aloysio de Andrade Faria 8,45 bi
15º José Luís Cutrale & família 7,82 bi
16º Alexandre Grendene Bartelle & família 7,51 bi
17º Fernando Roberto Moreira Salles 7,45 bi (empatado)
18º João Moreira Salles 7,45 bi (empatado)
19º Pedro Moreira Salles 7,45 bi (empatado)
20º Walter Moreira Salles Júnior 7,45 bi (empatado)

“Forbes Brasil”

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