Uma Análise Dos Rendimentos Do Trabalho Entre Indivíduos Com Ensino Superior No Brasil

Áreas de formaçãoOcupação X Área de FormaçãoO Texto para Discussão 2110 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Uma Análise Dos Rendimentos Do Trabalho Entre Indivíduos Com Ensino Superior No Brasil, de autoria de Maurício Cortez Reis e Danielle Carusi Machado (Brasília : Rio de Janeiro : Ipea; julho 2015), tem como objetivo analisar o mercado de trabalho para indivíduos que concluíram o ensino superior no Brasil, usando dados do Censo de 2010.

A desigualdade de rendimentos entre os trabalhadores brasileiros de nível superior é extremamente elevada. De acordo com os resultados encontrados, um dos fatores que contribui para isso é a acentuada disparidade nos rendimentos do trabalho entre as áreas de formação profissional.

Além disso, uma parcela dos trabalhadores com nível superior no Brasil atua em ocupações sem relação com a área de formação, e as evidências indicam que quanto maior o grau de desajuste entre a formação e a ocupação maior tende a ser a penalidade sobre os rendimentos.

Os resultados mostram também que a influência desses fatores varia substancialmente ao longo da distribuição de rendimentos do trabalho.

A tabela 1 mostra ainda que 31% dos trabalhadores com formação superior atuam em ocupações que não necessariamente exigem um nível tão alto de qualificação. São classificados nessa categoria que exige formação superior os ocupados como:

i)         dirigentes e gerentes; e

ii)        profissionais das ciências e intelectuais.

Para algumas formações, essa situação é muito mais comum, como nos cursos ligados aos serviços (48%), e nos de comércio e administração (45%). Já nas áreas de saúde e educação, nota-se uma porcentagem bem menor de trabalhadores em ocupações cujo nível de qualificação exigido é mais baixo.

Na tabela 2, são apresentadas algumas características dos indivíduos na amostra separadamente por gênero. Nota-se que, em todas as áreas de formação, a média dos rendimentos por hora é maior para os homens que para as mulheres. As menores diferenças são verificadas entre aqueles com formação em humanidades e artes (22%) e na área de educação (24%). As áreas que registram os maiores diferenciais de rendimentos por gênero são: serviços (73%), saúde (54%) e comércio e administração (53%).

A maior parte dos trabalhadores ocupados completou o grau mais elevado em cursos nas áreas de comércio e administração (22%) e educação (20,4%). Em terceiro lugar aparece a área de saúde (13%), enquanto a formação em agricultura e veterinária é a que registra menor participação (2%).

A distribuição por área dos trabalhadores ocupados com graduação é bastante semelhante à mostrada para o grau mais elevado, já que uma parcela muito pequena dos indivíduos no Brasil possui mestrado ou doutorado. No entanto, a distribuição por área de formação entre os indivíduos com pós-graduação é bastante diferente.

A área de saúde concentra 15% e 23% dos trabalhadores com mestrado e doutorado completos, respectivamente.

A segunda área de concentração para os trabalhadores com doutorado completo é ciências, matemática e computação (19,6%).

Já para os trabalhadores com mestrado completo, as áreas que também se sobressaem, em termos de participação, são engenharia (13%), comércio e administração (12,9%) e ciências, matemática e computação (12,61%).

Vale destacar que a área de comércio e administração, que contribui com a maior parcela entre os trabalhadores com graduação, tem uma participação inferior a 5% quando considerados apenas aqueles com doutorado completo.

Este texto analisa os rendimentos do trabalho de indivíduos com educação superior no Brasil, através de informações do Censo 2010. Os resultados apresentados mostram disparidades acentuadas nos rendimentos entre grupos definidos pela área de formação superior. Mesmo controlando para características individuais, nota-se, por exemplo, que pessoas com formação na área de engenharia recebem cerca de 80% a mais que àqueles na área de educação. Além disso, os diferenciais em relação a essa última área tendem a aumentar nos percentis mais altos da distribuição de rendimentos.

No 90o. percentil, a diferença de rendimentos entre indivíduos com formação em Direito em relação aqueles com formação na área de Educação é estimada em 140%.

As evidências também indicam que desajustes entre ocupação e área de formação contribuem para a determinação dos rendimentos. Indivíduos em ocupações diretamente relacionadas com a formação recebem um prêmio estimado em 11% em relação aos trabalhadores em ocupações que também exigem formação superior, embora não estejam relacionadas com as suas áreas de formação. Nos percentis mais elevados, esse prêmio se mostra ainda maior, alcançando 19% no 90o. percentil.

As penalidades estimadas para o fato de trabalhadores com formação superior atuarem em ocupações que não exigem esse nível de qualificação são elevadas, representando uma redução de 30% nos rendimentos. As perdas estimadas são menores no topo da distribuição.

Os resultados mostram, portanto, que a área de formação está bastante relacionada com a remuneração no mercado de trabalho. Para determinadas áreas, não apenas os rendimentos são menores em média, como também é alta a probabilidade de o indivíduo ter uma ocupação não relacionada com a sua formação, o que contribui para rendimentos ainda menores. Esses são os casos, por exemplo, das áreas de Educação e Humanidades e Artes.

Em outras áreas, como Saúde e Direito, no entanto, a probabilidade de ter uma ocupação relacionada à formação é elevada, assim como os rendimentos do trabalho.

Já para os indivíduos com formação em Engenharia, a chance de uma ocupação não associada com a formação é mais alta, o que não impede que os indivíduos nesse grupo tenham rendimentos elevados, em média.

Essas diferenças por área de formação, assim como as implicações dos desajustes entre formação e ocupação, contribuem significativamente para as elevadas disparidades verificadas entre os rendimentos dos indivíduos com formação superior no Brasil.

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