Instituições em Economia: O Velho e O Novo Institucionalismo

Thorstein-Veblen-Quotes-3O livro Institutions in Economics: The Old and the New Institutionalism de autoria de Malcolm Rutherford, publicado em 1994, examina e compara as duas principais tradições da pensamento institucionalista em Economia:

  1. o “velho” institucionalismo de Veblen, Mitchell, Commons, e Ayres, e
  2. o “novo” institucionalismo que se desenvolveu mais recentemente a partir de fontes neoclássicas e austríacas, incluindo os escritos de Coase, Williamson, North, Schotter, e muitos outros autores.

A discussão é organizado em torno de um conjunto de temas metodológicos, teóricos e de problemas normativos que necessariamente tem de enfrentar qualquer tentativa de incorporar instituições (definidas de forma a incluir organizações, leis e normas sociais) em Economia. Esses problemas são identificados em termos das questões que envolvem:

  1. a utilização de métodos analíticos formais ou não formais,
  2. individualismo metodológico ou abordagens holísticas,
  3. os respectivos papéis da escolha racional e comportamento de seguir uma regra,
  4. a importância relativa da evolução espontânea e do design deliberado das instituições, e
  5. as perguntas que dizem respeito à apreciação normativa das instituições.

O velho e o novo institucionalismo, muitas vezes, foram emparelhados em lados opostos sobre cada uma dessas questões e os problemas se apresentavam em uma série de agudas dicotomias. O Professor Rutherford argumenta, no entanto, que tanto mais complexas são as questões, mais desafiadoras elas se tornam.

Cada tradição contém uma variedade de posições. Há pontos significativos de contato entre os representantes mais moderados de cada grupo. Apesar de cada tradição encarnar insights fascinantes sobre o estudo das instituições econômicas – seus funcionamentos, suas evoluções e seus impactos no bem-estar humano – não tem ainda providenciado respostas plenamente satisfatórias para todos os problemas identificados.

Este livro de Malcolm Rutherford é resultado do seu interesse de longa data em questões relativas às instituições e seu papel na vida econômica. Inicialmente, este interesse lhe levou para o estudo da tradição institucionalista americana agora chamada, frequentemente, de “velha” economia institucional (ou OIE em sua sigla em inglês) em uma série de artigos sobre Veblen, Commons, Mitchell, e Ayres (Rutherford 1980, 1981, 1983, 1984, 1987), uma linha de trabalho que têm continuadamente perseguida (1990a, 1990c, 1992a, 1992b). Estes ensaios foram escritos sob o ponto de vista de um crítico simpático.

Ele agora não classifica a si mesmo como um adepto de qualquer dos principais programas de pesquisa contidos no OIE. É solidário com o objetivo global de incorporação de instituições dentro da Economia, e acha que algumas das ideias e argumentos dos velhos institucionalistas são de grande interesse, mas ele não afirma ter descoberto dentro da OIE qualquer abordagem ou modelo que poderia sinceramente adotar como seu próprio.

Nos últimos anos, uma nova literatura sobre instituições emergiu de fontes neoclássicas, austríacas, e da Teoria dos Jogos, uma literatura que se tornou conhecido como a “nova” economia institucional (ou NIE em sua sigla em inglês). Assim, Rutherford voltou sua atenção para a NIE e, particularmente, para a comparação entre o novo e o velho institucionalismo (Rutherford, 1989a, 1989b). Sua impressão da NIE, no entanto, é que ela contém problemas quase tão graves como, mas opostas em espécie, aqueles encontrados na OIE.

Ele é solidário com o seu objetivo global de analisar as instituições e a mudança institucional de forma mais rigorosa. Acha que muitos de seus argumentos e modelos particulares são de grande interesse, mas, novamente, ele não pode alinhar-se plenamente com qualquer um de seus principais programas de investigação.

Seus principais objetivos neste livro expressam uma posição um tanto ambivalente. Eles são:

  • em primeiro lugar, proporcionar uma discussão geral dos problemas inerentes a qualquer tentativa de lidar com as instituições;
  • em segundo lugar, delinear os pontos fortes e fracos das maneiras em que a OIE e a NIE lidam com cada um destes problemas; e
  • em terceiro e último lugar, oferecer algumas sugestões para um tratamento mais adequado das instituições do que qualquer um que, atualmente, o velho ou o novo institucionalismo fornecem.

Ao trabalhar em direção a esses objetivos Rutherford também está tentando cortar a hostilidade mútua e a suspeita que caracterizaram em grande parte a relação entre o velho e o novo institucionalismo (ver, por exemplo, Dugger 1983, 1989a). Ambas as abordagens estão preocupadas sobre a inclusão de instituições dentro da Economia.

Embora elas difiram, significativamente, em filosofia e orientação metodológica, bem como em direção teórica e predileção normativa, as diferenças entre os dois lados têm sido muitas vezes simplesmente assumidas serem dicotômicas e irreconciliáveis. Em contraste, Rutherford afirma que as diferenças entre o velho e o novo institucionalismo, muitas vezes, não são dicotômicas na natureza, mas sim relacionadas com questões de ênfase e foco. Isto leva à possibilidade de que algumas das contribuições de cada um podem ser complementares na natureza e podem indicar os diferentes aspectos de um problema que devem ser incorporados em qualquer um tratamento mais completo. É uma parte do seu argumento de que, em qualquer tratamento adequado das instituições, não se pode ignorar pontos levantados por cada uma dessas correntes. Nenhuma tem um controle monopolista sobre o que é bom ou interessante.

Devido à natureza destes objetivos, Rutherford organizou esse livro em torno de questões temáticas, em vez de uma sequência cronológica de evolução do institucionalismo ou um discussão – capítulo por capítulo – de escritores individuais. Esta abordagem destaca os problemas subjacentes comuns a ambas correntes de pensamento – a OIE e a NIE – e fornece uma base para a comparação de várias soluções que cada qual propôs. Desta forma, também, ideias históricas e contemporâneas são misturadas. A discussão do OIE concentra-se no trabalho das grandes figuras de Veblen, Mitchell, Commons, e Ayres. O elemento contemporâneo é encontrado no tratamento da NIE e na relevância dos problemas presentes relacionados às questões institucionais.

Continua em outro post.

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