Ensina-me a Investir (e a Ver Bons Filmes, senão a Viver)

Filmes sobre FinançasLuciana Seabra (Valor, 27/07/15) publicou uma reportagem que se relaciona com o tema do meu curso Economia no Cinema.  Reproduzo-a abaixo e, desde logo, destaco que meu drama favorito sobre a Crise Financeira de 2008 é o Margin Call: O Dia Antes do Fim” (tem no Netflix). Sugiro ler a monografia de Carolina Alonso que orientei. Está para download em: A Crise vista no Cinema.

Assistir à saga da família de Fabiano em meio à seca nordestina no filme “Vidas Secas” ensina ao investidor que ele deve ser resiliente. De forma mais concreta, por meio de referências à crise de 2008, “Grande Demais para Quebrar” também dá seu recado: nunca se deixe levar por promessas de ganhos fáceis. Os filmes, dirigidos por Nelson Pereira dos Santos e Curtis Hanson, são duas das oito obras que, na opinião de quatro renomados gestores brasileiros, trazem lições para o investidor.

Os sócios-fundadores da Gávea Investimentos, Arminio Fraga; da IP Capital Partners, Roberto Vinhaes; da SPX, Rogério Xavier; e da Teorema Gestão de Ativos, Guilherme Affonso Ferreira, mandaram suas sugestões, a pedido do Valor, para a videoteca do investidor.

A lista é variada. Apenas um filme apareceu mais de uma vez nas indicações – “Margin Call: O Dia Antes do Fim”. Como descreve Xavier, trata-se de um drama de uma empresa fictícia de Wall Street um pouco antes do colapso financeiro de 2008, marcado pela quebra do banco americano Lehman Brothers. O filme revela o quão distante é o universo das finanças do mundo real, afirma o gestor da SPX. “Mostra também que o mundo financeiro baseado em modelos matemáticos está sujeito a erros e que esses erros podem ser devastadores para a riqueza do mundo real”, completa.

Para Xavier, Margin Call explicita o conflito de interesses entre os donos das firmas, seus colaboradores e os investidores em geral. Na opinião de Ferreira, da Teorema, o filme ensina a agir sob tensão. O diretor, J.C. Chandor, tinha conhecimento de causa. Ele viu o próprio pai ser demitido do Merril Lynch quando o sistema financeiro colapsou, encerrando 35 anos de carreira no banco americano.

Parte também de Ferreira a indicação de “Vidas Secas“, de 1963, e do menos conhecido e mais recente filme, “O Capital“, de 2012, dirigido por Costa-Gravas. O investidor pode aproveitar a obra para refletir sobre questões éticas, na opinião do gestor da Teorema. Nesse caso, o cenário é europeu: um banco de investimento francês, em que o operador é promovido a presidente e se comporta de forma inescrupulosa.

Os conflitos do mercado financeiro também estão patentes no “Grande Demais para Quebrar“, produção da HBO que retrata a tentativa do secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, de evitar a quebra do banco de investimento Lehman Brothers. É visível a falta de habilidade das autoridades e dos reguladores americanos diante da grave crise financeira que estava por vir, aponta Xavier, da SPX. “A inação, despreparo, falta de controles, improviso, entre outras coisas, revelam o quão frágil é o sistema e que depositar extrema confiança nele pode custar muito caro”, completa.

Os filmes que retratam a crise trazem uma lição na medida em que mostram sempre um investidor perdido em meio à confusão, comenta Xavier. E é ele sempre quem paga a conta, diz, o que alerta para a boa escolha do consultor financeiro. “Não existe mágica, não existe dinheiro fácil, o que existe é o trabalho duro. Nem todo o dinheiro que passa pela sua frente é para ser ganho. Às vezes, o risco envolvido não vale a pena”, afirma o fundador da SPX. “Espero sinceramente que a crise sirva de lição para que os erros cometidos não se repitam”, conclui.

O mercado financeiro é também o pano de fundo para uma comédia mais leve, “Trocando as Bolas” (1983), dirigida por John Landis. Nele, conta o gestor da IP, um “almofadinha” do mercado troca de papel com um “joão-ninguém”. Eles são vítimas de uma aposta de dois milionários sobre se o caráter é genético ou formado pelo ambiente em que se vive. O mendigo, representado por Eddie Murphy, até se sai bem ao operar o mercado de commodities. A trama é simples, mas
traz uma lição, na opinião de Vinhaes, que seleciona ativos para o fundo global da IP. “Foi quando entendi que tinha que
me diferenciar para não virar mais uma pecinha substituível do sistema”, afirma.

Em geral, os filmes de mercado são “besteiróis” feitos para encarnar os estereótipos, considera Vinhaes. Já o mais novo da lista, “O Lobo de Wall Street“, lançado em dezembro de 2013 e que para muitos parece exagerado, tem um pé na realidade, segundo o gestor. “Me lembra bem a Wall Street dos anos 80 mesmo”, afirma. Na produção, o ator Leonardo DiCaprio encarna Jordan Belfort, escritor da autobiografia que inspirou o filme de Martin Scorcese. A trama passa-se em uma corretora e é regada a fraudes, drogas e prostituição.

Já o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga tirou duas produções do fundo do baú para indicar ao investidor. “A Felicidade Não se Compra”, dirigido por Frank Capra, data de 1946. Nele, para conquistar o grau de anjo, um espírito tenta ajudar um empresário que foi vítima de um banqueiro desonesto. Para Fraga, o filme ensina sobre fragilidade financeira.

A outra sugestão do sócio da Gávea é “Dr. Fantástico“, um filme de Stanley Kubrick “obrigatório para quem pensa em estratégia”, segundo Fraga. A obra, lançada em 1964, é uma sátira sobre a Guerra Fria, ao tratar de um conflito nuclear acidental. Ela é baseada no livro “Alerta Vermelho“, do ex-tenente Peter George.

O investidor que quiser aproveitar todas as sugestões dos gestores vai ter sua resiliência testada. No Netflix, por exemplo, o mais famoso serviço de distribuição de vídeo sob demanda, somente é possível encontrar um dos filmes sugeridos: “Trocando as Bolas“. [FNC: encontra-se também “O Dia Antes do Fim”.] Como a produção mais antiga data de 1946, dificilmente o investidor vai conseguir zerar a lista sem visitar uma boa locadora.

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