Fugger: Banqueiro de Reis no Século XVI, o homem mais rico que já existiu

Banqueiro dos ReisLauren Young (Valor, 19/08/15) entrevista o autor do livro sobre Fugger: banqueiro de reis no séc. XVI. Jacob Fugger, o financista alemão que, durante o Renascimento:

  1. monopolizou o mercado da prata,
  2. tornou-se banqueiro de reis,
  3. convenceu o papado a legalizar o empréstimo de dinheiro e
  4. preparou o caminho para o atual mercado de bônus.

No auge de sua carreira no século XVI, Fugger acumulou uma fortuna imensa, correspondente a uma parcela significativa da atividade econômica da Europa. Mesmo assim, poucas pessoas ouviram falar dele.

Um novo livro sobre Fugger, “The Richest Man Who Ever Lived” [O homem mais rico que já existiu, na tradução livre], inclui lições sobre dinheiro para os investidores. Abaixo, trechos de uma entrevista com o autor do livro, Greg Steinmetz, que é analista de ações e já trabalhou como jornalista em Nova York.

Qual o principal impacto de longo prazo que Fugger teve sobre o mundo do dinheiro?

Greg Steinmetz: Antes de Fugger, os cristãos não podiam cobrar legalmente juros sobre os empréstimos. É por isso que os emprestadores eram os judeus. Está no Evangelho de Lucas que se deve emprestar sem pedir nada em troca. A Igreja impingia isso. Emprestadores cristãos como os Médici contornavam isso chamando os juros de multa ou taxa de execução. Isso tornava emprestar uma coisa embaraçosa. Fugger deu um basta a isso. Ele orquestrou um lobby junto ao Vaticano. O papa mudou de opinião e disse que se você é um emprestador e está assumindo riscos, é justo cobrar juros.

Que lições sobre o dinheiro podemos aprender com Fugger?

Steinmetz: Fugger tinha nervos de aço. Embora tivesse instintos extraordinários, suas percepções eram sempre amparadas por informações superiores. Ele foi um dos primeiros empreendedores ao norte dos Alpes a usar a contabilidade moderna — sempre tinha um grande entendimento sobre os números. Ele podia ver o quadro geral melhor do que qualquer um de seus concorrentes. Hoje, se os investidores não olham para os números, que dirá para as notas de rodapé das demonstrações financeiras de uma empresa.

Além disso, Fugger não desistia ao primeiro sinal de problemas. O erro mais comum que os investidores cometem é vender na baixa e comprar na alta. Finalmente, ele sempre conseguia agregar valor para seus clientes. Ele se fez indispensável e isso o mantinha no jogo.

Qual foi o maior erro que ele cometeu com dinheiro?

Steinmetz: Houve alguns erros. Alguns negócios na área de navegação não deram certo. O rei da Espanha captou dinheiro junto a investidores para enviar uma frota à Índia. Fugger investiu no empreendimento, porém os navios jamais voltaram. Mas ele acertava nas coisas grandes.

Fugger teria sido um bom gestor de fundo hedge?

Steinmetz: Algumas pessoas simplesmente têm o dom de ganhar dinheiro. Ele tinha esse dom. O primeiro grande investimento que fez não foi apenas com seu dinheiro e o de sua família, mas também com o dinheiro de amigos. Como ele os convenceu de que uma entidade não comprovada poderia fazer uma grande aposta na prata austríaca está além de minha compreensão. Ele devia ter uma habilidade tremenda em inspirar confiança nas pessoas. Infelizmente, ele não deixou um diário. As evidências nas quais me baseei são fragmentadas, incluindo suas declarações contábeis e cartas enviadas a clientes e credores.

Ele realmente aproveitou bem o seu dinheiro?

Steinmetz: Fugger tinha a maior casa de Augsburg, na Alemanha, vestia peles e era conduzido por uma carruagem com 12 cavalos. Era importante exibir a riqueza para demonstrar aos clientes e tomadores de crédito que ele tinha muito dinheiro.

Naquela época, havia a percepção de que os símbolos eram mais importantes do que eles são hoje. Não bastava olhar uma procuração e ver que ele controlava 100% de uma companhia. Os ornamentos exteriores da riqueza eram muito importantes.

Como era a vida de Fugger?

Steinmetz: Ele trabalhava o tempo todo, mas para ele, assim como para o americano Warren Buffett, trabalhar era divertido. Buffett diz que dança de alegria para trabalhar todo dia porque ele adora o trabalho. Não posso dizer com certeza, mas acho que Fugger tinha o mesmo espírito. Ele trabalhou até seu último sopro de vida em 1525, aos 66 anos.

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