Idolatras e Tementes de O Mercado: “Ele nos Acuda!”

CDS Brasil 2015Aí, que mau humor, meu amor… O economista amante de Livre-Mercado, admirador exaltado do pouco que aprendeu em sua fase de estudante em livros-textos norte-americanos, ama-o incondicionalmente!

Kant define a palavra esclarecimento como a saída do homem de sua menoridade, responsabilidade a ser assumida por ele próprio. Ele define essa menoridade como a incapacidade do homem de fazer uso do seu próprio entendimento. A permanência do homem na menoridade se deve ao fato de  ele não ousar pensar.

A covardia ou a preguiça mental são duas causas que levam  os homens a essa recusa. Um outro motivo é o comodismo:

  • é bastante cômodo permanecer na área de conforto;
  • é cômodo que existam pessoas, objetos e entes sobrenaturais — como O Mercado — que pensem e façam tudo, tomando decisões em nosso lugar.

Os homens, quando permanecem na menoridade, são incapazes de tomar as próprias decisões e fazer suas escolhas. A autonomia é usada como base para determinar  a responsabilidade moral  da ação de alguém. Autônomo, etimologicamente,  refere-se a “aquele que estabelece  suas próprias leis”. Ah, isto é tão diferente da postura de entreguistas dos nossos economistas tementes de O Mercado…

Cornelius Castoriádis diz: “falar de uma sociedade autônoma ou da autonomia da sociedade, não somente em relação a tal camada dominante particular, mas em relação a sua própria instituição, necessidades, técnicas, etc., pressupõe ao mesmo tempo a capacidade e a vontade dos humanos de se autogovernar”.

Arícia Martins (Valor, 04/09/15) avalia que o aumento do risco-país observado nas últimas semanas deve aprofundar o quadro recessivo e adiar o início da recuperação da atividade no Brasil. Segundo estudo do Santander, o Credit Default Swap (CDS), espécie de seguro contra calote da dívida soberana, influencia o humor do empresariado e também costuma antecipar pontos de virada da economia. Sem estabilização ou redução desse indicador, o banco estrangeiro avalia que tão cedo não haverá retomada da confiança, nem do PIB.

No fechamento de início de setembro de 2015, o prêmio do CDS de cinco anos atingiu 379 pontos-base. Em 2 de janeiro deste ano, o índice estava em 202 pontos-base.

Para economista idolatra de O Mercado, a piora dos fundamentos — queda do nível de emprego e salários reais, acúmulo de estoques na indústria e paralisia de obras –, explica boa parte dos resultados negativos do PIB. Recentemente, a crise política e as dúvidas em relação ao reequilíbrio das contas públicas ganharam relevância e elevaram as incertezas, o que se refletiu na disparada do CDS.

A redução de incertezas é o principal fator que poderia impulsionar a reação da confiança do setor privado, avalia o economista amante de O Mercado, condição necessária para que a economia volte a crescer. Como a percepção de risco subiu e os últimos indicadores divulgados voltaram a surpreender negativamente, a perspectiva de que o pessimismo pare de prejudicar a atividade tem sido cada vez mais adiada.

Segundo o economista temente de O Mercado, é difícil calcular com precisão a defasagem entre a queda do risco-país e sua repercussão no sentimento dos empresários, assim como o prazo entre a melhora da confiança e o efeito sobre a atividade, porque a frequência de divulgação dos indicadores não é a mesma – o CDS é diário, a confiança medida pela FGV é mensal e o PIB, trimestral.

Ele estima que a variação do CDS leva de um a dois meses para afetar a confiança, e esse índice demora entre dois e três meses para ter impacto sobre a produção industrial e os investimentos. O estudo notou relação estatisticamente irrelevante entre a confiança dos consumidores e o PIB. Quem comanda são as finanças. Tá tudo dominado!

O cenário-base do Santander prevê que o CDS deve começar a recuar para mais perto de 200 pontos-base no começo de 2016, o que levará a avanço gradual da confiança dos empresários a partir do segundo trimestre do ano que vem. A atividade só voltaria a recobrar fôlego de forma consistente a partir do segundo semestre, mas depois do envio ao Congresso da proposta de Orçamento, diz o economista louvador de O Mercado, o cenário pessimista traçado pelo banco ganhou força.

Nele, a expectativa é de retração de cerca de 1,5% para o PIB em 2016, enquanto a previsão no cenário-base é de queda de 0,5%. “O nível de confiança deve continuar deprimido e, com isso, não vemos retomada de investimentos e da produção”, diz amante, admirador exaltado de O Mercado.

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