11 de Setembro no Brasil: Ataque Terrorista de O Mercado!

Rating da S&PAs castas compõem-se de membros de diversas redes e instituições de poder, cada qual apresentando sua própria cultura e incentivando determinado estilo de vida. Elas tendem a dar a seus integrantes determinadas atitudes para com a autoridade, a organização e a política.

Não é apenas o poder político e econômico da casta dos comerciantes, que inclui os financistas aliados com membros economistas e tecnocratas da casta dos sábios, que explica a hegemonia da Economia de Livre Mercado no mundo ocidental, desde os anos 1970, quando houve o fim do Acordo de Bretton Woods e o regime de câmbio tornou-se flexível ou flutuante. É fruto também da sua capacidade de convencer as elites e os eleitorados de que essa visão de mundo é correta.

O eleitorado brasileiro resistiu a essa pressão midiática dos representantes dessas castas para escolher, de maneira autônoma e democrática, representantes da casta dos trabalhadores organizados, depois da péssima experiência social com a Era Neoliberal (1990-2002). Agora, está cotidianamente submetido à pressão dos golpistas midiáticos!

Camila Maia (Valor, 11/09/15) avalia que a situação que já era ruim para as empresas brasileiras ficou ainda pior com a perda do “selo de bom pagador do país”. Ora, o que mudou de uma hora para outra? Foi a casta dos sábios-financistas colocar um seu representante no Ministério da Fazenda? Mas ele não está seguindo a doutrina fiscalista de O Mercado? As empresas não estão verificando um realinhamento de preços básicos (juros-câmbio-tarifas X salário-real) a seu favor, com deterioração do poder-de-compra da casta dos trabalhadores e dos párias?

Faltando 20 dias para o fim do terceiro trimestre de 2015, quando a cotação do dólar será usada pelas empresas para converter para o real as dívidas em dólar, a Standard & Poor’s rebaixou a nota soberana brasileira para “BB+” e cortou também as notas soberanas de uma série de empresas brasileiras, como Petrobras, Eletrobras e Ambev.

Além de encarecer as linhas de crédito, o corte levou o dólar para o patamar de R$ 3,90, um duro baque no equilíbrio financeiro das companhias mais endividadas na moeda americana.

Enquanto a desvalorização mais brusca do real será um grande problema neste trimestre, benefícios em competitividade e aumento de receitas de exportação serão sentidos apenas mais tarde, provavelmente em 2016.

A cada 15% de desvalorização do real, há um impacto negativo de 5% no lucro consolidado das empresas do Ibovespa, disse o estrategista do Santander (banco estrangeiro), Daniel Gewehr, insuspeito representante de O Mercado.

Esse efeito negativo será sentido no curto prazo e ficará mais evidente nas empresas expostas ao dólar, como é o caso da Petrobras. Além de agravar a questão do endividamento, a valorização do dólar também limita o lucro que a estatal teria com a venda de derivados no Brasil.

A Petrobras manteve os preços de combustíveis no país mesmo depois que os preços do petróleo despencaram no mercado internacional, o que possibilitou lucro no primeiro semestre do ano no segmento de abastecimento.

No entanto, como esses combustíveis são importados, a variação cambial limita e até mesmo anula esses ganhos.

O Bank of America (BofA) espera que o dólar termine 2015 cotado a R$ 3,80, chegando a R$ 4,10 no próximo ano. Se houver uma desvalorização além disso, será ainda mais importante que a administração da Petrobras implemente aumentos nos preços de combustíveis, disse o banco. Melhor dizendo O Banco, insuspeito e imparcial representante estrangeiro dos acionistas minoritários que querem a maior empresa estatal brasileira servindo seus desígnios e não os do povo brasileiro…

Outra empresa muito pressionada pelo câmbio é a Gol, que tem endividamento e custos de combustíveis atrelados ao dólar, com uma porção muito pequena da receita atrelada à moeda. Foi citando esses argumentos que o JP Morgan revisou a recomendação das ações da companhia área de compra para venda, ao mesmo tempo em que suspendeu o preço-alvo.

“O setor de aviação talvez seja o mais vulnerável em um cenário de dólar mais forte”, disse Ricardo Carvalho, analista da agência de riscos Fitch Ratings, em entrevista concedida ao Valor antes do anúncio da perda do grau de investimento do Brasil pela S&P.

“Daqui para a frente, as companhias vão ter que conviver um pouco mais com o custo adicional em função do dólar, e o efeito tende a ser perverso se a alta for acentuada”, disse Carvalho, completando que os balanços do segundo trimestre não refletiram o cenário.

No primeiro trimestre do ano, o dólar saiu de R$ 2,65 para R$ 3,30, uma alta de 24,5%. No fim de março, o resultado
financeiro líquido das empresas de capital aberto brasileiras foi negativo em R$ 40,8 bilhões, representando 10,5% da  receita líquida consolidada no período, segundo levantamento do Valor Data.

No segundo trimestre, o dólar devolveu parte da alta, fechando em R$ 3,10 no fim de junho de 2015. O cenário melhorou o endividamento das empresas e atenuou o resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 15,6 bilhões, ou 3,9% da receita líquida.

Desde então, a moeda americana valorizou-se e se aproximou dos R$ 3,90, fazendo com que algumas casas de análise passassem a projetar um câmbio acima de R$ 4 já para o fim do ano.

Não se pode prever com exatidão o efeito do novo patamar de câmbio nos resultados das empresas, devido a certas variáveis, como as estratégias de hedge (proteção) utilizadas. De qualquer forma, com o dólar em um patamar recorde, é razoável esperar uma despesa financeira também inédita neste trimestre.

Para a Fitch, este pode ser “o pior momento nos últimos oito a dez anos para as empresas brasileiras”. Oh, meu amor, que terror...

Segundo o economista idolatra de O Mercado, na crise de 2008 as empresas foram afetadas, mas a visão sobre a economia brasileira era mais favorável. Agora, há um ambiente interno de negócios ruim, devido às incertezas políticas e à recessão econômica, aumentando significativamente o risco.

As empresas devem sofrer com a geração de caixa mais fraca e as maiores pressões financeiras. “Por isso, vivemos hoje um cenário de forte rebaixamento de ratings, como não víamos há dez anos”, afirmou o imparcial analista da Fitch.

Apesar dos problemas causados pelo câmbio no curto prazo, o Santander prevê efeitos positivos a partir de 2016, refletindo, principalmente, o aumento da receita das companhias exportadoras. Segundo Daniel Gewehr, leva em média de seis a nove meses para que as empresas consigam mais acesso ao mercado internacional.

Carvalho, da Fitch, também destacou a questão da competitividade. “Nesse momento, se você é um exportador, tem o beneficio do câmbio, que dá a oportunidade para quem tem atuação no mercado internacional”, disse o analista insuspeito.

Para ele, isso tem sido “muito favorável” para setores como de alimentos, papel e celulose e até mesmo petroquímico.

No médio prazo, o efeito consolidado nas empresas do Ibovespa é “basicamente neutro”, disse Gewehr. Levando em conta o peso das empresas componentes do índice, o Santander calcula que 55% serão beneficiados, contra 45% prejudicados.

Além de empresas exportadoras de commodities, como são os setores de papel e celulose e de alimentos, o Santander destacou algumas empresas do setor industrial que devem ser fortalecidas pela moeda no médio e no longo prazo.

É o caso da WEG, que terá um aumento da competitividade na parte de exportação. A Embraer é outra empresa importante que é beneficiada, uma vez que aproximadamente 95% da sua receita é dolarizada.

Uma empresa menor que Gewehr também destacou é a Mahle Metal Leve. Segundo o estrategista, uma fatia grande da receita da companhia vem das exportações e ela vem ganhando competitividade com isso.

6 thoughts on “11 de Setembro no Brasil: Ataque Terrorista de O Mercado!

  1. É! Realmente a Standard Poor fez tempestade em copo d’água. Não precisava.
    Mas quem acabou se queimando nessa história não foi o país, mas sim o Lula. Veja o que ele disse
    2008: Nós acabamos de ter a notícia de que o Brasil passou a ser ‘investment grade’. Não sei nem falar direito a palavra, mas se formos traduzir para uma linguagem que todos os brasileiros entendam poderia dizer que o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e que por isso passamos a ser merecedores de uma confiança internacional que há muito tempo.
    Agora Lula dias atrás: Não significa nada.
    ??????
    Ou seja, tentou dar uma aliviada na situação e fez confusão.

    1. Prezado Wilson,
      “não só peixe morre pela boca”…

      Figuras públicas poderosas vivem cercadas por microfones e perguntas maldosas. Nem sempre consegue “pensar devagar” e dizem coisas impensadas.

      Por exemplo, o Ministro Guido Mantega, que conseguiu a façanha de obter a menor taxa de desemprego da história recente, ao apelidar a atuação anticíclica de “nova matriz macroeconômica” parece que ofendeu a turma da “velha matriz macroeconômica”: a do tripé superávit primário – câmbio flexível – meta inflacionária, que exige altíssima taxa de juros e beneficia as castas dos comerciantes-financistas e dos sábios-economistas (sic).

      Hoje, com uma injusta campanha difamadora, o ex-ministro que trabalhava no governo com sacrifício, devido ao câncer de sua mulher, é agredido quando vai a algum restaurante frequentado pela obscura “elite (sic) paulistana”…

      Por isso, todas as figuras públicas têm de ser “low profile”.
      att.

  2. Guido Mantega foi o ministro que colocou na prática a teoria espetacular das políticas anticíclicas pós 30 de Keynes, chanceladas pioneiramente por Roosevelt para combater a crise e puxar o fio da meada em prol do caminho do crescimento. Experiência viva! Merece todo o respeito e até 2010 ninguém criticava-o. Muito pelo contrário, era saudado e recebeu diversos prêmios no país afora. Seu trabalho como ministro da Fazenda fez o Brasil “matar no peito” a crise internacional.

    Teve audácia e apoio político do presidente Lula para dar uma nova cara a política econômica, desvencilhando-a o quanto tanto possível do já desgastado “tripé”. Atuação ímpar!

    Mas a cornetagem em que se envolveu o ministro não acho que não é por conta de seu trabalho no governo. Acredito eu que o X da questão é outro. Envolve questão de postura. Por exemplo: o Lula e Dilma viviam fazendo elogios ao SUS. Gravaram centenas de propagandas e inserções comercias afirmado com sorriso no rosto que o SUS era referência no Brasil e no mundo. Até que chegou um dia, que os dois tiveram problemas graves da saúde, e aonde os bonitões foram procurar tratamento, no SUS? Mantega foi a um restaurante do bairro nobre do Jardins, reduto anti-governo. Mas e o restaurante Fome Zero do Governo Federal? Lá com certeza ele não passaria por agressões, te garanto.

    1. Prezado Wilson,
      acho demagogia e populismo “fingir” um padrão de consumo que o sujeito não tem.

      Da mesma forma, acho falso moralismo cobrar dos Homens Públicos, que em geral constituem uma elite socioeconômica e cultural, viver como o povo. Seria como exigir, na Índia, as castas (de guerreiros-comerciantes-sábios-trabalhadores) deixarem se tocar pelos párias…

      Resumo a estratificação social do Brasil da seguinte forma: de uma PEA de 100 MM de pessoas, 9 MM aplicam em Fundos de Investimentos e recebem também renda do capital. É o mesmo número de pessoas (8.979.706) que tem formação universitária completa. Além desses, 451.209 tem mestrado e 170.247 tem doutorado.

      Pelos cálculos da OCDE, um adulto com idade entre 25 e 64 anos que termina o Ensino Superior, no Brasil, receberá em média 157% mais renda do que quem só terminou o Ensino Médio. A média dos países da OCDE é de 57%.

      Quer que essa “elite” tenha a mesma “postura” da maioria, que é descendente de escravos?! Eu não me iludo. Este foi o último País ocidental a abolir a escravidão a menos de 130 anos…
      att.

  3. Proselitismo à parte, sinto nessa discussão a sensação do quão se acostumou a “elite” com essa história de serviço privado. Acho apenas incoerência quando se zela pelo serviço público, mas depois ficar escondidinho em ninhos burgueses. Embora que quando forçados a barra, vira demagogia também.
    Agora respondendo a questão, eu acredito que, se todos os filhos de políticos estudassem nas escolas públicas, a qualidade da educação seria melhor. Uso as palavras do senador Cristóvão Buarque, do PDT do Brizola e que não tem mais filhos em idade escolar.
    A base do projeto do senador estabelece que todo político eleito no Brasil nos âmbitos federal, estadual ou municipal matricule, obrigatoriamente, seus filhos na rede de ensino público. O objetivo: incentivá-los a investir mais não apenas na educação, mas na qualidade de outros serviços públicos.
    Segundo o senador, “as crianças dos parlamentares chegariam em casa dizendo como é a escola e eles passariam a sofrer na própria pele”.
    OBS:
    O senador Cristovam Buarque já não tem filhos em idade escolar, como seu colega Diniz, mas questionado sobre o que faria caso a lei fosse aprovada e tivesse filhos estudando, respondeu: “Eu quero que tenha uma lei que me obrigue, senão é claro que eu não vou usar (o serviço público). Precisa-se da lei exatamente para me obrigar”. “Com essa lei, a gente tira essas pessoas do cargo de zelarem pela coisa pública. Isso resume tudo. Não é possível que os que zelam pela coisa pública se protejam atrás do setor privado! Isso, sim, é incoerente”, afirma Cristovam.

    1. Prezado Wilson,
      estou à vontade para comentar isso: estudei, assim como a Dilma, o Fernando Pimentel e o Tostão, entre outros nomes bastante conhecidos de uma elite cultural, no Colégio Estadual de Minas Gerais (1963-1970), depois FACE-UFMG (1971-74) e UNICAMP (1975-76), ou seja, sempre em escolas públicas.

      Nesse colégio público, havia um “vestibulinho” para selecionar no Exame de Admissão, cuja relação candidatos/vaga era quase igual de Universidade Pública. A elite socioeconômica buscava vaga nele, mas só selecionava-se elite intelectual.

      O que mudou? O ensino público massificou-se, o que é algo positivo para alterar a relação trabalhadores intelectuais/trabalhadores manuais e diminuir a desigualdade social na distribuição de renda.

      Para melhorar a qualidade de ensino, teria que se treinar (e pagar mais) a professores. Só que a elite econômica não quer pagar mais impostos, prefere pagar escolas particulares. Ela não tem consciência da importância dos direitos e deveres da cidadania e prefere manter o apartheid social.
      att.

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